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Barragem do Descoberto fica abaixo dos 30% pela primeira vez na história

O nível de água do reservatório caiu para 29,37%, o que aumenta a possibilidade de cobrança de tarifa mais cara na conta do consumidor. Chuvas estão previstas para a próxima semana

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postado em 14/10/2016 06:05

Roberta Pinheiro - Especial para o Correio , Flávia Maia

Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press
 
 
Para agravar ainda mais o cenário da crise hídrica do DF, a Barragem do Descoberto atingiu o nível mais baixo da existência. Um dos principais mananciais que atende a região fica, pela primeira vez, abaixo de 30%. Segundo medições da Agência Reguladora de Água do Distrito Federal (Adasa), o nível está em 29,37%, e a expectativa do órgão é que, se o consumo continuar como está e não houver precipitações como previsto, em torno de duas a três semanas comece a vigorar a Tarifa de Contingência, que aumentará a conta de água em até 40%. O custo a mais na fatura visa evitar o racionamento.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não há previsão para chuvas a curto prazo, o que exigirá mais economia do consumidor. A tendência é que, a partir de 20 de outubro, possa haver precipitações isoladas, entretanto, as chuvas de maior volume — essenciais para o abastecimento dos reservatórios — chegam apenas em novembro. “A estação passada foi atípica devido ao forte El Niño, que aconteceu na estação chuvosa passada, entre setembro de 2015 e maio de 2016. Choveu menos do que o normal e foi mais seco. Agora, estamos colhendo os frutos e, para se recompor, levará um certo tempo”, explica o meteorologista Mamedes Melo.

Há 30 anos, o agricultor Geraldino Galvão, 69 anos, vive em uma chácara perto da Barragem do Descoberto (leia Para saber mais). Planta verduras em geral e, para a irrigação, usa água do condomínio. “Mas, nos últimos meses temos passado um sufoco danado. Passamos a irrigar um dia sim, um dia não. O nível do reservatório está muito baixo. Não perdi mais plantação porque parei de plantar para não perder”, conta. Segundo ele, essa é a realidade de outros agricultores que optaram por diminuir o cultivo para economizar água.

Medidas
Sem as chuvas, os órgãos ambientais trabalham com a gestão do recurso e na conscientização da população. Entre as medidas, orienta-se, por exemplo, o fechamento de canais agrícolas para irrigação, com obras para evitar perda e a cobrança futura de taxa para quem consumir mais de 10 mil litros. “Já existe uma data prevista para a tarifa. Contudo, se o consumo diminuir e as chuvas aumentarem, ela pode durar pouco tempo. O racionamento é algo mais distante e envolve outros fatores. A ideia é que a taxa exerça o papel de diminuir os níveis de consumo, o que é um benefício para o usuário, pois vai melhorar os hábitos de consumo, e evita o racionamento”, explica o regulador de serviços públicos da Adasa, Leandro Oliveira.

As normas da cobrança adicional foram publicadas na última segunda-feira no Diário Oficial do DF. A taxa será cobrada para as residências que ultrapassarem o consumo mensal de 10 mil litros. O valor adicional virá discriminado no boleto a ser pago, em modelo similar às bandeiras tarifárias da energia elétrica. O dinheiro arrecadado pela Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) será destinado para uma conta, e a quantia só poderá ser usada para investimentos ou custos relacionados à crise hídrica.

O presidente da Caesb, Maurício Luduvice, disse que houve queda no consumo nas zonas rural e urbana. A parceria com a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural e a Adasa ajudam a diminuir os gastos da irrigação nas chácaras próximas à Barragem do Descoberto. “Nas últimas quatro semanas, a produção de água no reservatório reduziu de 5% a 6%. Também temos observado que a velocidade de queda do nível da água caiu”, comenta. Tanto a Caesb quanto a Adasa sentiram um pouco da economia da população e ressaltam a importância dessa apoio para contornar a crise hídrica. No entanto, a contenção ainda é insuficiente por causa da chuva. “Esperamos que as precipitações venham com constância, e os dias sejam nublados para que a água não evapore”, complementa.
 
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