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Taxa extra da água pode entrar em vigor no sábado; energia sobe 4,61%

Conta de energia já tem aumento autorizado. Reservatório do Descoberto continua a baixar e deverá atingir os 25% no fim de semana, levando as famílias que consomem mais de 10 mil litros a pagarem tarifa por tempo indeterminado

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postado em 19/10/2016 06:00 / atualizado em 19/10/2016 12:20

Camila Costa , Thiago Soares

 

 

A próxima semana promete pesar no bolso de parte dos brasilienses. Estão previstos aumentos nas contas de energia e de água — para as famílias que consumirem mais de 10 mil litros. A cobrança da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) ainda dependerá de o índice dos reservatórios alcançar o limite de 25% do volume útil de água, o que poderá acontecer entre sábado (22) e segunda-feira (24). Já a conta de energia elétrica terá acréscimo de 4,61%. O aumento foi aprovado, na tarde desta terça-feira (18), pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e começa a valer a partir de sábado.

A previsão feita pela Caesb para o início do que chama de Taxa de Contingência depende de dois fatores: chuva e economia de água. No entanto,  sem grandes precipitações e com baixa gradativa do volume dos reservatórios, o limite será atingido até segunda-feira. Ontem, a Barragem do Descoberto bateu 26,82% e a de Santa Maria, 44%. Ao marcar os 25%, o acréscimo na conta dependerá da data de medição de cada casa ou comércio. A taxa então deverá ser cobrada a partir do boleto de dezembro.


Segundo o presidente da Caesb, Maurício Luduvice, não haverá antecipação de conta. “Será respeitada a data de leitura de cada hidrômetro, se vier a acontecer. A leitura será referente a novembro”, explica Luduvice. Desde que a companhia deu início às campanhas de mobilização para o uso racional da água, o consumo micromedido caiu 4%. “Isso é algo interessante, observado entre agosto e setembro. Acreditamos que pode ser ainda maior agora, porque tem uma defasagem de 30 a 60 dias. Isso reflete uma mudança de comportamento no consumo das pessoas. É importante que continuem, inclusive, em hábitos simples, como o tempo de banho e a postura em lavar louça, por exemplo”, afirma o presidente da Caesb.

Uma vez efetivada, a Taxa de Contingência só será revogada após uma nova resolução da Agência Reguladora de Águas,  Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa) excluindo a cobrança extra. Isso dependerá de uma análise técnica da agência, que avaliará quando o índice registrado nos reservatórios será seguro para o abastecimento de água do DF. “Não podemos estabelecer um percentual, dizer que, se chegar a 40%, tiraremos a cobrança. Uma série de fatores contribui para essa decisão. A medida é temporária, no entanto não temos como determinar um prazo final para ela”, diz Cássio Leandro Cossenzo, coordenador de estudos econômicos da Adasa.

A assessoria da agência reforçou ainda que nem todo usuário do serviço de abastecimento hídrico está sujeito à tarifa de contingência. “Conforme histórico de consumo, aproximadamente 45% dos clientes da Caesb, ou seja, cerca de 450 mil unidades usuárias, enquadram-se no perfil”, disse, em nota. E ressalta que há isenções, além das famílias que consumirem menos de 10 mil litros, para a taxa (leia Tira-dúvidas). “A Adasa não tem a pretensão de estimular o morador do DF a adotar padrão de consumo inferior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 110 litros de água, por pessoa, por dia. Foi a meta de economia, de 15%, que definiu o percentual da majoração temporária. E esse patamar usa como base experiência que órgãos de São Paulo e Minas Gerais vivenciaram em situação semelhante, de escassez hídrica”, conclui.


