Ação contra máfia das próteses no DF prende 12 pessoas; sete são médicos

Considera pela Polícia Civil e pelo Ministério Público como a maior investigação já realizada para apurar máfia contra a saúde, a Operação Mister Hyde também apreendeu R$ 100 mil e US$ 90 mil

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postado em 01/09/2016 14:28 / atualizado em 01/09/2016 14:33



Suspeitas de envolvimento no grande esquema que movimentou milhões de reais no Distrito Federal, 13 pessoas foram presas na Operação Mister Hyde, deflagrada nesta manhã de quinta-feira (1°/9). Sete deles são médicos e os demais funcionários de hospitais, de clínicas e da empresa que estava no centro do esquema, a TM Medical. É a maior investigação já realizada para apurar a máfia contra a saúde. O grupo criminoso enriquecia com a realização de cirurgias desnecessárias, superfaturamento de equipamentos, troca fraudulenta de próteses, além do uso de material vencido em pacientes. Estima-se que cerca de 60 pessoas foram lesadas, somente em 2016, por uma empresa.



Foram 13 mandados de prisão no total, sendo sete temporárias e cinco preventivas; 21 mandados de busca e apreensão; e quatro conduções coercitivas, quando a pessoa é levada para depor. Foram apreendidos R$ 100 mil e US$ 90 mil. Entre os presos estão o dono da empresa TM Medical e líder do esquema, John Wesley e um sócio da empresa, identificado como Micael Bezerra Alves. Uma condução coercitiva é contra o diretor do Hospital Home, Cícero Henrique Dantas Neto. O médico dono de uma clínica no Setor Hospitalar Sul, Rogério Damasceno, um dos mais atuantes do esquema, foi preso temporariamente.

De acordo com a Polícia Civil, as investigações começaram no ano passado, por meio de uma denúncia na internet, feita por um instrumentador cirúrgico. Segundo o delegado-chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DECO), Luiz Henrique Dourado, os golpes começavam pela identificação de um paciente que fosse um “projeto econômico”, ou seja, um alvo para a realização dos procedimentos médicos desnecessários. O hospital entrava em contato com a empresa de venda de próteses e órteses, momento em que o médico alinhava com os funcionários o material que deveria ser incluído no procedimento cirúrgico e também as recompensas financeiras que receberiam pela “indicação” do material, além de superfaturarem os preços. As gratificações eram pagas em dinheiro e por ‘mimos’, como viagens, segundo a operação.

A propina recebida pelos médicos era proporcional à quantidade de material que o médico inseria em cada cirurgia. “Inclusive, a empresa chegava a indicar ao médico a inclusão de material cirúrgico. Ou seja, não é a necessidade do paciente que prevalece e sim o interesse econômico”, afirmou o delegado Luiz Henrique Dourado.

Com a participação de funcionários de clínicas médicas e hospitais, o material era encaminhado à unidade médica, quando então eram criadas condições para facilitar que aquela empresa com a qual o médico fez o acordo ganhasse uma espécie de licitação – já que os planos de saúde exigem que três empresas sejam definidas. Cada pessoa que atuava no esquema fraudulento recebia um “pagamento”, de acordo com a participação em cada etapa do processo. Em caso de negativa do plano de saúde, os investigados faziam diversos relatórios para justificar o procedimento e o uso das próteses e órteses indicadas para forçar a aprovação.

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Crime contra a saúde
De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a operação de hoje teve dois objetivos: o primeiro é evitar a continuidade da ação criminosa dentro das unidades de saúde; o segundo era a coleta de material que pudesse comprovar a existência da quadrilha organizada e ampliar a investigação. Os envolvidos vão responder à Justiça pelos crimes de organização criminosa, crimes contra a saúde pública e estelionato. No entanto, as investigações prosseguem para apurar crimes de lavagem de dinheiro. As penas somadas ultrapassam ao menos 40 anos de prisão para cada um.



O MP considera como grave as condutas praticadas. Na investigação foram identificados vários casos de uso de próteses fora do prazo de validade e a simulação de uma venda como se fosse equipamento importado e, no momento da cirurgia, havia a troca e utilização de equipamento nacional. O órgão destaca que a expectativa é de que, nos próximos dias, após a oferta da denúncia, o Conselho Regional de Medicina (CRM) seja comunicado e tome as devidas providências. Entre as medidas punitivas, está inclusive o afastamento dos profissionais envolvidos.

Com informações de Ana Maria Campos
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Eduardo
Eduardo - 02 de Setembro às 08:31
Monstros psicopatas! Espero que o correio brasiliense não censure a justa manifestação de indignação e revolta, pois em Brasília impera a lei do silêncio, todos calados e submissos à lógica do poder, aos desmandos, ao absurdo. O importante é ser um cidadão exemplar, educado, equilibrado, que mantém a postura de distanciamento racional da realidade, um cidadão-modelo, submisso e enquadrado.
 
Leonardo
Leonardo - 01 de Setembro às 18:19
Esta ai uma classe que só pensa em dinheiro e dinheiro !!
 
gustavo
gustavo - 01 de Setembro às 17:51
Rapaz esse país nosso não tem mais jeito. Um médico estuda tanto tempo e se submete a lesar seus pacientes e o Estado. Vc passa a não acreditar mais em nada......