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Correio Braziliense

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Parquinhos infantis do Distrito Federal apresentam falhas de manutenção

Diversão da criançada está repleta de riscos: há bons exemplos em algumas regiões, mas, de maneira geral, as áreas de lazer dos pequenos apresentam falhas; governo busca parcerias para resolver os problemas

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postado em 30/10/2016 08:00

Adriana Bernardes

Minervino Junior/CB/D.A Press

Correntes partidas, pregos e pedaços de madeira expostos. É assim que boa parte das crianças encontra os parquinhos infantis em áreas nobres de Brasília. A imagem do abandono reflete, segundo os próprios moradores, o descaso do governo e de parte da sociedade com o espaço público. O primeiro, por não fazer a manutenção adequada. O segundo, porque parte dos usuários são responsáveis pela depredação dos brinquedos que deveriam garantir riso solto e muita diversão.

Durante três dias, o Correio percorreu Plano Piloto, Cruzeiro, Sudoeste e Setor de Clubes Sul para ver como está a situação dessas áreas de lazer. Visitou 16 parques e conversou com os pais e as crianças sobre o que funciona e o que atrapalha nas estruturas.

 

 


Em alguns locais, como no Cruzeiro e no Sudoeste, ainda é comum encontrar os parquinhos de lata. Alguns até estão conservados, mas, devido ao clima de Brasília — Sol e calor intensos na maior parte do ano —, têm uso limitado, pois esquentam muito e podem queimar a pele das crianças. Nas asas Norte e Sul, há muitas estruturas de madeira que não esquentam tanto. O problema é que boa parte está quebrada. Do total de parquinhos visitados pelo Correio, quatro estão abandonados e oferecem risco aos usuários. Um deles, o que fica no Bosque do Sudoeste, passa por reforma.

Morador da 215 Norte, o advogado aposentado Francisco Feitosa Dias, 72 anos, diz que, uma vez por ano, funcionários do governo dão uma geral no local. E que, por algum tempo, a prefeitura da quadra ajudava na manutenção. “O problema é que, muitas vezes, adolescentes usam os brinquedos. E eles não foram feitos para suportar o peso dos mais velhos”, lamenta. Mesmo com alguns problemas, Francisco diz que a neta aproveita o espaço com frequência. Leia caso a caso.

Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press


Sudoeste

Como boa parte dos parquinhos de Brasília, o que fica no Bosque do Sudoeste não tem qualquer estrutura que ofereça sombra para as crianças. Nos dias de calor e Sol intensos, o uso é restrito às primeiras horas da manhã ou finzinho da tarde. 
Mas há pelo menos dois meses que nenhuma criança entra ali. Os brinquedos quebraram, 
e os administradores 
interditaram o espaço.
Na tarde de terça-feira, a reportagem esteve no local e foi surpreendida por dois trabalhadores fazendo os reparos. Eles foram contratados por uma escola particular do Sudoeste. 
Os balanços quebrados foram retirados. A estrutura para escalada também, assim como o escorregador. Os trabalhadores garantiram que esta semana os reparos estariam concluídos.

 

Minervino Junior/CB/D.A Press

Asa Sul

 Na Asa Sul, a reportagem visitou dois parquinhos. Ambos estão abandonados. O da 408 Sul fica embaixo de uma mangueira. Os brinquedos de madeira apodreceram. Há quatro balanços com pneu, escorregador, 
argolas, barras e uma ponte. 
Nada se aproveita.
O militar reformado da Aeronáutica Perácio de Oliveira Santos, 78 anos, diz que há pelo menos dois anos nenhuma criança brinca ali. “Estava completamente cheio de mato. Dia desses, os garis capinaram. Recentemente, fizemos uma solicitação para que a Administração do Plano Piloto reformasse o parque e incluísse a montagem de um Ponto de Encontro Comunitário (PEC), mas não tivemos resposta”, queixa-se.
Na 407 Sul, a situação se repete. A síndica do Bloco N, Elizabeth Figueiredo, explica que o parquinho é público, e o descaso com espaço é histórico. Segundo ela, o abandono dura cerca de três anos. “Há algum tempo, a prefeitura da quadra reformou o parquinho, mas os pais levavam as crianças para brincar e sentavam nos equipamentos. Os brinquedos não foram feitos para suportar o peso de um adulto. Então, logo se acabou”, lamenta.

