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Sem merenda, escolas de Luziânia dispensam alunos mais cedo

Motivo alegado para a redução das aulas é o calor, mas pais e professores informam que a razão verdadeira é a falta de refeições para as crianças

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postado em 02/11/2016 13:18

Hellen Leite

As aulas em 63 escolas municipais de Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal, têm sido encerradas antes do horário previsto há mais de duas semanas. Em vez das 5 horas/aula diárias, os alunos permanecem no colégio por apenas duas horas e meia e são dispensados. Pais e estudantes foram informados que a medida se deve ao calor excessivo, mas professores ouvidos pelo Correio garantem que o real motivo é a escassez de merenda.

"O verdadeiro motivo é a falta de verba para as merendas, mas é claro que eles não vão falar que é por isso. Disseram que é por causa do calor, mas o calor passou e as aulas continuaram reduzidas", informa uma professora de um centro de ensino fundamental, que não quis se identificar.

"Nem os professores estão ficando o horário todo, porque aí a escola não precisa fornecer a refeição se a gente não trabalha as oito horas. Estamos cumprindo só meio período. Então, o sinal bate às 12h15, e os professores já estão dispensados também. Isso é pra gente não precisar almoçar na escola", acrescenta outra professora, que também pede anonimato.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Educação de Luziânia na sexta-feira (28/10), mas não teve resposta até o fechamento desta matéria.

Intoxicação alimentar


Com a redução do tempo de permanência nas escolas, o número de refeições diminuiu, mas houve também perda de qualidade, segundo os relatos. Pais de alunos da Escola Municipal Eleuza Aparecida de Paiva Neto, no distrito do Jardim Ingá, conta que as crianças lancharam arroz com salsicha por vários dias. Em outras unidades de ensino, o cardápio oferecido é composto apenas por arroz com feijão.

A dona de casa Karoline Castro, mãe de um aluno de 5 anos, diz que o arroz com salsicha servido na escola fez com que a criança passasse mal. “Ele estuda de manhã. Chegou em casa com dor de barriga e vomitou tudo. Levei ao médico, que disse que foi intoxicação alimentar, algo que ele comeu e fez mal”, conta. “Como meu filho não é acostumado a comer salsicha, juntei um fato ao outro. Eu evito dar esse tipo de alimento para meus filhos, por não ser saudável. Agora, mando lanche para ele não precisar comer o que dão na escola.”

Também dona de casa, Adenilde Mendes, mãe de cinco filhos, lamenta que o lanche servido para as duas filhas mais novas, de 9 e 11 anos, na Escola Municipal Laudimiro Roriz, na zona rural da cidade, tem sido insuficiente. Segundo ela, há semanas que a merenda varia entre uma fruta e um suco.

“Além do horário reduzido, o lanche fraco prejudica as crianças, porque a gente sabe que algumas delas só comem na escola, ainda mais aqui, onde a gente mora.” Adenilde conta ainda que as professoras pediram algumas vezes para que, se possível, os pais mandassem a merenda de casa, mas nem todas as famílias podem pagar o lanche dos filhos.

Para a mãe, outro problema grave é a falta de comunicação entre as escolas e os pais. Segundo ela, a primeira justificativa da direção da escola foi o calor, depois a falta de água, e, depois, as altas temperaturas voltaram a ser o motivo alegado. “Nós queremos saber o que está acontecendo, a direção da escola não nos informa direito. Nunca passamos por uma situação assim, e eles não falam qual é o verdadeiro motivo da falta de aulas”, desabafa.

Verba para a merenda


O repasse para a compra de merenda escolar em todas as escolas do país é feito por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que transfere valores per capita diferenciados por faixa etária e condição de vulnerabilidade social. No caso de creches e escolas que atendem crianças até 10 anos, o valor varia de R$ 0,50 a R$ 1,00 por dia letivo de cada aluno.

De acordo com a tabela de repasses financeiros do programa nacional de alimentação escolar, em 2015, o município de Luziânia recebeu mais de R$ 2,2 milhões para comprar merenda.

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Daniella
Daniella - 03 de Novembro às 10:31
não apenas nesta escola está faltando merenda, mas em todas as escolas, minha filha estuda no em Taguatinga Sul, e não tem merenda, e mesmo assim as escolas não estão liberando os alunos. Lembrando dos caminhões de lanches e merendas escolares que são desviados do seu destino, além dos itens que são extraviados após chegarem nas escolas.

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