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Avanço da dengue no Distrito Federal preocupa o governo

Número crescente de casos de doenças transmitidas pelo Aedes leva o GDF a antecipar as ações para 2017, incluindo mais verba. Confira o programa de prevenção que vai ser anunciado hoje

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postado em 17/10/2016 06:00

Otávio Augusto

Daniel Alves/CB/D.A Press


A celeuma provocada pelas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti obrigou o Executivo local a antecipar as ações de controle do mosquito e a planejar melhor os gastos com a prevenção. Entre fevereiro e março — período com maior número de infectados — a Secretaria de Saúde enfrentou dificuldades para manter estoques de inseticidas e materiais básicos de trabalho dos agentes epidemiológicos. A pasta gastou, até outubro, R$ 4 milhões com o serviço. Para o ano que vem, a receita será de R$ 5,4 milhões, adiantou a Subsecretaria de Vigilância à Saúde ao Correio. Hoje, a pasta anuncia o cronograma de atividades. Elas começam na primeira semana de novembro. Cerca de 3 mil pessoas estarão envolvidas. Até a última segunda-feira, Brasília registrou 82 infecções de dengue por dia. Ao longo do ano, 23.228 pessoas contraíram a doença, sendo que 38 tiveram dengue hemorrágica e 20 morreram. Comparados ao mesmo período de 2015, os casos aumentaram 104%.

Desde 2015, o DF enfrenta dificuldades financeiras no combate ao Aedes. Naquele ano, por exemplo, o GDF teve que remanejar orçamento para a compra de medicamentos de combate. A Secretaria de Saúde se tornou alvo de críticas por executar menos recursos que o previsto para o setor (leia Memória). Agora, garante o subsecretário de Vigilância à Saúde, Tiago Coelho, a pasta está com estoques de inseticidas e de outros insumos, o suficiente para até julho de 2017. “Essa diferença (entre o dinheiro previsto e o realmente executado) acontece porque existe um atraso entre o planejamento e a compra. As questões assistenciais (remédios, leitos) acabam se sobrepondo às medidas de prevenção”, argumenta.

Os recursos aplicados na campanha de controle do Aedes vêm em grande parte do Ministério da Saúde, com destinação restrita ao serviço. Na sexta-feira, Tiago Coelho detalhou como será feita a divisão para o próximo ano. A ideia é que R$ 19,2 milhões sejam repartidos entre cinco áreas, entre elas as vigilâncias Sanitária, Epidemiológica, Ambiental, além do Laboratório Central (Lacen). Dessa receita, 28,32% são para a vigilância ambiental, que planeja e realiza o combate ao mosquito. “Não vamos correr o risco de ter um desabastecimento e de enfrentar problemas como esse ano”, afirma Tiago.

Alerta
O que vai nortear o calendário das ações de combate ao Aedes é o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), realizado na última semana de setembro. Três regiões administrativas estão em estado de alerta: Lago Norte, no Lago Sul e na Asa Norte. Nessas regiões, o índice de 1,3% de infestação está acima do nível considerado seguro pelo Ministério da Saúde. “A gente antecipou em um mês as ações. A grande diferença é o monitoramento de três variáveis: as doenças (casos nas cidades), o número de mosquitos (infestação) e os tipos de foco em cada cidade”, explica Tiago.

A expectativa da Secretaria de Saúde é que no próximo ano a chicungunha e o zika deixem um grande número de pessoas doentes. O mosquito elevou os índices dessas infecções em 2016: a zika, que acometeu 194 pessoas — das quais 38 gestantes — e a chicungunha, com outros 162 casos. “A expectativa é que não tenhamos a mesma quantidade de casos no DF. Os casos de dengue vão ser menores. Estamos em alerta para a chicungunha e a zika o número de novos infectados a trilhar”, avalia Tiago.

Inovação
Na sexta-feira, o subsecretário de Vigilância à Saúde contabilizava o arsenal de combate ao Aedes. Serão utilizados na campanha 41 carros fumacê, 27 bombas manuais de veneno. Além disso, há no estoque 300 litros de biolarvicida e 3 mil cápsulas de veneno. Seis equipes especiais — em média, 6 pessoas — farão o controle nas áreas mais preocupantes. “Nosso planejamento será atualizado de acordo com as necessidades do DF.”

O presidente do Comitê Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Antônio Bandeira, cobra inovação nos métodos de combate. “É preciso implementar novas tecnologias de controle vetorial. Jogar fumacê em todo o DF não adianta. O governo insiste nas mesmas técnicas esperando resultados diferentes”, critica.

Contingente
A cada semana, oito cidades passarão pelo combate. O cronograma da Secretaria de Saúde conta com 2 mil agentes comunitários de Saúde, 546 agentes de Vigilância Ambiental em Saúde, 220 homens das Forças Armadas, 40 bombeiros, além do reforço de servidores do SLU, da Novacap e das administrações.

Monitoramento
As taxas inferiores a 1% são satisfatórias; de 1% a 3,9% estão em situação de alerta; e superior a 4% há risco de surto de doenças transmitidas pelo Aedes, segundo parâmetros do Ministério da Saúde.

Memória
Pouco investimento
Em meio a um surto de dengue, a Secretaria de Saúde gastou, no ano passado, só 44% do orçamento previsto para ações de vigilância em saúde, que incluem o combate ao mosquito Aedes aegypti. Dos R$ 15,79 milhões destinados no orçamento para ações contra o mosquito, foram usados R$ 6,98 milhões – 44% do total. Do valor no orçamento, a secretaria empenhou R$ 15,01 milhões. Na prática, significa que a pasta reservou em 2015 esse valor exclusivamente para ações de luta ao mosquito que transmite a dengue, a chikungunya e o vírus da zika – ligado à microcefalia – mas os gastos efetivos não chegaram a R$ 7 milhões. Entre janeiro de 2015 e o fim de fevereiro, a pasta gastou somente 5,2% dos quase R$ 2,9 milhões repassados pela União especificamente para ações de combate à dengue, segundo relatório do Ministério da Transparência. Para cobrar condições de trabalho, em maio passado, agentes epidemiológicos fizeram greve de 15 dias.

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