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Correio Braziliense

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Feira de troca e venda na Asa Norte estimula o desapego

Roupas, sapatos, cosméticos, artesanato, entre outros, são expostos no pilotis de um dos prédios da quadra. Ideia é realizar um encontro por mês

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postado em 16/10/2016 07:00

Otávio Augusto

Minervino Junior


Brasília abraça iniciativas nos parques, nos gramados e nos pilotis — criados em favor da livre circulação de todos. Nesse cenário, as crianças correm, os jovens conversam e os adultos leem. Na 113 Norte, moradores realizam uma feira de troca e venda. Na manhã de ontem, havia cerca de 20 bancas no bloco F. Roupas, sapatos, cosméticos, artigos de decoração, artesanato, entre outros itens, vendidos por preços populares.

A regra é tirar do armário o que não usa e descer do bloco. “Se a roupa está guardada há mais de seis meses, a gente não vai vestir”, ressaltou a dona de casa Rosane Morela, 47 anos. Ela é uma das idealizadoras do evento. A intenção é que a feira ganhe os pilotis mensalmente. “A socialização entre os moradores é positiva. As pessoas compram, fazem e vendem produtos circularem”, completou.

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Seis bancas da edição eram de moradores de outras quadras. O negócio tem se tornado lucrativo e movimentado grande volume de dinheiro. A cabeleireira Sirleide Gomes, 37 anos, deixou a profissão para viver do brechó itinerante — ela circula com as malas por endereços das asas Sul e Norte. Pouca coisa sobrou nas três araras que ela levou ontem. “As pessoas ligam pedindo produtos e perguntando se vou vir. Criei um grupo no Whatsapp para manter o contato”, contou a moradora da 103 Norte.

O sol forte de meio-dia não desanimou alguns rapazes que jogavam futebol na quadra perto do pilotis do Bloco F, quando a técnica em radiologia Silmara Xavier, 45, desceu com as panelas de comida. O cardápio de sábado contou com arroz branco, salada, purê de batata-inglesa e bolo de carne. “Começou como uma brincadeira. Hoje, vendo ao menos 12 pratos em toda edição”, frisou. As panelas vazias não a deixam no apartamento. “Quando a comida acaba, desço com roupas e monto meu bazar. Às vezes, sirvo pizza no fim do dia.”

Cidade de todos
O Relatório do Plano Piloto de Brasília, do arquiteto e urbanista Lucio Costa, recomenda o uso livre do pilotis. “O chão passa, por conseguinte, a ser de uso comum, onde a liberdade de ir e vir dentro do espaço formado pela superquadra”, frisa o documento. Em outras palavras, os moradores não são donos de um terreno. Eles passam a deter, apenas, a concessão de uso de um espaço “aéreo” sobre uma área de uso comum. O pilotis foi utilizado com a intenção não apenas de proporcionar visibilidade, mas o da permeabilidade, viabilizando a passagem dos pedestres. O seu uso, portanto, deixa explícita a pretensão de que a cidade pertenceria a todos.

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