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Correio Braziliense

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Caso Ariadne: polícia de MT encaminhará detalhes da investigação ao MPDFT

Inquérito está praticamente concluído e será encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal para que seja dado prosseguimento à apuração da denúncia sobre possível assédio

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postado em 10/11/2016 14:44 / atualizado em 10/11/2016 18:28

Isa Stacciarini

Reprodução/Facebook
 
O corpo da recém-formada em direito pela Universidade de Brasília (UnB) Ariadne Wojcik, 25 anos, foi liberado nesta quinta-feira (10/11) pela Polícia Civil de Mato Grosso. Para equipes de investigação da Delegacia Municipal de Chapada dos Guimarães, a 60km de Cuiabá (MT), o inquérito sobre a morte da advogada está praticamente concluído. Segundo o delegado titular da unidade a polícia, Diego Alex Martimiano da Silva, não havia sinais de crime no local onde o corpo da jovem foi encontrado.
 
Com o caso da morte praticamente concluído, o investigador procurou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para que o órgão dê prosseguimento à apuração da denúncia que Ariadne fez sobre possível assédio cometido por um professor voluntário substituto da Faculdade de Direito da UnB. A advogada postou uma mensagem na própria página do Facebook em que denuncia o caso. O docente também é procurador do Distrito Federal. Em entrevista ao Correio, ele negou as acusações da jovem, que também estagiou em um escritório do qual é proprietário.
 
 
A previsão é que o delegado encaminhe ao MPDFT, até a tarde desta quinta-feira, cópia da ocorrência, além da perícia do local do crime e um laudo preliminar do exame necroscópico para que seja instaurado um procedimento em Brasília para investigar eventual crime praticado pelo professor. "O taxista que a levou até o local foi ouvido na manhã de hoje (quinta-feira). Refizemos o trajeto e, novamente, nos deslocamos até o endereço. O taxista contou que a deixou sozinha e que ela estava tranquila. Não teria feito nenhum comentário e seguiu quieta”, explicou Diego Martimiano.
 
Ele revelou, ainda, que policiais encontraram na bolsa da jovem um cartão de um psiquiatra de Brasília. Uma equipe telefonou para o especialista que confirmou ter feito atendimentos a Ariadne em 2014. "Ele contou que ela tinha um quadro de depressão crônica e deveria fazer uso de medicamentos, mas, segundo o psiquiatra, a moça teria dito que não precisava e não fez uso dos remédios adequados", alegou. "O que de fato tem é essa situação que precisa ser analisada com mais detalhes", acrescentou.

Família 

O local onde o corpo foi encontrado é um espaço turístico que atrai pessoas do Brasil inteiro para registrar a paisagem em fotos. O mirante possui um paredão alto de pedra, mas o delegado não sabe qual a altura do penhasco. "O local é de difícil acesso e, inicialmente, o tio dela reconheceu o corpo. Para não vitimar ainda mais a família, vamos aguardar que o velório e o sepultamento sejam realizados para ouvir os pais da jovem", explicou.
 
Até o início da tarde desta quinta-feira, não havia informação de onde o velório e o enterro seriam realizados: se em Brasília ou em Cuiabá, já que a família tinha parentes na capital mato-grossense.

Universidade

O reitor da UnB, Ivan Camargo, comentou o caso em entrevista ao Correio. Ele disse que as primeiras informações são de que o procurador do Distrito Federal Rafael Santos de Barro e Silva é educador voluntário substituto da universidade. O dirigente não anunciou nenhuma ação contra o advogado, sob alegação que a reitoria está ocupada há 10 dias pelo movimento contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita gastos públicos por 20 anos. Mais tarde, no entanto, a direção da Faculdade de Direito decidiu afastar o docente, iniciativa endossada pela reitoria.
 
"O que há é uma clareza do tamanho dessa tragédia. É um choque, mas, ainda, muito cedo para qualquer tipo de manifestação. Infelizmente, estamos em uma situação de ocupação em que não conseguimos fazer nossas ações básicas administrativas. Por isso, temos dificuldade de tomar qualquer atitude para investigar este caso", informou Ivan Camargo.
 
O sentimento, para o reitor, é de perplexidade. Ele destacou que confia na Polícia Civil para que esclareça, do ponto de vista investigativo, o que aconteceu. "Não estou em condições de fazer qualquer verificação nem entrar em contato com a Faculdade de Direito, mas estamos bastante chocados", garantiu.

Caso Louise

Ele relembrou, ainda, o feminicídio em 10 de março, cometido pelo estudante de biologia Vinícius Neres contra a universitária Louise Maria da Silva Ribeiro, 20 anos, dentro de um laboratório do curso. "Claro que é sempre muito prejudicial para a imagem da instituição, mas nossa comunidade é muito grande. Temos muitos professores, servidores e alunos. Tivemos a tragédia no início do ano e a universidade tem feito todas as ações pedagógicas, encontros, palestra e aulas magnas sobre esse assunto. Precisamos discutir esse tema", destacou.

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marcelo
marcelo - 11 de Novembro às 08:07
É uma questao etica nao se envolver com subordinados e/ou alunos, lamentavelmente o brasileiro despreza isso, mas com o historico psiquiatrico dela fica dificil saber se é verdade

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