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Confira a programação especial do Mês da Consciência Negra

No mês em que se celebra o Dia da Consciência Negra, conheça grupos e pessoas que fazem a diferença. Por meio de debates e ações, eles lutam contra o preconceito

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postado em 13/11/2016 08:00 / atualizado em 14/11/2016 16:56

Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press - 16/3/16


A data que faz referência à morte de Zumbi — líder do Quilombo dos Palmares — é celebrada por todo o Brasil. No Distrito Federal, não poderia ser diferente. Aqui, o Dia  da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, é esperado com festas e, principalmente, projetos de conscientização. E o que não faltam são grupos e pessoas preparadas para refletir sobre o papel do negro na sociedade. Formado desde 2007 por moradores de Ceilândia, o Jovem de Expressão é um deles.

Por meio de oficinas e aulas de dança, teatro e fotografia, o coletivo trabalha a questão de gênero. “A ideia surgiu quando vimos que a violência aqui, principalmente contra o negro, era muito alta. Sou jovem de periferia, mulher e negra. Acho importante mostrarmos nosso direito, já que muitos são negados”, conta a coordenadora do grupo, Rayane Soares, 24 anos.

Ao aliar arte, comunicação e terapia comunitária, a metodologia do Jovem de Expressão foi validada pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) como exemplo de boa prática. A equipe trabalha com o projeto Fala Jovem, um espaço em que pessoas expostas à violência dividem receios e propostas para melhorar a convivência em sociedade. Hoje, o coletivo conta com 10 pessoas. “Somos todos voluntários. Queremos multiplicar informações e aprendizado”, valoriza Rayane.

Quem também viu no preconceito uma oportunidade de exaltar a beleza da cor foi o estudante Ítalo Gabriel de Andrade, 17. Morador do Núcleo Bandeirante, o rapaz sempre gostou de fotografia e, ao ver uma amiga negra sofrer discriminação, colocou na arte o que lhe faltava em palavras. “A representatividade da mulher negra é enorme. Ela tem uma beleza que precisa ser reconhecida e acho que a fotografia pode fazer esse papel.” Ítalo contou com o apoio do colégio onde estuda e, ao lado de 10 jovens negras, produziu um ensaio fotográfico. As imagens serão exibidas, em 20 de novembro, para os alunos do Centro de Ensino Médio 1 do Núcleo Bandeirante, mas o estudante quer mais: ele e a diretora da escola tentam uma parceria com a administração regional para levar o projeto a toda a cidade.

Uma das meninas que desenvolveu o projeto em parceria com Ítalo e foi fotografada pelo estudante é Luanna Beatriz dos Santos, 17. Para ela, participar de algo assim deixa marcas e orgulho. “Não podemos nos esconder. Meu cabelo, meu nariz, meus traços, tudo isso me representa. Quando estamos todas juntas fazendo um ensaio, mostramos que também somos maravilhosas.”

A falta de empoderamento da mulher também fez com que Andressa Cavalcante, 30, Anna Bárbara, 23, Wemmia Anita, 27, e Xênia Rodrigues, 28, moradoras de Ceilândia, criassem o coletivo Maria Perifa. As quatro, ao lado de outras participantes, discutem como é ser uma mulher, negra ou não, vivendo na periferia. “Nós nos conhecemos em um sarau e começamos a nos reunir com o objetivo de realizar intervenções políticas e estimular outras mulheres a participarem disso tudo. Hoje, temos várias histórias interessantes para contar”, comemora Andressa.

O coletivo tem projetos de oficinas em escolas públicas, postos de saúde e ONGs. As integrantes também organizam saraus de poesia e, atualmente, desenvolvem ações com o Programa Justiça Comunitária, do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), com a proposta de estimular a comunidade a desenvolver mecanismos próprios de resolução de conflitos.

Além da conscientização, a Secretaria Adjunta de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmish), em parceria com a sociedade civil, impulsiona atividades de capacitação, teatro, música e pintura com a temática durante todo o mês. O DF também deve contar com algumas mudanças, como a criação de um curso de capacitação de servidores que promovem a igualdade racial, a inauguração do primeiro Plano Distrital de Igualdade Social e a elaboração do programa Ubuntu, que acrescentará no Itapoã, em Varjão e em Ceilândia núcleos de gênero e raça. Lá, ocorrerão atividades como acolhimento das vítimas de racismo, orientação contra preconceitos e violência contra a mulher, rodas de debates e seminários. 

