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Direitos humanos dominam primeiro dia de Enem

As provas de ontem do exame nacional abordaram, mais uma vez, questões relacionadas a gênero e também incluíram a situação de refugiados na Europa e a cultura islâmica

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Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press


O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mobilizou, ontem, cerca de 159 mil estudantes inscritos em Brasília. A abstenção será divulgada hoje. As provas foram aplicadas em 206 locais, incluindo o Centro de Ensino Médio Ave Branca (Cemab), em Taguatinga (leia mais na página 20). A exemplo do que ocorreu em edições anteriores, itens ligados a direitos humanos e meio ambiente dominaram a avaliação neste ano e podem voltar a cair hoje, na redação e nas questões objetivas. O debate sobre gênero teve destaque no teste, além da situação dos refugiados na Europa e de assuntos relacionados à cultura islâmica.

Os centros de ensino que sediaram o Enem começaram a receber inscritos antes das 12h, horário de abertura dos portões. Carolina Rezende, 17 anos, decidiu chegar cedo ao local de prova, na Asa Sul, para revisar os resumos pela última vez. Com o objetivo de evitar o cansaço provocado durante as quatro horas e meia de exame, a estudante recorreu às dicas de especialistas: teve uma boa noite de sono e vestiu roupas confortáveis. “Começo pelas questões que têm muito texto, para aproveitar o pique inicial e responder as mais longas antes de cansar”, contou a candidata, que está em dúvida entre os cursos de biologia, engenharia florestal e administração.  

Poucos minutos antes das 13h, horário do fechamento dos portões, começou a correria dos atrasados. Estudantes apressavam-se para não perder a prova e recebiam o incentivo dos familiares e de amigos do lado de fora. Apesar do esforço, alguns não conseguiram chegar a tempo. Nadila Ribeiro, 22, foi uma delas: chegou com um minuto de atraso. Grávida, mora no Paranoá e saiu de casa às 11h50. Segundo a estudante, o atraso deveu-se à lentidão do ônibus e ao congestionamento das vias. “Estou grávida de seis meses e, por isso, não podia correr”, lamenta. A promotora de vendas queria fazer a prova para cursar letras/espanhol e passou mal depois do estresse. A Polícia Militar prestou socorro e acionou o Corpo de Bombeiros para atendê-la.

Na edição deste ano, o exame manteve a tradição de abordar temas ligados a direitos humanos e meio ambiente. Questões de gênero, a situação de refugiados e poluição integraram alguns dos itens da prova do primeiro dia, que abordaram ciências da natureza e ciências humanas. “Caíram muitas questões relacionadas a temas polêmicos, como gênero e meio ambiente. A exemplo do ano passado, quando um item sobre o feminismo, com citação da célebre frase de Simone de Beauvoir, causou grande repercussão, neste ano, um questionamento referente à manutenção de estereótipos me chamou atenção. O Enem tem batido nestas teclas”, afirma o coordenador do Serviço de Orientação ao Vestibulando (SOV) do colégio Leonardo da Vinci, Bruno Borges.

O professor se refere a uma questão que comparou um anúncio publicitário veiculado em 1968, cujo conteúdo mostrava uma mulher com produto de limpeza na agência espacial americana (Nasa). A peça foi relacionada a uma notícia, publicada neste ano, em que a mesma instituição garante a paridade entre homens e mulheres no quadro de funcionários — a reportagem gerou uma onda de comentários sexistas em uma rede social. O objetivo, segundo Bruno Borges, era provocar a reflexão sobre a perpetuação de estereótipos e do machismo. Para a redação, porém, a aposta do especialista é em uma temática ambiental. “Havia muitas questões sobre degradação e meio ambiente na prova”, destaca.

A ansiedade pela correção do exame motivou Ana Gabriella Tittoto, 16, a aguardar por alguns minutos depois de terminar o teste para sair com o caderno de provas. “É bom que já confiro com o gabarito preliminar da minha escola”, conta. Ela não achou a prova difícil. “Meus pontos fortes são química e física, e caiu muita coisa que eu estudei. Ano passado estava mais difícil”, acredita a jovem, que sonha em cursar medicina. “Estudo todos os dias, faço questões antigas. Não estava nervosa”, revelou.

A estudante Jhennifer Maciel, 28, cursa engenharia civil em uma faculdade particular e quer, por meio da nota do Enem, conseguir uma bolsa para concluir a graduação. Apesar de não ter se preparado para o exame, ela considerou o nível de dificuldade da prova mediano. “Não estava tão difícil como eu achei que estaria. Achei interessante eles abordarem o empoderamento da mulher”, diz.

Neste domingo (6/11), os candidatos farão a prova de Linguagem, Códigos e Suas Tecnologias, de matemática e de redação. Desta vez, o exame tem cinco horas e meia de duração. Os portões dos locais de prova serão fechados, novamente, às 13h. Depois do exame, o Correio publicará o gabarito extraoficial do Enem. Além disso, um professor comentará, às 20h, os itens de língua portuguesa e de redação ao vivo no Facebook do jornal.

 

Cancelamento

Apesar da divulgação, na manhã da última sexta-feira, das instituições de ensino que não sediariam o Enem devido às ocupações de estudantes contrários à reforma do ensino médio e à Proposta de Emenda à Constituição que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos, alguns inscritos decidiram comparecer ao local de prova para se certificarem do adiamento do exame para 3 e 4 de dezembro. Ao todo, 8.568 alunos deixaram de realizar o teste no DF.

A estudante Iane Lopes, 21, era uma das 3.113 pessoas que fariam o exame no Bloco de Salas de Aula da Ala Sul (BSA Sul), no câmpus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB), local tomado pelos manifestantes. Na dúvida se faria ou não o exame, resolveu ir até a instituição para ter certeza. Ela garante que não recebeu nenhuma mensagem ou e-mail sobre o cancelamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). “Eu olhei a semana toda e estranhei não ter recebido nada, porque minha irmã ia fazer aqui também e foi avisada”, explicou.

Devido à determinação do Ministério da Educação (MEC), as provas foram canceladas em 10 locais. Seis desses ainda concentram mobilizações de estudantes: Bloco de Salas da Ala Sul (BSA), Pavilhões Anísio Teixeira e João Calmon, no câmpus Darcy Ribeiro da UnB; Faculdade UnB de Planaltina (FUP), e sedes do Instituto Federal de Brasília (IFB), situados no Riacho Fundo e em Samambaia. A última escola secundarista com aglomerações de alunos foi liberada na sexta-feira. 

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