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Adolescentes grávidas no DF têm se tornado cada vez mais comum

Para evitar as gestações de meninas que vivem essa fase da vida, há programas que acolhem e orientam jovens de pouca idade

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postado em 19/10/2016 06:10

Minervino Junior/CB/D.A Press
 

 

Aluna do 3° ano do ensino médio, Edelynn da Silva, 18 anos, já tinha uma lista de objetivos traçados: terminar o colégio este ano; entrar na faculdade no próximo; e, ao se formar, ser aprovada em um bom concurso público, para, só depois, casar e ter filhos. Porém, há cinco meses, o mundo da jovem virou de pernas para o ar ao descobrir que estava grávida. “A primeira coisa que pensei foi que a minha vida tinha acabado. E foi isso que ouvi de muita gente próxima, que um descuido definiu o meu destino”, conta. Segundo dados da Secretaria de Saúde, 5.589 jovens, de até 19 anos, foram mães no Distrito Federal em 2015. Mulheres que, assim como Edelynn, estão reescrevendo os planos para provar ao mundo que a gravidez na adolescência não é um veredito.


Com apenas 1,49m de altura, o maior medo de Edelynn é em relação ao parto. “Ouvimos muitas histórias. Mães que morrem porque não conseguem dar à luz, por diferentes complicações.  Tenho medo de não suportar um parto normal e de não conseguir uma cesárea na rede pública.” Moradora de Ceilândia, a jovem vive com a mãe, com quem nunca conseguiu conversar sobre as mudanças que a adolescência traz. “Somos de épocas diferentes, não tinha abertura para tentar falar sobre métodos preventivos. Até tentei ir ao hospital para começar a tomar anticoncepcional, mas, por ser menor de idade, precisava da presença de um responsável.”


Devido ao alto número de casos de gravidez na adolescência no começo dos anos 2000 — foram 9.505 partos feitos em mulheres com até 19 anos, o que representa cerca de 19,5% do total de nascimentos no DF, de acordo com a Secretaria de Saúde —, programas sociais foram criados para levar, ao ambiente escolar, o debate sobre sexualidade e mudanças no corpo dos jovens. Um deles é o Saúde nas Escolas, implementado em conjunto pelas Secretarias de Saúde e de Educação, que determina a visita às escolas de uma equipe de unidade básica de saúde da região. Na ocasião, são ministradas atividades sobre saúde bucal, alimentação, prevenção ao consumo de drogas, além de educação sexual. É a oportunidade de os alunos aprenderem sobre sexualidade na adolescência, prevenção de doenças e gravidez inesperada.


A diretora de Saúde e Assistência ao Estudante da Secretaria de Educação, Eliene Lopes, conta que 168 escolas do DF participam do programa, mas que nem sempre os pais ficam satisfeitos com a ideia de os filhos terem acesso a esse tipo de informação. “Quando um projeto lida com sexualidade e adolescência, sabemos que pode enfrentar represálias. Alguns pais simplesmente não querem que os filhos tenham contato com esse tipo de conteúdo, e temos que aceitar a decisão familiar”, lamenta.
Responsabilidades

Outra dificuldade comum que enfrentam as jovens mães é conciliar a gravidez com as aulas. “Temos diversos casos de alunas grávidas e sempre as orientamos a entrar em contato com a secretaria da escola. Em hipótese alguma, a jovem deve pensar em abandonar o colégio”, explica Eliene. Esse era um dos temores de Thaís Souza, 18, que, no ano passado, quando estava no 2º ano do ensino médio, descobriu a gravidez. Daquele dia, a garota se recorda bem. “Minha menstruação estava atrasada. Fui à farmácia comprar acetona, daí decidi fazer o teste por curiosidade. Saiu o resultado e fiquei em dúvida.

 

Mostrei para uma farmacêutica, que me contou que eu estava grávida. Tudo girou ao meu redor, e as primeiras coisas em que pensei foram como eu terminaria os estudos e o que meu pai acharia de mim.”
Um ano depois, a adolescente exibe nos braços a pequena Alice Souza, de 4 meses. As preocupações foram deixadas para trás. O avô, que no começo não reagiu tão bem à notícia, hoje não se cansa de mimar a netinha. Os estudos não foram interrompidos. Thaís está no 3° ano e vai para a escola no turno da noite. “Tive muitas dúvidas, mas, aos poucos, percebi que não era um beco sem saída. Tive ajuda e consegui a orientação necessária para me preparar para a fase que enfrentaria.”


Essa orientação foi encontrada no projeto E agora, mãe?, criado em 2012, resultado de uma parceria entre o Iesb de Ceilândia e o Centro Salesiano do Menor (Cesam). Atualmente, 27 adolescentes gestantes de baixa renda participam do projeto e recebem gratuitamente orientação de alunos dos cursos de enfermagem, serviço social, nutrição, psicologia e direito. “No Cesam, atendemos cerca de 1,3 mil jovens e começamos a perceber que muitas delas engravidavam cedo. Eram meninas que apresentavam problemas de autoestima, que não contavam que estavam gestantes até ser visível, não sabiam como cuidar de um bebê e tinham muitos medos em relação às mudanças que a gravidez traria”, explica Tatiana Gomes, gerente socioeducativa do Cesam.

 

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Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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filomena
filomena - 19 de Outubro às 19:58
as escolas precisam e' doutrinar essas jovems para se absterem de sexo antes de uma vida segura. Precisam fechar as pernas. Sera' que pensam que os filhos sem pai vao gostar da situacao! Vao olhar a estatisticas de jovems criminais, a maioria e' filho de mae solteira.
 
Edison
Edison - 19 de Outubro às 14:00
Será que continuamos tão ignorantes! Ou melhor, evoluímos pois nossos índices aumentaram. Será que vai gerar aumento de bocas para o Bolsa Família! Então dá para dizer que seremos sempre pobres. Quantas destas adolescentes conseguirão constituir família?