Arrocho
A possibilidade de pagar mais pela água faz com que os usuários se preocupem com as próximas contas. A cabeleireira Iolanda Soares, 51 anos, é dona de um salão de beleza no Riacho Fundo. “No salão, é complicado economizar porque fazemos o uso de água para lavar o cabelo das clientes, por exemplo, e isso aumenta ainda mais com a aplicação de produtos. Já em casa é diferente. Eu procuro sempre reutilizar a água. Aquela que é usada na máquina de lavar, por exemplo, é utilizada também para lavar o quintal ou até mesmo na descarga”, comentou.

Iolanda também lembrou sobre a tarifa empregada pelas empresas de energia. “Quando chegou à faixa vermelha, percebi que estava pagando bem mais caro do que o normal. Com a tarifa extra da água, também tenho receio de apertar no bolso. É preciso que as pessoas se conscientizem para não ficar pior”, resumiu a cabeleireira.

A agente de saúde Margareth Gomes Ferreira, 51, está preocupada com as taxas. “Parece que as pessoas ainda não acordaram para a realidade. Ainda é possível ver algumas desperdiçando água, jogando, principalmente, nas calçadas. A situação é bem grave”, disse. Na casa dela, o banho dos três integrantes da família passou a ser controlado. “É somente o tempo necessário. Na hora de escovar os dentes, a torneira é mantida fechada para evitar desperdícios”, detalha.

Reajuste menor

Ao todo, 1,024 milhão de unidades do Distrito Federal terão as contas de energia elétrica reajustadas. Mais de 90% delas são de residências e comércios. A cobrança maior virá na fatura de novembro. Para a composição dela, a Companhia Energética de Brasília (CEB) mesclará os dias com e sem aumento. Por exemplo, se a medição ocorre no dia 25, o consumidor pagará três dias de acréscimo.

A Revisão Tarifária Periódica é feita de cinco em cinco anos, como prevê acordo assinado em dezembro do ano passado. De acordo com a CEB, o objetivo é “analisar o equilíbrio econômico-financeiro da concessão com base nos custos, investimentos e ganhos de produtividade da empresa”.

O reajuste deste ano é menor que o de exercícios anteriores. Em 2015, o consumidor teve acréscimo de 18,36%, na tarifa ordinária, mais 24,1%, na extraordinária, em um total de 46,88% de aumento. Segundo a CEB, uma das explicações para o índice mais baixo é a inclusão das bandeiras tarifárias, o que contribuiu para diluir o aumento ao longo dos meses. (Colaborou Flávia Maia)

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Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Alvaro
Alvaro - 19 de Outubro às 13:16
Passei na ponte do Bragueto hoje e o lago tá cheio!!!!! Ta faltando em outro lago , ou ......tá faltando uma ligação com os que tem aguá?????? Vai entender!!!!! ESSE AUMENTO NÃO TEM LÓGICA!
 
San
San - 19 de Outubro às 11:39
Isso se chama incompetência! Não têm uma única solução para melhorar ou amenizar a crise, qual a saída? Bota os consumidores pra pagar o pato! E dá-lhe arrocho!! Lembrando que as pessoas geralmente não fazem a sua parte também que é cuidar e valorizar esse escasso bem, a água. No meu caso, que economizo ao máximo e cuido para não desperdiçar, cabe pagar pelos pecadores, tanto do governo e sua sanha de arrecadar, quanto pelos mau consumidores. Brasilsilsilsil!!
 
josé
josé - 19 de Outubro às 11:23
O problema desse governo é fazer caixa mesmo. Se vão cobrar a multa quando o volume de água atingir 25% nos reservatórios então,o mais justo é, ao subir novamente para os limites superiores ao informado, automaticamente suspende a multa aos consumidores. Agora vem com essa que, adotando a multa, não há data para retirá-la, é demais. Temos que repensar em quem votar nas próximas eleições.
 
Manoel
Manoel - 19 de Outubro às 11:02
O governador é ligeiro na cobrança de taxa. mas não tem a mesma ligeireza, para cumprir dentro da lei como a lei de doações de cadeiras de roda motorizada, cade o dinheiro da s cadeiras, senhor governador.?

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