Olimpíada do Conhecimento incentiva inovação a favor da moda

No segundo dia da 9ª Olimpíada do Conhecimento, grupo de competidores tenta se destacar no conceito de upcycling, responsável por reaproveitar peças antigas e torná-las atraentes comercialmente

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postado em 12/11/2016 11:28



As soluções de tecnologia para a indústria têxtil exigem cada vez mais métodos que reaproveitam peças usadas. A soma do “up” com cycling (de reciclagem) significa dar uma nova configuração a calças, blusas e vestidos que acabariam no lixo. A diferença é que o material a ser reaproveitado não precisa ser desfeito para renascer — como uma latinha de alumínio que passa pelo processo de reciclagem. O conceito norteou sete projetos apresentados ontem na 9ª Olimpíada do Conhecimento, no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson.

Em 13 áreas, a de vestuário e calçado é a quinta a mais oferecer postos de trabalho com a recuperação da economia. No próximo ano, segundo projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor demandará 970 mil vagas no Brasil. Entre as ocupações em alta, estarão as de costureiros industriais, mecânicos de máquinas de costura e modelistas. Os profissionais deverão estar preparados para os desafios da vida moderna, como a sustentabilidade na moda prêt-à-porter. A exigência de recursos ambientais é a principal celeuma desse mercado. Para se ter dimensão, a produção de uma nova peça em jeans consome 11 mil litros de água.

A reutilização com qualidade e originalidade dos materiais que merecem uma segunda chance requer um redesign inteligente. Muitas vezes, o produto torna-se mais prático, valioso e bonito. A professora de design de moda Silmara Gretter explica que o conceito upcycling é altamente comercial e rentável. Ela esteve à frente da criação de grandes marcas e aposta que a tendência é a reinserção dos materiais no mercado.

“Em qualquer loja de departamento, as peças seriam bem recebidas pelo consumidor”, avalia. O projeto é considerado modelo para as equipes competidoras.


Cinco alunos participaram da criação de vestidos, casacos e peças de uso múltiplo, como um casaco que vira mochila e itens para deficientes. O projeto apresentado pelo grupo de Santa Catarina recorreu a calças jeans e moletons usados como matéria-prima. Os botões, confeccionados em uma impressora tridimensional, arrematam a criação. O desafio era desenvolver três coleções: uma que integrasse a família, outra para o pet e uma última que confeccionasse materiais reutilizados.

Minervino Junior/CB/D.A Press


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As tesouras e as máquinas de costura dos competidores do Distrito Federal, de Minas Gerais, de Mato Grosso, do Rio de Janeiro, do Maranhão e de Pernambuco passaram a sexta-feira dando forma às roupas da disputa. O suor na testa e a correria no backstage são naturais ao cenário. A professora de modelagem e costura Ana Virgínia da Costa acompanha a equipe do Rio de Janeiro. Eles faziam um casaco na tarde de ontem.

“O novo profissional tem o desafio de frear o descarte, e isso é possível. Uma peça que não teve uma vendagem boa pode retornar à fábrica e se tornar outra completamente reconfigurada, sem exigir novos recursos”, acrescenta.


Destaque

Durante os dois últimos anos, a estudante mineira Rhany Rodrigues, 22 anos, se preparou para competir no desafio de moda e criação. A aluna de moda representará o Brasil em 2017 na etapa mundial da competição, em Abu Dhabi. Ontem, a jovem, que integra o seleto grupo Top One do país, recortava uma camisa. “A gente naturalmente fica ansiosa, mas o carinho e o perfeccionismo que a peça oferece são os diferenciais. Fazer bem-feito e bonito é o que torna a criação única”, conta. Em janeiro, ela deixa Divinópolis (MG) para morar no centro de treinamento a ser montado em Brasília.

Entre os mais de 15 mil espectadores que passaram ontem pelos 50 mil metros quadrados de competição, a professora Vânia Mota, 50 anos, observava os estudantes de moda. Sem conhecer o conceito upcycling, ela buscou dicas para tentar reproduzir em casa. “Tenho noção de costura. As calças velhas agora vão virar mochilas”, brinca. Além de encorpar o coro para evitar o desperdício de materiais que ainda têm utilidade, ela estimulou a criação dos estudantes.

Visite

Data: 10 a 13 de novembro
Local: Ginásio Nilson Nelson
Horário: das 9h às 17h
Entrada gratuita
Inscrições e
programação no site www.mundosenai.com.br/
eventos/olimpiada-do-conhecimento
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