Família de vítima de AVC exige indenização de hospital

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postado em 08/06/2011 07:51 / atualizado em 08/06/2011 08:06

Helena Mader

Rafael Ohana/CB/D.A Press
Há mais de três anos, o jornalista Alexandre Torres, 57 anos, vive em estado vegetativo. Não anda, não mexe as mãos, não fala. No próximo dia 16, ele sairá de casa em sua cadeira de rodas especial para marcar presença em uma audiência judicial que deve selar o seu destino. A família Torres move um processo para conseguir o custeio de todos os gastos com a internação domiciliar do jornalista. Os valores altos são hoje insustentáveis para os filhos e para a mulher de Alexandre: são necessários pelo menos R$ 15 mil mensais para deixá-lo vivo. O processo se arrasta há dois anos e a expectativa dos parentes e amigos é de que a Justiça determine o pagamento dos custos.

O drama da família Torres começou em 23 de dezembro de 2007. Dois dias antes do Natal, Alexandre assistia a uma missa quando se sentiu mal. O jornalista teve um pico de pressão e sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Uma tomografia computadorizada comprovou o problema e Alexandre passou por uma cirurgia de emergência, que drenou o sangue e conseguiu controlar a pressão. O procedimento foi realizado no Hospital da Unimed, na Asa Sul. O paciente permaneceu internado e em coma induzido — para reduzir as chances de lesões cerebrais.

Três dias depois, como a vítima apresentava sinais de melhora, os médicos determinaram a retirada da sedação para que Alexandre saísse do coma. À época, ele reagia bem aos estímulos visuais, auditivos e motores. Quando o efeito da sedação cessou, o jornalista involuntariamente retirou o tubo de oxigenação que estava sobre o seu rosto. Sem conseguir respirar por cerca de 15 minutos, surgiram as graves lesões cerebrais. Quando um cirurgião apareceu para fazer a traqueostomia, já era tarde: Alexandre Torres estava em um irreversível estado vegetativo.

Para a família do jornalista, a atuação dos profissionais responsáveis pelo paciente levou ao agravamento do seu quadro de saúde. Filha de Alexandre, a advogada Isabela Torres, 32 anos, afirma que é preciso acompanhar permanentemente as pessoas que saem do coma induzido. “Deveria haver alguém ao lado dele. Além disso, esses pacientes têm que ser contidos, amarrados à cama, porque arrancar o tubo é um reflexo normal de quem acorda do coma induzido. E isso não foi feito, o que para nós caracteriza a negligência”, conta Isabela. “Um perito judicial atestou que a conduta foi errada”, acrescenta.

Dignidade humana
Em julho de 2009, os familiares entraram na Justiça contra a Unimed, responsável pelo hospital que realizou o atendimento ao jornalista. Poucos dias depois, o juiz João Luís Fischer Dias, da 9ª Vara Cível do Tribunal de Justiça, concedeu uma liminar determinando que a Unimed colocasse “imediatamente à disposição do autor o tratamento médico-hospitalar que for necessário”. O magistrado alegou que Alexandre necessita de “cuidados médicos intensivos para manutenção de sua vida, sendo esse direito resguardado pela Constituição Federal, assim como o direito à dignidade humana”. O TJDFT fixou multa diária de R$ 2,5 mil em caso de descumprimento da decisão. Além da Unimed, o plano de saúde Medial também figura como réu no processo, já que é o convênio de Alexandre Torres.

Apesar da multa pesada fixada pelo magistrado, a empresa não cumpriu a decisão, e os custos ainda estão todos sob responsabilidade da família Torres. A estrutura de home care montada no apartamento da família, na Asa Sul, é enorme. São seis auxiliares de enfermagem, três fisioterapeutas e uma fonoaudióloga. A alimentação especial custa R$ 900 mensais e o paciente depende de 12 medicamentos, muitos deles de alto custo. Sem receber nada, apesar da decisão judicial, a família entrou com um novo processo de execução para pagamento da multa e dos valores devidos.

Mulher de Alexandre Torres, a procuradora federal Ana Maria Bermudez Torres, 54 anos, diz que ainda tem expectativas de que a decisão da Justiça seja cumprida. Ela quer levar o marido na cadeira de rodas na próxima audiência, marcada para o próximo dia 16. “Vamos mostrar que não se trata apenas de processos e números. Queremos que vejam qual é a situação dele. A família espera uma saída para amenizar o sofrimento”, explica Ana Maria.

O assessor jurídico da Unimed Brasília, Eduardo Navarro, não quis dar detalhes sobre a estratégia de defesa da empresa, que só será apresentada na próxima audiência. “Tudo será discutido na audiência, não posso adiantar. O que devo dizer é que foram adotadas todas as providências cabíveis para salvar a vida do autor do processo”, explica o advogado. A assessoria de imprensa Medial informou que a empresa não vai se manifestar antes do fim do processo, que ainda tramita na Justiça.
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