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Correio Braziliense

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Pais transformam dor da perda de um filho em solidariedade

Eles viram o filho de 4 anos perder a vida para a leucemia e usaram o sofrimento para ajudar outras crianças na batalha contra o câncer

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postado em 12/10/2016 09:41

Antônio Cunha/CB/D.A press
O médico Ricardo Ibiapina sofreu a dor de perder um filho há dois anos. O pequeno Daniel teve o diagnóstico de leucemia aos 11 meses de idade e lutou contra a doença até os 4 anos. Apesar de todo o sofrimento pela perda, ele deixou muito aprendizado para a família. Ricardo relata que depois de viver uma sensação de “amputação”, ele e a mulher, Carina Ibiapina, que também é médica, decidiram visitar a Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias, a Abrace. Lá, presenciaram pessoas carentes que tinham a mesma doença que levou o filho, mas com a estrutura totalmente diferente da que Daniel teve oportunidade de usufruir.

Após conhecer o espaço e as histórias dos pacientes, o casal recebeu a informação de que a instituição recebia diversas doações, mas, entre elas, um produto caro, porém muito importante, era pouco lembrado: as latas de complemento alimentar infantil, como Sustagen Kids, Sustare e Sustain. As crianças submetidas à quimioterapia costumam ficar sem apetite, e a maioria só conseguem tomar esses suplementos. Surgiu, então, a ideia de arrecadar o máximo da mercadoria possível. E deu certo. Dias depois da morte de Daniel, em 2014, Ricardo e Carina iniciaram uma campanha, na qual esperavam conseguir mil latas do produto. No final, arrecadaram mais de 6 mil — o suficiente para suprir a demanda por dois anos.

Acabado o estoque, o casal decidiu retomar novamente a campanha, que pretende reunir cerca de 3 mil latas de suplemento para manter as crianças abastecidas por pelo menos mais um ano. O fato de a ação ocorrer sempre no mês outubro tem uma razão especial. Daniel fazia aniversário no dia 31. “Era uma data de muita vitória e comemoração. A cada ano que ele completava, celebrávamos muito. E o meu filho mais velho, Gustavo, de 9 anos, faz aniversário em 25 de outubro. Então, eram momentos de muita festa e alegria, que lembramos sempre”, conta Ricardo. O médico e toda a família encaram a campanha como uma homenagem a Dan, como era carinhosamente chamado. “Ele teve uma passagem curta por aqui, mas deixou uma mensagem de amor muito bonita para todos nós. Daniel foi só alegria, ele poderia ter partido logo no início da doença, mas ficou conosco. E olha o que ele nos fez. Por meio da dor, ajudamos outras crianças” destaca.

Retorno

Há 30 anos, a Abrace presta assistência social a crianças e adolescentes com câncer e hemopatias, além das famílias. A instituição contribuiu para que a cura aumentasse de 50% para 70% e para reverter o índice de abandono do tratamento de 28% para zero. Isso a partir da criação da Casa de Apoio, que hospeda pacientes — com os acompanhantes — que vêm de outros estados em busca do tratamento no Distrito Federal. “É um exemplo legal ajudar outras pessoas que têm uma doença tão difícil e que, às vezes, não contam com nenhum amparo. Quando fizemos a campanha pela primeira vez, ela nos ajudou um pouco a superar aquele mês de saudade ao ver que estávamos fazendo algo pelo próximo” confessa Ricardo.

O pai de Daniel acredita que, este ano, o alcance da campanha pode até ser maior devido ao aumento dos meios de comunicação. Mas ele relata que, às vezes, o interesse é grande, mas o comprometimento é pequeno. “Muita gente fica sabendo e compartilha. E tem  quem não leve a sério o que estamos fazendo. Mas quero dizer que nosso trabalho é sério. Da outra vez, deu tão certo que conseguiram doar para crianças com outras doenças. E isso é muito bacana”, comenta. Até o momento, foram doadas aproximadamente 430 latas de complemento alimentar. Há um pôster que circula na internet com todas as informações necessárias. O modelo é Miguel, 3 anos, o filho caçula de Ricardo e Carina. “Se Deus existe, Ele nos enviou nosso pequeno para suportar a tristeza. Ele é muito parecido com o Daniel”, comenta.

Ricardo admite que se envolver nessa causa é uma tentativa de trabalhar o luto. “No primeiro ano, foi muito difícil. Essa é uma forma de lembrar dele. Por trás de tudo, há o sofrimento, o choro, a febre, a agonia do resultado do exame de sangue para saber se a leucemia tinha voltado... Não é essa, porém, a lembrança que fica, porque a doença é muito triste, mas ele era uma criança muito feliz e amável”, alega.

Quer ajudar?

As doações podem ser feitas até 31 de outubro, em quatro endereços:
» Quadra 212 Norte, na portaria do Bloco I,
» Nas quadras 301 e 303 do Sudoeste, na portaria do Bloco I
» Clínica Materno Infantil de Sobradinho, na Quadra 1, Sobreloja

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