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Correio Braziliense

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Sobe para 200 o número denúncias na Máfia das Próteses

Promotor responsável pela investigação da Máfia das Próteses denunciará os acusados pelos crimes cometidos contra cada paciente. CRM estuda suspender os médicos envolvidos no esquema

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postado em 08/11/2016 06:02 / atualizado em 08/11/2016 16:00

Otávio Augusto , Ana Viriato - Esp. para o CB /

Em menos de 20 dias, subiu para 200 o número de pacientes que denunciaram cirurgias com possíveis ligações com a Máfia das Próteses, investigada pela Operação Mister Hyde. O último levantamento dava conta de 150 queixas, em outubro. Partes do inquérito tramitam no Ministério Público do DF e Territórios e, nos próximos dias, devem chegar à mesa do promotor de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-Vida), Maurício Miranda.

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A 10 dias da primeira audiência referente à acusação de organização criminosa na Justiça do DF, quatro médicos acusados de participarem da fraude voltaram a clinicar na capital federal — uma consulta chega a custar R$ 400. O Correio apurou que o Conselho Regional de Medicina (CRM-DF) avalia a possibilidade de suspender provisoriamente o direito de exercício da profissão dos profissionais identificados pela Mister Hyde. Se for aprovada a medida, eles ficam proibidos de atuar por seis meses.

Maurício Miranda levantou que a maioria dos lesados pela Máfia das Próteses era encaminhada à cirurgia logo na primeira consulta. A conduta é inadequada. A literatura médica prega que o paciente seja submetido a “tratamentos conservadores”, como uso de medicamentos e fisioterapia, antes do procedimento operatório. No prontuário, os médicos destacavam que essas opções não surtiam efeito. O promotor conversou com pacientes e reuniu detalhes dos atendimentos.

A intenção é que, para cada vítima, se tenha uma denúncia específica. “Na relação médico/paciente, tem de haver confiança. Essa quebra é muito séria”, ressalta. Maurício enviará ao CRM-DF documentos para reforçar a apuração. “Vamos mandar de forma específica os fatos individuais. Lá, vai-se decidir se vão instaurar processos separados ou se em conjunto”, explica.

Após serem presos temporariamente, os neurocirurgiões Wenner Costa Cantanhêde e Leandro Pretto Flores voltaram a receber pacientes na clínica onde são sócios: a Neurolago, no Lago Norte. A reportagem tentou marcar uma consulta com ambos e havia espaço na agenda. Rogério Gomes Damasceno, proprietário da Clínica Esplendor, na Asa Sul, também mantém a rotina. Ele atende às terças e quintas, e o valor do chega a R$ 250. Juliano Almeida e Silva atende casos antigos.

O CRM instaurou sindicância para apurar a denúncia do ponto de vista ético e profissional, mas ressalta a garantia ao “amplo direito à defesa e ao contraditório”. “Se confirmados (os indícios) podem dar origem a processo contra os médicos envolvidos, que ficam passíveis a penalidades previstas em lei”, informa. O processo corre em segredo de Justiça.

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