Preconceito
Entre janeiro e setembro, foram registradas pelo GDF 14 denúncias de casos de discriminação étnico-racial, dessas:
11 foram por discriminação 
2 por discriminação contra a juventude
1 por discriminação em órgãos/instituições

Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press - 16/3/16

Programe-se


Fique ligado na programação especial para o Mês da Consciência Negra:

Divulgação da PED sobre os negros no mercado de trabalho do DF
Em comemoração ao Dia da Consciência Negra, o Dieese divulga estudo sobre a inserção produtiva dos negros no mercado de trabalho, com o objetivo de verificar a discriminação racial prevalecente no mercado de trabalho do DF
Quando? Quinta-feira
A que horas? Às 10h
Onde? Sede da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos
Entrada franca

Seminário Internacional de Populações em Vulnerabilidade
O evento tem como objetivo conscientizar a comunidade em geral e as populações em vulnerabilidade sobre seus direitos como cidadãos, relativos à própria saúde
Quando? Quarta e quinta-feira
A que horas? Às 9h
Onde? UnB
Entrada franca

Favela Sounds
Primeiro Festival Internacional de Cultura de Periferia realizado no Brasil, que promete agitar a cidade com debates, oficinas e shows, em que sons das comunidades do mundo inteiro se encontrarão na pista
Quando? De amanhã até sábado
Onde? Museu da República e Regiões Administrativas (Mestre d’Armas, Samambaia, São Sebastião e Ceilândia)
Entrada franca

Mostra de pintura
Evento contará com 40 pessoas, que farão as pinturas como forma de refletir sobre o racismo
Quando? De amanhã até sexta-feira
Onde? Museu Vivo da História Candanga
Entrada franca

Documentário Nossos Direitos
Lançamento do documentário produzido pelo videoartista Lucas Rafael, com coprodução de Alisson Lopes
Quando? Quinta-feira
A que horas? Às 20h
Onde? Zahia Café — Quadra 301 do Setor Sudoeste, entre os bloco B e C
Entrada franca

Café da manhã com as Mulheres Negras do Varjão
O evento tem como objetivo ampliar e fortalecer as lutas e valorizar a identidade das mulheres negras, debatendo sua atual condição nas regiões administrativas do Distrito Federal
Quando? Sábado
A que horas? Às 10h
Onde? Casa de Cultura do Varjão
Entrada franca

Dia Nacional da Consciência Negra – OAB
O evento pretende promover discussões sobre as violações aos direitos da população negra, o enfrentamento do racismo, mais oportunidades para ascensão socioeconômica dos afro-brasileiros, entre outros temas
Quando? Próximo domingo
A que horas? Às 10h
Onde? Taguaparque
Entrada franca.

Sernegra
A Semana de Reflexões sobre Negritude, Gênero e Raça (Sernegra), com exibição de filmes como Mulheres negras: projetos de mundo e Das raízes às pontas, além de roda de conversa com as diretoras Day Rodrigues e Flora Egécia.
Quando? 20, 21 e 23 de novembro
A que horas? Às 16h (domingo), às 9h30 (segunda-feira) e às 9h30 (quarta-feira)
Onde? Cine Brasília
Entrada franca

Espetáculo Mosoró Dayo — Grupo Obará
Trazendo aos palcos a nossa ancestralidade por meio da corporeidade, o Grupo Cultural Obará realiza uma nova temporada com o espetáculo Mossoró Dayo, no qual apresenta dança, teatro, cantos em iorubá e a música para falar do negro e da cultura afro-brasileira.
Quando? 22 e 23 de novembro
A que horas? Às 15h
Onde? Teatro Unip Ulysses Guimarães, SGAS Quadra 913, s/nº, Conjunto B
Entrada franca

Palestra Racismo Institucional
O evento tem como objetivo a capacitação para servidores do Metrô sobre a promoção da igualdade racial, bem como difusão do conhecimento básico a respeito de normas e leis pertinentes ao combate ao racismo institucional, com o professor Mário Theodoro
Quando? 23 de novembro
A que horas? Às 10h.
Onde? Auditório da Sede do Metrô-DF, na Av. Jequitibá, 155, Águas Claras.
Entrada franca

Desfile Beleza Negra
A iniciativa tem como missão o combate ao racismo e à discriminação no mercado da moda e na mídia de um modo geral
Quando? 23 de novembro.
A que horas? Às 17h
Onde? Estação Central do Metrô
Entrada franca

Denuncie
Se você sofreu alguma discriminação, denuncie. O Disque Racismo funciona no número 156, opção 7. Além de receber denúncias, disponibiliza várias informações ao cidadão.


 

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