Cidades

Policiais e manifestantes se confrontam em desocupação no Sol Nascente

Enquanto o BPChoque utiliza bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio para dispersar as pessoas, os manifestantes montaram barricadas e queimaram pneus para impedir a entrada de policiais e agentes de fiscalização

Ailim Cabral
postado em 02/03/2015 10:27

O Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) utiliza bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio para tentar dispersar os manifestantes

Mais de 600 policiais, entre militares e civis, dão auxílio à Agência de Fiscalização (Agefis) na nova fase de desocupação de áreas do Sol Nascente, iniciada por volta das 10h desta segunda-feira (2/3). Enquanto PMs utilizam bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio para dispersar as pessoas, os manifestantes montaram barricadas e queimaram pneus para impedir a entrada de policiais e agentes de fiscalização. Até o momento, 33 barracos de madeira e 10 de alvenaria foram derrubados.

[SAIBAMAIS] A superintendente de operações da Agefis, Patrícia Melasso, informou que as operações devem durar entre três e quatro dias, se for mantido o mesmo ritmo desta segunda. "O órgão deve derrubar, ao todo, 300 moradias irregulares", afirmou. Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Paz Social, 554 policiais militares, entre batalhões de diversas regiões, do BPChoque, do BPCães, da Patamo, da Rotam, entre outros; 25 agentes da Subsecretaria de Ordem Pública e Social (SOPS); e 45 agentes da Polícia Civil, além de uma equipe do Corpo de Bombeiros, foram deslocados para o local. A 15; Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro) é a responsável pelas ocorrências.

Até o momento, ninguém foi preso, mas um adolescente de 15 anos foi apreendido com 50 gramas de maconha. Ele foi encaminhado para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA II). Uma mulher de 36 anos que teve filho há oito dias e passou mal enquanto a polícia jogava bombas nos manifestantes e teve de ser atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Em nota, a Casa Civil do DF afirmou que as invasões foram construídas em Área de Preservação Permanente (APP) e devem ser derrubadas para que o GDF possa utilizar os R$ 41,5 milhões destinados pela Caixa Econômica Federal para obras de drenagem e pavimentação do Sol Nascente. "Sem a retirada das construções irregulares, os moradores de toda a região seriam prejudicados, pois não haveria como realizar as obras previstas em contrato", diz o texto.

Cerca de 554 policiais militares, 25 agentes da Subsecretaria de Ordem Pública e Social e 45 policiais civis estão no local, segundo a Secretaria de Segurança Pública e Paz Social


A derrubada dos barracos em Ceilândia é, segundo o governo, o primeiro passo para realizar obras de infraestrutura. Uma bacia de drenagem deve ser construída no local. Para isso, a Agefis tem de retirar as cerca de 400 famílias que hoje ocupam a área.

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No começo do mês, em 4 e 5 de fevereiro, as derrubadas tiveram início. Uma área marcada com o número 1 foi retirada. Os moradores de Nova Jerusalém, que ficam na "área 2", protestaram. Fecharam vias, montaram barricadas, atearam fogo em ônibus, fizeram coquetéis molotov e entraram em confronto com a polícia.

Em 9 de fevereiro, o protesto se estendeu ao Eixo Monumental. Os moradores tentaram, na ocasião, um encontro com representantes do GDF, mas deixaram o Palácio do Buriti sem uma resposta clara. Nesta segunda, novo fechamento da via e mais um encontro com o governo. Ainda assim, o terreno em Ceilândia deve ser desocupado.

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