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Roubado na maternidade, Pedrinho espera o nascimento do primeiro filho

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postado em 14/09/2012 09:27 / atualizado em 14/09/2012 10:35

Renato Alves

Daniel Ferreira/CB/D.A Press


Dez anos após reencontrar os pais, Pedrinho vai ter o primeiro filho. Roubado em uma maternidade da capital nas primeiras horas de vida, em 21 de janeiro de 1986, Pedro Júnior Rosalino Braule Pinto agora é um típico cidadão adulto de classe média brasiliense. Aos 26 anos, advogado, pós-graduado em direito, está casado desde novembro de 2011. Mora com a mulher, grávida de sete meses, em um apartamento da Asa Norte. Corre na rua, joga futebol com amigos e almoça com parentes aos domingos. Rotina que espera manter ao menos até meados de novembro, quando deve nascer João Pedro, seu rebento. E, por causa da criança, pensa em estabilidade, fazer concurso e virar funcionário público.

Pedrinho ainda tem vínculos com Goiânia, onde passou os primeiros 17 anos de sua vida. Costuma viajar de carro pelos 200km do trajeto da BR-060 que liga Brasília à capital goiana para rever os amigos e a família de criação. Visita inclusive Vilma Martins Costa, a mulher condenada por raptá-lo e registrá-lo como se filho legítimo dela fosse. Também considerada culpada pelo sequestro e o registro falso de uma recém-nascida em Goiânia, crime ocorrido em 1979, ela ganhou a liberdade condicional em agosto de 2008, após cumprir cinco dos 19 anos das penas inicialmente impostas pela Justiça.

Mas Pedrinho não fala de Vilma com os pais biológicos. Eles também não fazem questão. “Sabemos que ele vai à Goiânia, mas não perguntamos o que vai fazer lá nem com quem se encontra. Ele fala se quiser. Se esteve ou encontra com ela (Vilma), nunca nos contou, por opção. Criamos o Pedro assim, com muita liberdade”, diz Maria Auxiliadora Braule Pinto, a Lia, 59 anos. Ela e o marido, Jayro Tapajós, 60, agora curtem a tranquilidade da aposentadoria.

Segundo "milagre"

 Daniel Ferreira/CB/D.A Press
Diferentemente de uma década atrás, os verdadeiros pais de Pedrinho não têm mais a companhia constante dos quatro filhos nem de policiais e jornalistas. Em compensação, ganharam três netas. Todos da filha Cláudia, 31 anos, vindos após o reencontro com o filho levado da maternidade por uma falsa enfermeira, identificada anos depois como Vilma Martins. “Mas, com elas (as netas), não temos a mesma responsabilidade que tínhamos com os filhos”, ressalta Jayro, deixando claro que “na casa dos avós, os netos fazem o que querem”.

Como há 10 anos, Lia se dedica ao artesanato e à família. Já Jayro está aprendendo a conviver com o maior susto da vida, desde o sumiço do filho caçula. Jayro sofreu enfarto, um ano atrás. O sinal de alerta veio no primeiro tempo de uma partida de futebol entre amigos, em um clube do Lago Sul. No entanto, sentindo dores, ele continuou em campo até o fim do jogo, por volta do meio-dia. Foi para casa dirigindo. Somente às 19h, levado por Lia, deu entrada em um hospital. Sobreviveu por pouco. “Foi um segundo milagre em minha vida”, afirma ele. O primeiro foi a descoberta do paradeiro de Pedro.

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