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Em Samambaia, moradores consertam estragos das chuvas

Restos de tijolos e telhas estão espalhados pela cidade

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André Violatti/Esp. CB/D.A Press

Moradores de Samambaia Norte aproveitaram o domingo para tentar reparar os estragos causados pelo temporal da última quarta-feira. Restos de tijolos e telhas estão espalhados pela cidade. São poucos os que têm a possibilidade de comprar as telhas e a maioria espera pela ajuda da administração regional para recuperar as casas.

A pensionista Luzia Ferreira, 77 anos, esperou cinco horas na fila do Caic (Centro de Atenção Integral à Criança) da cidade para se cadastrar na iniciativa do governo, organizada pela administração, e ganhar telhas. Luzia pediu 50 unidades, mas ganhou apenas 15 e algumas estavam furadas. “Não posso comprar o restante. Essas que ganhei vão ficar encostadas até ter dinheiro para pagar alguém para colocá-las”, disse. A pensionista, que perdeu televisão, computador e colchão, afirma que são as igrejas e grupos organizados na internet que mais ajudam. Ao menos três famílias da mesma quadra alegam que receberam as telhas furadas.

Quando as placas e telhas caíram do telhado durante a tempestade, a desempregada Maria Rodrigues da Costa, 56, achou que ia morrer. A preocupação maior foi com os netos, principalmente com a caçula da família, de apenas 10 dias de vida, que estava no barraco dos fundos da casa onde mora. “Os outros netos ajoelharam e começaram a orar, o coração acelerou. Foi horrível”. Marcas da tempestade estão em todos os cômodos da casa. As telhas só serão arrumadas quando o filho conseguir dinheiro. “Temos que esperar pelo governo, fazer o quê?”, lamenta. A desempregada fez a inscrição para ganhar as telhas, mas ainda não foi atendida.

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Por mais que o governo realize ações para recuperar as residências, ainda há moradores que não sabem dessa campanha. Do outro lado da rua, nas quadras 200, a dona de casa Marinalva Silva, 54 anos, se endividou para comprar o material. “Peguei o cartão de crédito do meu filho emprestado para comprar as telhas. Foram R$ 2 mil que dividi em sete vezes, nem sei como vou pagar”, lamenta. Desempregada, ela não sabia do cadastro do GDF para receber as telhas gratuitamente. Quem se apertou e gastou no cartão de crédito reclama também das lojas de materiais de construção, que teriam elevado excessivamente os preços depois da tragédia. “Meu vizinho comprou a telha por R$ 35. Fui três horas depois, e já custava R$ 55”, criticou Antônio Domingos Cardoso.

Sobre a quantidade de telhas entregues ser menor do que a solicitada e com defeitos, o Governo do Distrito Federal afirma ter tomado conhecimento da situação neste domingo e garantiu que irá ao local conversar com as famílias. Afirma, ainda, que o caso é uma exceção. Ontem, foram entregues mil telhas, 40 cestas básicas e 48 colchões. Além disso, funcionários da Defesa Civil, da Secretaria Adjunta de Desenvolvimento Social e da Administração Regional de Samambaia visitaram 200 casas. No sábado, 87 famílias foram atendidas e 2 mil telhas foram entregues. Até o fim da tarde de ontem, três escolas estavam interditadas pela Defesa Civil. Funcionários trabalham para minimizar os transtornos aos alunos, segundo a administração.

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