Cidades

No DF, 31,1% dos inscritos não compareceram às provas do Enem

Candidatos do Enem deste ano precisaram propor caminhos para que manifestações de preconceito contra as religiões sejam coibidas

postado em 07/11/2016 06:10


A abstenção no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Distrito Federal foi de 31,1%, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O índice é maior que a média nacional, de 30%. O destaque do segundo dia de provas, aplicadas ontem, foi a redação. Assim que os candidatos começaram as provas, às 13h30 de ontem, o Inep divulgou, na internet, o assunto que nortearia os textos: ;Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil;. Em até 30 linhas, era preciso discorrer sobre a questão e oferecer soluções para um problema que se mostra atual. Neste ano, o DF criou uma delegacia para cuidar de crimes desse tipo, depois que vários terreiros de candomblé foram incendiados.

O tema foi considerado excelente pelo coordenador de redação do colégio Sigma, Eli Guimarães, que tinha cobrado o assunto em uma avaliação recente dos alunos, em outubro. ;Passamos exatamente o mesmo tema para redação, pois já considerávamos como um dos cinco mais prováveis;, relatou. Para ele, há uma grande necessidade de discutir a dimensão religiosa do preconceito. ;Quando falamos de intolerância no Brasil, ficamos muito focados na perspectiva do racismo ou da discriminação com pobres. Falamos pouco sobre o lado da religião;, argumentou. Por ser um assunto polêmico, a intolerância religiosa nem sempre é abordada nas salas de aula. ;Nem todas as escolas têm a prática de levar um tema como esse para debate, porque não é muito fácil;, detalhou.

;Era esperado que, em algum momento, esse tema caísse, especialmente por conta do crescimento do Estado Islâmico, maior exemplo de intolerância religiosa atual;, afirmou o professor de redação Flávio Melo, do Sistema Ari de Sá. Em relação à realidade brasileira, foco do Enem, ele lembra que manifestações de intolerância acontecem há séculos, principalmente contra religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé. ;Elas estão vinculadas a grupos com pouca representatividade e que, historicamente, não gozam de prestígio social, diferentemente do cristianismo. Se o aluno não tiver essa visão muito clara, pode ter tido grandes dificuldades;, avaliou.

No ano passado, uma menina de 11 anos foi atingida por uma pedra na cabeça por vestir roupas de candomblé. O incidente aconteceu em junho no Rio de Janeiro. Nos meses seguintes, no Distrito Federal e no Entorno, houve quatro ataques a terreiros de candomblé. A situação foi tão alarmante que, em janeiro deste ano, o governo do DF criou uma delegacia especializada para investigar crimes de intolerância religiosa. ;A maior inclusão desse tipo de delegacias poderia ser citada pelos alunos como uma solução para o problema;, acrescentou Flávio Melo.

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