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Antes de palestra na Bienal do Livro, Ziraldo visita a redação do Correio

Escritor fez arte e falou sobre a importância da leitura na formação das crianças e a reforma do ensino médio

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postado em 22/10/2016 08:00 / atualizado em 22/10/2016 00:42

Severino Francisco

André Violatti/Esp. CB/D.A Press
 

 

Na tarde de ontem, a redação do Correio esteve agitada. Não era nenhum ator da Rede Globo; era o escritor, chargista e quadrinista Ziraldo, o autor de Flicts, Menino Maluquinho, Turma do Pererê, entre outros personagens célebres. O que se reverenciava era o talento, o humor e a inteligência. Ziraldo deu autógrafos, desenhou o Menino Maluquinho, tirou fotos e conversou com a turma da arte do Correio. Ele está de passagem em Brasília para participar da Bienal Brasil do Livro e da Leitura e falará, amanhã, às 17h, no Auditório Nelson Rodrigues, sobre o tema Como ler para crianças.

Ziraldo se considera o leigo que mais entende de educação no Brasil. Tornou-se escritor por acaso. Os seus heróis eram Batman e Super-homem. Mas, como não existia a profissão de quadrinista no Brasil, ele trabalhou em agência de publicidade e, mais tarde, em jornais, como chargista e cartunista. Quando baixou a censura no Pasquim, Ziraldo escreveu Flicts, o primeiro livro para crianças, que alcançou sucesso estrondoso na Bienal do Livro de São Paulo, principalmente por causa de uma crônica elogiosa de Carlos Drummond de Andrade. “Ficamos amigos fraternos. Ele na condição de mestre e eu, de pupilo”, conta Ziraldo. “Em seguida, escrevi O bicho da maçã e demorou quatro anos para vender a edição. Aí, tive de andar pelo Brasil inteiro autografando e conheci as escolas e as bravas professoras brasileiras. A dedução que faço é a de que fazer reforma do ensino é um desperdício de esforço.”

 

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
 

 

Sabe por que o Brasil sempre está péssimo nos rankings de ensino?, indaga Ziraldo. E responde: Porque os gênios da matemática têm dificuldade de ler e entender os enunciados. “Noventa e cinco por cento dos brasileiros são analfabetos funcionais. Contaram-me que, no último Enem, entre milhões de textos, só havia cerca de 250 corretos. O governo tem de parar de se preocupar com o ensino médio. Não há como, se não para de mandar milhões de crianças analfabetas para o ensino médio”.

 

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Ziraldo propõe a mobilização das escolas e a utilização das crianças e dos adolescentes mais bem capacitados para alfabetizar os outros. E conferir prêmios. “Em Cuba, não existe uma criança que não tenha ganho um prêmio na escola. Tem de movimentar a escola para ler, escrever e contar. Se as crianças de 11 anos leem como respiram, estão prontas para a aventura do conhecimento. E não tem essa conversa de internet. Só usa a internet quem sabe ler e escrever.”

 

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press

 

Ziraldo forjou um slogan: é mais importante ler do que estudar. Por quê? Como você vai estudar se não sabe ler?, responde Ziraldo. “Estudar não abre a cuca, não abre janelas no tempo e no espaço. Você abre um livro e diz: era isso que eu queria dizer. Se você for um engenheiro ou um físico nos Estados Unidos, precisa estudar literatura. Nos filmes americanos, você sempre vê estudantes discutindo Shakespeare. Pois bem, nosso Shakespeare é Machado de Assis.”

Por isso, quando ouve falar em reforma do ensino médio, Ziraldo tem vontade de gritar no meio da rua: nãooooooo! “Somos uma gente maravilhosa. Querem nos transformar em uma nação de empreendedores, de serviços. Nós podemos ser uma grande nação de pensadores e de criadores. O povo que vence no mundo é o povo que pensa.”

 

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