 

Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press

Asa Norte

No início da manhã ou no fim de tarde, a algazarra é garantida no parquinho da 108 Norte. 
O espaço é pequeno. Tem escorregador, balanço e gangorra. É ali que Maria Eduarda, de 1 ano e 4 meses, se diverte na companhia da mãe, a jornalista Ana Cristina Santos, 35. No mesmo local, 
a menina brincará, em alguns meses, com a irmã, que 
nascerá no fim de dezembro.

Nos quatro anos em que vive na quadra, Ana Cristina diz que a manutenção do parquinho é “impecável” e fica sob a responsabilidade da prefeitura. “Tem um rapaz que limpa todos os dias e também faz a pintura do alambrado, dos brinquedos e dos bancos”, afirmou a mãe, sentada na areia na companhia da filha, enquanto outras crianças corriam e gritavam de um lado para o outro.

Na 110 Norte, o zelo pelo espaço destinado às crianças de até 12 anos também chama a atenção. Os bancos são novos. Os brinquedos estão pintados. Só um balanço está quebrado, mas ele foi enrolado e preso no alto por uma barra de ferro para impedir que os pequenos se machuquem.

 

Minervino Junior/CB/D.A Press

Cruzeiro

No Cruzeiro, a reportagem visitou dois parques. Um deles é de lata, e o outro, de plástico. De modo geral, os dois estão em bom estado, exceto por um balanço quebrado do Parque das Três Quadras. A servidora pública Karin Beatriz Germendorff Nagliati, 37 anos, disse que o espaço passou por uma situação tão ruim a ponto de as crianças não poderem brincar. Mas, segundo ela, há cerca de dois anos, foram revitalizados, com substituição de brinquedos e troca de areia. “O problema é que, por serem de lata, as crianças aproveitam pouco, porque ficam muito quentes. E não tem nenhuma sombra”, lamenta.

O parquinho do Quadradão é melhor estruturado. Como é de plástico, não fica tão quente com o Sol. Luene Santos, 39, é mãe de Clara, 5. Enquanto a menina brinca, ela caminha em volta do parque. “Aqui está sempre preservado. A comunidade ajuda a preservar, mantendo a portinha fechada. Então, não tem fezes nem urina de cachorro na areia. Muito diferente dos parques da Asa Norte, onde a minha mãe mora”, relata.
A pedagoga Camila Flores, 30 anos, é mãe de Clarissa, 11, e Marina, 2. Quando a mais velha nasceu, não havia parquinho no Cruzeiro, segundo Camila. “Essas estruturas são relativamente novas. Esse aqui (do Quadradão) é muito bom, porque parte dele fica na sombra e é bem cuidado. Tem um outro aqui perto, embaixo das árvores. Tem sombra, mas é tanta folha, que as crianças não conseguem brincar”, conta.

 

Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press
 

Parque da Ponte JK
O cenário de brincadeira apresenta um dos cartões-postais mais bonitos de Brasília, a Ponte JK. Mas turistas e moradores do Distrito Federal que chegam por ali acompanhados de crianças enfrentam saia justa com os pequenos. Todos os brinquedos estão danificados e oferecem riscos reais para os usuários. Pontas de madeira quebradas, pregos, parafusos e buracos 
no tablado suspenso 
são apenas alguns deles.

Durante os 40 minutos em que a reportagem esteve no local, numa tarde quente de terça-feira, foi preciso alertar pelo menos dois pais sobre os perigos. As crianças chegaram e correram para brincar. Como não visitam o local com frequência, não sabiam dos danos nos equipamentos públicos. “De longe, não tinha percebido. Logo num lugar desses, tão visitado, deixar os brinquedos assim é um absurdo”, reclamou o morador de São Sebastião Pedro Mendes dos Santos, 19 anos, que estava acompanhado de Alana Kathelen Carvalho Pereira, 18, mãe de Ítalo Miguel Carvalho Reis, 3.

Os cabos que prendem a ponte suspensa arrebentaram e estão soltos. Parte da estrutura cedeu. Os cavalinhos de madeira perderam a cabeça, e o resto do equipamento tem rachaduras. A escada de madeira que leva ao tablado suspenso não tem um degrau. Restam, ainda, poucas tábuas sem avarias. Parte da cobertura das torres caiu.

Recém-chegado a Brasília, o militar Jonas Hilleshein, 35, elogiou os parques infantis da capital. Disse ter passado por alguns muito bem preservados, especialmente em Águas Claras; por isso, o cenário encontrado às margens do Lago Paranoá se mostrou decepcionante. Para sorte dele, a filha Valentina, de 1 ano e 6 meses, não estava muito interessada nos brinquedos durante a visita. “Dia desses passei de carro, vi esse lugar e achei que seria um bom passeio. Por ser ponto turístico, imaginei que tivesse em condições de uso”, disse.


