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Duas instituições com nota baixa podem ter graduações suspensas em 2012

No próximo ano, haverá congelamento de vagas em ambas as unidades

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postado em 19/11/2011 08:22 / atualizado em 19/11/2011 08:29

Manoela Alcântara , Paula Filizola

Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 13/2/2009
 

O mau desempenho na avaliação do Ministério da Educação, que leva em conta a nota do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2010, resultará em uma inspeção rigorosa de, pelo menos, 70 instituições de ensino superior nacionais. Em Brasília, duas correm o risco de terem graduações fechadas em 2012, devido às notas baixas em três anos consecutivos da avaliação. A Faculdade Alvorada e a Unieuro terão a última chance para se adequar e melhorar o Índice Geral de Cursos (IGC). Entre 2008 e 2010, elas tiraram notas 1 e 2 em uma avaliação que varia de 0 a 5 pontos. As duas terão vagas congeladas no próximo ano letivo.

Desde 2008, a Unieuro perdeu a autonomia de determinar a quantidade de vagas ou quais cursos seriam oferecidos. A Alvorada também terá postos suspensos, mas somente para o próximo ano letivo. “Em tese, toda instituição que não cumpra as metas pode ser descredenciada, sem prejuízo para os cursos com nota satisfatória”, explica o secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Luis Fernado Massonetto.

Segundo ele, tudo é feito com cautela, sem tirar a oportunidade de as instituições corrigirem as falhas. Os profissionais do MEC vão analisar a estrutura que elas oferecem, o investimento no corpo docente e a capacidade de melhorar os resultados. Em um primeiro momento, as vagas para novos alunos são reduzidas. Só neste ano, a UniEuro teve que diminuir o número de postos em alguns cursos: de 270, a oferta caiu para 190. O centro universitário já é reincidente, pois tirou média 2 nos últimos três anos.

De acordo com o especialista em educação e presidente do Instituto Alfa e Beto (IAB), João Batista Oliveira, o corte de vagas, por si só, não é uma medida inteligente. “Isso dá continuidade ao ensino de má qualidade e não é estímulo aos que conseguem boas notas. As melhores faculdades deveriam ser reconhecidas, mas os cursos ineficientes têm que ser suspensos.”

O secretário do MEC discorda e dá um exemplo da eficácia do método. Depois da inspeção do órgão na Uniplan, com sedes na Asa Sul e em Águas Claras, a faculdade melhorou o desempenho. Ela tirou notas baixas em 2008 e 2009, mas, em 2010, obteve nota 3. Segundo o ministério, a instituição saiu da zona de preocupação e, agora, a intenção é jogar duro com as outras duas para conseguir bons resultados.

O gerente de marketing da Faculdade Alvorada, Wagner Fechine, afirmou que trabalha para melhorar o desempenho. A intenção é qualificar docentes e rever atividades pedagógicas. Procurada pelo Correio, a UniEuro informou que todos os diretores estavam em viagem e não poderiam atender a reportagem.

Alunos despreparados
Para calcular o Índice Geral de Cursos (IGP) são avaliadas a nota dos estudantes no Enade, a estrutura da instituição e a qualidade do corpo docente. Em alguns casos, o desempenho dos alunos derrubou a média final das escolas. Em pelo menos três cursos da Alvorada, o rendimento foi pífio.

Segundo o consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) Célio da Cunha, a situação é preocupante. “São cursos da área da saúde, que lidam com a vida. A infraestrutura pedagógica e física reflete no ensino em sala de aula”, ressalta.

Números positivos
A Universidade de Brasília (UnB) foi uma das poucas instituições bem colocadas no Distrito Federal na avaliação feita pelo MEC. No ranking geral do país, se consideradas somente as universidades federais, a UnB ficou em 12º lugar, com 3,91 pontos. Entre as oito graduações avaliadas, nas áreas de saúde e de ciências agrárias, o melhor desempenho foi em nutrição. Dos 327 cursos analisados no Brasil, o da federal de Brasília ocupa o terceiro lugar, com conceito 4,56 no Enade.

Para os alunos, isso representa uma vitória. Thaíza Pascarelli, 22 anos, estudante do 4º semestre de nutrição, comemora. “Acredito que isso conte muito para o meu futuro.” Há cerca de dois anos, a jovem trocou o UniCeub pela UnB. Um dos motivos foi o baixo desempenho da instituição particular na avaliação do MEC, que este ano obteve conceito 2 no Enade. Na avaliação de Thaíza, o sucesso da UnB no Enade está relacionado ao corpo docente. “Eles barram qualquer problema de estrutura”, afirma.

Colaborou Grasielle Castro

Formação em análise

Segundo o Ministério da Educação, o objetivo do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) é avaliar o rendimento dos alunos com relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares dos cursos de graduação e o desenvolvimento de competências e habilidades necessárias ao aprofundamento da formação geral e profissional. Além disso, a prova mede o nível de atualização sobre a realidade brasileira e mundial.

Em 2004, ocorreu a primeira aplicação do exame, que é obrigatório para os alunos selecionados e condição indispensável para a emissão do diploma. O atual sistema substitui o antigo Provão, que avaliava anualmente todos os formandos de cursos universitários. Já o Enade leva em conta apenas uma amostragem de alunos iniciantes e concluintes de determinadas graduações.

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