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Moradores de Samambaia arregaçaram as mangas para reconstruir suas casas

Ao todo, mil residências foram destelhadas ou derrubadas pela tempestade com ventos de até 60km/h

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postado em 22/10/2016 08:00 / atualizado em 22/10/2016 00:41

Antonio Cunha/CB/D.A Press
 

 

Os moradores de Samambaia unem esforços para se recuperar após o temporal que destroçou a região na noite de quarta-feira (19/10). O cenário caótico, com casas, escolas, igrejas, árvores e postes de luz danificados, vai demorar para se dissipar no local. Ao todo, mil residências foram destelhadas ou derrubadas pela tempestade com ventos de até 60km/h. Várias pessoas ainda têm dificuldade para se restabelecer. Logo cedo, uma fila quilométrica se formou em frente ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), onde funcionários realizam um cadastro para identificar as necessidades das vítimas e designar o auxílio de cestas básicas e da bolsa vulnerabilidade, que consiste em até seis parcelas mensais de R$ 408. Pelas ruas da cidade, pessoas faziam os reparos das casas e trabalhadores podavam árvores e vistoriavam os postes de energia.

Por volta de 6h, as amigas Shirlene Vicente da Silva, 64 anos, e Ivanete Pedro do Nascimento, 60, chegaram ao Creas em busca de ajuda. Após seis horas de espera, a Administração Regional de Samambaia anunciou que somente seriam atendidos aqueles que morassem entre as quadras 115 e 315. Elas não estavam dentro da área informada. A revolta foi geral. “Perdi várias coisas. Tenho problemas de saúde e não tenho condições de trabalhar. Esperei esse tempo todo para nada”, reclama Ivanete. A mulher mora na Quadra 425, uma das atingidas pela violência do vento. “Depois de ficar aqui esperando, ainda vou atrás de telhas para minha residência. Ontem à noite choveu e alagou tudo.” De acordo com o governo, 65% das residências já tiveram o telhado reparado e 50 caminhões de lixo foram recolhidos das ruas.

 

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A vizinha Shirlene lembra que o dia do desastre foi uma das piores situações por que já passou. “Eu olhei para o céu e pedi para Jesus levar tudo, menos minhas duas netinhas.” A senhora mora em uma casa com oito pessoas, todas desempregadas. “Não temos como realizar os reparos. Não vou desistir, só vou sair daqui quando for atendida.” Cerca de 500 pessoas foram cadastradas ontem para receber os auxílios. Cada caso será analisado.

Desde quinta-feira, 500 servidores de diversos órgãos DF trabalham no atendimento à população. A luz na região foi retomada no início da manhã de ontem. A Companhia Energética de Brasília (CEB) disponibilizou 130 funcionários, divididos em 46 equipes, para trabalhar 24 horas no local. A CEB ainda informou que 21.551 ficaram sem energia. A situação mais crítica foi na quadra 419, onde cinco postes tombaram. A Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) também trabalha no local, são 13 equipes de poda de árvore, 295 trabalhadores e 90 equipamentos.

A Secretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos ofereceu 1,8 mil telhas. Até o momento, 265 se registraram para receber os materiais e 56 entregas foram realizadas, totalizando 1,2 mil telhas. Além dos funcionários do governo, detentos do regime semiaberto trabalharam nos reparos e na limpeza das 17 escolas públicas danificadas. A Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) destacou 40 presos, que trabalham nos locais como pedreiros, auxiliares de pedreiros e carpinteiros. Eles fazem os trabalhos sob supervisão de agentes penitenciários e retornam às 17h para o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) onde cumprem pena.

Mutirão

O esforço das famílias pode ser visto nas ruas da região. Todos estão mobilizados na reconstrução das residências. Membros de uma igreja evangélica, localizada na Quadra 419, reuniram-se para ajudar um membro da instituição. O representante comercial Thiago Mendes, 33, perdeu tudo que estava dentro de casa, na Quadra 415. “Não teria condições nenhuma de repor nada. Pelo menos a reforma do teto eu já consegui, com a ajuda do pastor.” O homem relata que realizou orçamento em três lojas de materiais para construção e conseguiu comprar as telhas por R$ 4.740. “Todo mundo da igreja resolveu me ajudar, fizeram uma vaquinha e até na mão de obra estão me auxiliando.” Thiago está desde quinta-feira sem ir ao trabalho para não deixar o serviço na casa parado. “Como sou autônomo, estou perdendo dinheiro todos os dias. Meus eletrodomésticos foram todos embora, mas agora eu só vou focar na parte exterior. Preciso de um teto seguro para dormir.” Ele mora com três filhos e a esposa.

Entretanto, há quem não teve tanta sorte. Uma família de seis pessoas passou a noite em claro: a chuva que caía dentro de casa não permitiu que eles dormissem. Daniela Duarte, 36, afirma não ter condições de repor o material perdido. “O vento chegou aqui e levou tudo que nós tínhamos. Não deixou nada para trás”, impressiona-se. Os entulhos ainda fazem parte do cenário do lote de três barracos. Os quatro filhos, a cunhada e o marido estão sem um teto desde quarta-feira à noite.
Fogão, geladeira, televisão e todo o resto não existem mais. Para consertar a parte superior da casa, são necessárias 53 telhas, entretanto, a família juntou dinheiro e conseguiu comprar apenas 13. “Minha residência exige uma telha mais grossa do que a que o governo oferece. Não poderemos contar com essa ajuda. Agora, vou correr atrás para conseguir os outros benefícios que estão sendo oferecidos. Até lá, só Deus sabe.”

No meio desse cenário, as lojas de materiais de construção começaram a lucrar mais. Uma loja do segmento, localizada na quadra 305, teve mais que o triplo no aumento das vendas de telha. De acordo com o dono do local, normalmente são vendidas 50 telhas por semana e, somente na quinta, 600 saíram do estoque do estabelecimento.

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