Minervino Junior/CB/D.A Press

Em busca de soluções

A reportagem solicitou ao GDF o número de parquinhos, onde ficam e a situação de cada um deles, mas não obteve resposta. A Administração Regional do Plano Piloto informou que há 95 na Asa Sul e 94 na Asa Norte, mas sem esclarecer as condições de uso deles. A administração do Cruzeiro disse que está fazendo o inventário patrimonial dos bens e ainda não dispõe da relação completa dos parques.


A Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos esclarece que existe um processo de licitação para manutenção de equipamentos públicos como parquinhos infantis, quadras poliesportivas, além de Pontos de Encontro Comunitário (PECs). Assim que for liberado pelo Tribunal de Contas do DF, serão investidos R$ 21,7 milhões. A depender da urgência, pequenos reparos, como pintura, troca da caixa de areia, manutenção de alambrados, reposição de parafusos e soldas, são feitos pelas próprias administrações regionais e pela Novacap
Além disso, também está em andamento, na Novacap, um processo para a compra de novos kits de parquinhos. Para isso, foi realizada a licitação, que se encontra em fase de análise de documentação e dos protótipos enviados pelas empresas. O levantamento das necessidades de manutenção de equipamentos públicos é feito pelas próprias administrações regionais, com base nas demandas dos cidadãos, recebidas por meios das ouvidorias das RAs ou dos líderes comunitários.


A Administração Regional do Cruzeiro confeccionou um relatório, solicitando a manutenção corretiva de brinquedos nos parques infantis da cidade com fornecimento de mão de obra e material. Além disso, o órgão, por meio da equipe de manutenção, realiza pequenos reparos nos equipamentos danificados, além de limpeza, reforma nas cercas e roçagem nos parques. Quanto ao balanço quebrado no Parque das Três Quadras, na próxima semana, será realizada a manutenção do referido brinquedo.


A Administração Regional do Sudoeste/Octogonal informou que visitou o parque da QRSW 7/8, adquirido e instalado pela comunidade, e constatou que os equipamentos estão em boas condições e não representam riscos. Sobre a melhoria da estrutura e da instalação de mais brinquedos no local, será feito um pedido à Novacap. Na QRSW 6, a administração, em parceria com os moradores, fez a manutenção necessária.
A Administração Regional do Plano Piloto informa que trabalha em parceria com a comunidade no Projeto Entrequadras. E que foram revitalizados ou melhorados diversos parquinhos. Na 408 Sul, por exemplo, foi feita a troca da areia e a limpeza do parquinho. As prefeituras que desejarem participar desse trabalho conjunto podem entrar em contato com a administração pelo telefone 3329-0496.


Sobre o Parque do Bosque do Sudoeste, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) explica que a escola mencionada pela reportagem, situada próximo ao parquinho, colabora com os reparos. O Ibram destaca a importância dessas parcerias com a comunidade, desde que sempre de acordo com o plano de manejo das unidades.

 

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jose
jose - 01 de Novembro às 12:23
A qualidade dos materiais empregados assim como algumas técnicas aplicadas devem ser questionados. Os parques de madeira são afixados com parafusos incompatíveis com as cargas esperadas e duram muito pouco, os de metal utilizam canos com espessura muito fina o que faz com que entortem, quebrem e se soltem além de não utilizarem rolamentos nos pontos de movimentação como gangorras e balanços. São feitos pra durarem pouco e ser preciso novas licitações e superfaturamentos e novas compras.
 
Lost
Lost - 30 de Outubro às 09:47
Eles devia colocar um serviço no site do GDF para solicitação de reparos pelos próprios cidadãos e colocar o endereço com QRCode numa placa nos parquinhos. A maior parte dos defeitos é facilmente sanada com a troca de parafusos e dobradiças desgastadas... O problema é que esses pequenos defeitos se acumulam, o espaço deixa de ser utilizado e tudo se deteriora ao ponto de ter que haver uma substituição completa, MUITO mais car e igualmente inócua, já que, sem manutenção, o ciclo recomeça. Outra alternativa é permitir a publicidade nos locais para que as empresas façam a manutenção, que é super barata. Sério, eu mesmo já consertei vários brinquedos com um simples ALICATE!

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