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UnB oferece atendimento a 35 portadores de transtorno obsessivo compulsivo

Flávia Maia

Publicação: 22/06/2011 07:55 Atualização:

Pedro (nome fictício), 33 anos, não consegue trabalhar. Quando bate a ansiedade, o técnico em imobilização ortopédica fica trêmulo, o coração acelera, chora e a vontade é de ficar deitado até a crise passar. Pedro tem transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e, entre as compulsões, costuma trancar a mesma fechadura várias vezes. Para tratar da doença, ele se inscreveu como voluntário em uma pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília. As inscrições para o tratamento a que Pedro irá se submeter estão abertas até o fim deste mês e os interessados devem ter o diagnóstico da doença feito por um profissional. São 35 vagas e o tratamento durará quatro meses. Os pacientes passarão por 16 sessões de duas horas de terapia de grupo.

As sessões fazem parte do projeto de doutorado do pesquisador Amílcar Vidica Barcelos. A ideia do psicólogo é conferir os avanços fisiológicos dos pacientes submetidos à psicoterapia cognitivo-comportamental — hoje o tratamento mais utilizado pelos psicólogos. Para isso, ele realizará testes de memória, qualidade de vida, organização perceptual e níveis de depressão e ansiedade antes e depois das sessões. “Queremos ver como a terapia vai agir em regiões do cérebro atingidas pela doença”, explica o pesquisador.

O TOC é a quarta doença psicológica em prevalência, perde para depressão, dependência química e fobias. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, de 2,5% a 3% da população mundial sofre da doença. Seguindo essa estimativa, o DF pode ter até 60 mil pessoas com o transtorno. A alta incidência de TOC se deve à variedade de sintomas e ao fato da doença normalmente estar associada a outras, como depressão e síndrome do pânico. Foi o que aconteceu com Pedro. Os médicos identificavam a depressão e a anorexia nervosa, mas o diagnóstico de TOC o só veio aos 30 anos. “Eu tenho mania de guardar objetos velhos, sempre acho que vou precisar depois. Teve um dia que cheguei a jogar um telefone velho fora, mas depois me arrependi e peguei de volta no lixo”, contou.

Consciência
As pessoas que sofrem de TOC têm consciência do exagero dos seus atos, mas não conseguem deixar de realizá-los, por isso, os psicólogos dizem que o transtorno é incontrolável. O que o difere de um tique nervoso, por exemplo, em que as ações — como constantes piscadas — são involuntárias e a pessoa não percebe que está fazendo.

O estudante Caio Catarsione, 23 anos, notou que tinha algo errado quando colocava no micro-ondas apenas números repetidos para o tempo de cozimento de um alimento. No lugar de digitar um minuto exato, ele digitava 111, 222 ou 333. “Eu só comia comida fria ou esturricada”, comentou. A implicância com os números ímpares e o mal-estar gerado quando uma pessoa o cumprimentava apenas por um lado fizeram-no refletir que algo não estava certo. “Eu me sentia torto quando alguém pegava no meu ombro, tinha que pegar no outro também”, relatou.

“Se a pessoa perder mais de uma hora no decorrer do dia com a verificação de algo, é sintoma de TOC”, disse o psicólogo Amílcar. Ele explica que pacientes com o transtorno criam rituais para amenizar compulsões e perdem muito tempo neles. Quando percebem o tempo perdido, buscam tratamento para sair do ciclo da doença que começa com o pensamento obsessivo, que causa ansiedade. “Por exemplo, a pessoa tem a obsessão que a casa tem que estar trancada para que não aconteça nada demais. Nisso, ele fica ansioso com a possibilidade de não ter fechado e cria o ritual de conferir várias vezes a fechadura todos os dias e, somente assim, se sente aliviado”, descreve o pesquisador.

As manias e os rituais do TOC são diversos, por isso, é difícil o paciente se conscientizar de que está doente. Além disso, existem diversos graus da doença, do subclínico — que não precisa ser tratado — ao incapacitante, quando a pessoa pode ser aposentada por causa da doença. Um passo importante no tratamento é conseguir quebrar os rituais.

O tratamento do TOC é feito por psiquiatras e psicólogos. Os psiquiatras receitam medicamentos antidepressivos. Já os psicólogos entram com a terapia. “Com os medicamentos, melhorei 40%, agora estou muito esperançoso com o tratamento da pesquisa do Almícar”, acredita Pedro.

Fique atento
Os interessados em participar do tratamento devem ligar no Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos da Universidade de Brasília no telefone (61) 3273-8894

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