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Oito das 12 vilas olímpicas do DF estão prontas, mas apenas três funcionam

Os prédios das outras cinco estão se deteriorando. O governo local promete contratar empresas, por meio de licitação, para mantê-las conservadas

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postado em 23/07/2011 08:15

Flávia Maia

 Kleber Lima/CB/D.A Press
Oito das 12 vilas olímpicas espalhadas pelo Distrito Federal estão prontas, mas somente três delas são usadas pela população. Nas cinco entregues à Secretaria de Esportes do Distrito Federal e que ainda estão sem atividades, o cenário é de abandono. Os portões estão fechados, os aparelhos sujos de poeira, as paredes de alguns ginásios pichadas e as piscinas vazias ou com água imunda e parada. Até hoje, o governo investiu R$ 99,73 milhões na infraestrutura das vilas e apenas 12,22% do potencial de 45 mil alunos são atendidos. A estrutura de funcionamento transitória e capenga adiará ainda mais a concentração em captação de talentos e formação de atletas de rendimento — treinados para competições. Por enquanto, não há previsão para o início desse tipo de atividade.

A Vila de São Sebastião ficou três meses sem funcionar e voltou no último dia 12, ainda em caráter experimental, porque faltam professores. A secretaria está ligando de aluno em aluno para avisar do retorno das atividades. A promessa é que a partir do próximo dia 1º as aulas voltem à normalidade. As vilas de Samambaia e do Parque da Vaquejada, em Ceilândia, não pararam e funcionam desde outubro de 2009 e dezembro de 2010, respectivamente.

As de Brazlândia, Santa Maria, Recanto das Emas, Gama e Riacho Fundo 1 foram entregues este ano. A única com perspectiva de inauguração é a do Gama. “Ela deve começar a funcionar em agosto. Para as outras, devemos montar um calendário no fim de agosto, mas ainda não temos datas definidas”, informou o secretário de Esporte e Lazer, Célio René Trindade. A do Cruzeiro não saiu do papel. As obras nem sequer iniciaram.

As cinco vilas prontas, mas ainda fechadas para a comunidade, estão sem serviços de manutenção, limpeza e segurança porque o orçamento anual não previu os gastos para contratação desses serviços. Sem os cuidados necessários, as unidades estão deteriorando com apenas dois meses de entrega da obra. Em Santa Maria, por exemplo, um carro invadiu as grades da cerca de proteção. Com isso, foram improvisados restos de madeira, fiação e concreto para tapar o buraco. No Gama, as pastilhas brancas da área externa dos vestiários estão pichadas. Já no Recanto das Emas, a situação é pior: o ginásio e a entrada principal também estão pichados, os vândalos arrancaram pedaços das grades de proteção, a quadra de areia está tomada de mato e os moradores queimam lixo ao redor da vila.

 Kleber Lima/CB/D.A Press
A vizinha da Vila de Brazlândia, Maria de Fátima Alves, 57 anos, conta que como não há vigia, os meninos pulam a cerca para usar a piscina. “Eles nadam aí por causa do calor”, conta. A dona de casa Eva Maria Custódia, 55, indigna-se todas as vezes que passa em frente à obra finalizada e vê crianças como David Willian da Silva, 6, e Michele Rodrigues, 5, pedirem para entrar no local. “Eu quero nadar”, diz a menina. “Eu estou doido para jogar futebol”, emenda David, animado. “Isso aqui está puro capim, juntando rato, cobra e malandro. O governo custa a fazer alguma coisa por Brazlândia, quando faz, deixa lacrado”, reclama Eva.

Na Estrutural, a obra ainda não foi entregue porque falta o vestiário. A piscina está com pouca água para não ressecar e há muito lixo ao redor da vila. A unidade é a mais cara das vilas olímpicas. Custou mais do dobro do previsto inicialmente, que era R$ 7,5 milhões. Até agora, R$ 16,72 milhões foram gastos na construção inacabada. A segunda mais onerosa é a de São Sebastião — R$ 12,66 milhões.

Mais verbas
De acordo com o secretário Célio René Trindade, a Lei Orçamentária Anual do DF não previu dinheiro para a manutenção, limpeza e segurança das vilas inauguradas este ano. Algumas são monitoradas pelos antigos vigilantes contratados pelas organizações sociais. “Só tinha recurso para a Vila de Samambaia, tivemos que ir ajustando para atender as outras vilas”, afirmou o secretário.

Segundo ele, a secretaria conseguiu dotação orçamentária para as vilas e deve começar a preparar o edital de contratação dos três serviços básicos. “Não podemos perder a estrutura, mas também temos que abrir as vilas para a comunidade com responsabilidade, ou seja, somente quando estiver com o projeto pronto”, diz o secretário. O edital deve demorar de 30 a 45 dias. Só então será aberta a licitação para a contratação das empresas e, até o serviço começar, as cinco vilas inauguradas continuarão abandonadas.

Projeto inicial
A ideia das vilas olímpicas surgiu em 2007. Cada complexo esportivo deveria ocupar uma área de 20 mil a 30 mil metros quadrados, com campo de futebol, piscina, pista de atletismo, quadra de tênis e ginásio coberto. Seriam 20 unidades entregues até 2009 e elas custariam R$ 100 milhões aos cofres do GDF. A infraestrutura de cada uma sairia por R$ 7,5 milhões. Até este ano, foram inauguradas três, entregues cinco e o GDF já gastou quase os R$ 100 milhões.

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