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No DF, 31,1% dos inscritos não compareceram às provas do Enem

Candidatos do Enem deste ano precisaram propor caminhos para que manifestações de preconceito contra as religiões sejam coibidas

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postado em 07/11/2016 06:10 / atualizado em 08/11/2016 00:21

Alessandra Azevedo - Especial para o Correio

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press


A abstenção no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Distrito Federal foi de 31,1%, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O índice é maior que a média nacional, de 30%. O destaque do segundo dia de provas, aplicadas ontem, foi a redação. Assim que os candidatos começaram as provas, às 13h30 de ontem, o Inep divulgou, na internet, o assunto que nortearia os textos: “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. Em até 30 linhas,  era preciso discorrer sobre a questão e oferecer soluções para um problema que se mostra atual. Neste ano, o DF criou uma delegacia para cuidar de crimes desse tipo, depois que vários terreiros de candomblé foram incendiados.

O tema foi considerado excelente pelo coordenador de redação do colégio Sigma, Eli Guimarães, que tinha cobrado o assunto em uma avaliação recente dos alunos, em outubro. “Passamos exatamente o mesmo tema para redação, pois já considerávamos como um dos cinco mais prováveis”, relatou. Para ele, há uma grande necessidade de discutir a dimensão religiosa do preconceito. “Quando falamos de intolerância no Brasil, ficamos muito focados na perspectiva do racismo ou da discriminação com pobres. Falamos pouco sobre o lado da religião”, argumentou. Por ser um assunto polêmico, a intolerância religiosa nem sempre é abordada nas salas de aula. “Nem todas as escolas têm a prática de levar um tema como esse para debate, porque não é muito fácil”, detalhou.

“Era esperado que, em algum momento, esse tema caísse, especialmente por conta do crescimento do Estado Islâmico, maior exemplo de intolerância religiosa atual”, afirmou o professor de redação Flávio Melo, do Sistema Ari de Sá. Em relação à realidade brasileira, foco do Enem, ele lembra que manifestações de intolerância acontecem há séculos, principalmente contra religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé. “Elas estão vinculadas a grupos com pouca representatividade e que, historicamente, não gozam de prestígio social, diferentemente do cristianismo. Se o aluno não tiver essa visão muito clara, pode ter tido grandes dificuldades”, avaliou.

No ano passado, uma menina de 11 anos foi atingida por uma pedra na cabeça por vestir roupas de candomblé. O incidente aconteceu em junho no Rio de Janeiro. Nos meses seguintes, no Distrito Federal e no Entorno, houve quatro ataques a terreiros de candomblé. A situação foi tão alarmante que, em janeiro deste ano, o governo do DF criou uma delegacia especializada para investigar crimes de intolerância religiosa. “A maior inclusão desse tipo de delegacias poderia ser citada pelos alunos como uma solução para o problema”, acrescentou Flávio Melo.

 

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