Por que a energia solar pode ser a solução para a crise hídrica brasileira

No Distrito Federal, praticamente 100% da energia vêm de duas grandes usinas hidrelétricas

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postado em 13/11/2016 08:05 / atualizado em 13/11/2016 10:47

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press


A opção pela energia solar é uma tentativa de diversificar a matriz energética brasileira, atualmente concentrada em hidrelétricas. No Distrito Federal, por exemplo, praticamente 100% da energia vêm de duas grandes usinas: Itaipu e Furnas. Assim, as micro e minigerações seriam uma opção para diminuir a dependência da água para a produção da eletricidade, o que poderia impactar na crise hídrica vivida pelo país em localidades como o DF, o Nordeste e São Paulo, uma vez que sobraria maior vazão nos rios e eles poderiam ser usados no abastecimento.

Estudos mostram que até 2040 haverá uma redução de 40% dos mananciais do país por causa do aumento do consumo de água e da diminuição das chuvas. Em compensação, o consumo de água e energia deve dobrar no Brasil. Por isso, é urgente pensar em outras formas de gerar eletricidade. Os sistemas brasileiros estão trabalhando no limite. A analista de conservação do programa de Mudanças Climáticas e Energia da WWF, Alessandra Mathyas, dá como exemplo a usina de Sobradinho, na Bahia. Ela conta que a vazão é de 800m³/s, entretanto, por causa da estiagem, o rio vem recebendo de reposição de água apenas 400m³/s, o que significa que há um deficit. “Por isso, os reservatórios estão abaixando”, explica.

Além da questão hídrica, a microgeração solar é uma opção para a redução da emissão de carbono, uma vez que poderia ser uma alternativa a outras formas de gerar energia, como termelétricas, que usam combustível fóssil — extremamente poluente. “O setor elétrico é muito conservador, ele está acostumado com o modelo: falta água, ligo as térmicas. Esse é um sistema passado, precisamos de energia limpa”, defende Rafael Shayani, professor de engenharia elétrica da UnB. A preocupação dos ambientalistas é com a Medida Provisória 735, aprovada pelo Congresso este ano, que mantém o incentivo às termelétricas, mas não apoia energias limpas, como a solar.

Outra vantagem do sistema solar é a diminuição da perda na transmissão. Como a energia é gerada próximo ao local de consumo, não há perda no transporte. No sistema de grandes hidrelétricas, como Itaipu e Belo Monte, até atingir o consumidor final, a perda chega a 15%, uma vez que as linhas de transmissão são longas. No sistema fotovoltaico, o impacto ambiental são as placas de silício e o lixo eletrônico, mas a durabilidade dos equipamentos é superior a 25 anos e as peças podem ser reaproveitadas.

Facilidades e entraves

Embora o Brasil tenha sol praticamente o ano todo, a energia solar como possibilidade energética é recente no país. As resoluções da Aneel uniformizando o tema têm apenas quatro anos. Somente este ano, passou a valer a possibilidade de compartilhar a energia com as unidades de um condomínio, o prazo de uso do crédito foi alongado de três para cinco anos e a potência gerada permitida aumentou. O período de análise do projeto pela concessionária também diminuiu, assim como veio a obrigatoriedade de discriminar a quantia de energia injetada na rede e o gasto pelo consumidor. “A legislação é boa e vem caminhando. Mas ainda há passos para avançar”, analisa Alessandra Mathyas, da WWF. Para ela, a impossibilidade de o consumidor vender a energia para a concessionária ainda é um empecilho.

Com a melhora na legislação, o foco está no financiamento e na tributação. Ainda há quatro estados brasileiros que cobram imposto de quem gera a energia — Paraná, Acre, Espírito Santo e Roraima. Alguns bancos até têm linha de crédito, mas os juros são altos. Apenas agricultores familiares contam com juros subsidiados para energia solar. E o investimento ainda é alto — em média, de R$ 30 mil a R$ 60 mil em uma residência. As concessionárias também estão se adaptando. A CEB, por exemplo, ainda faz a fatura manualmente porque não conseguiu modernizar o sistema. Por isso, há meses que os consumidores não recebem a conta detalhada como deveria.

Mateus de Sordi é proprietário da Smartly Energia Solar Fotovoltaica. Ele conta que sentiu aumento na demanda por contratação do serviço em Brasília do ano passado para este. Segundo ele, o incremento não foi maior porque a alta do dólar encareceu os sistemas, uma vez que as placas são importadas. Entretanto, o tempo de retorno do investimento de cinco a oito anos e a falta de linhas de crédito têm atrapalhado o mercado em potencial. “A gente tenta criar as melhores condições para o cliente, mas, por ser um investimento alto, é preciso um olhar do governo”, acredita. “A microgeração está quebrando um paradigma gigantesco, de o consumidor receber uma conta e pagar. Agora, ele pode tomar decisões”, acredita.

Para a WWF, o tema vem crescendo no Brasil. Antes, as concessionárias de energia elétrica se recusavam a falar sobre isso. Hoje, o discurso é de adaptação das receitas. “A CEB, por exemplo, tem que se adaptar aos novos mercados. Não tem como fugir”, defende Marcelo Meloni, superintendente de Faturamento e Garantia de Receita da CEB.

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Adeilsa
Adeilsa - 13 de Novembro às 09:38
Brasil atrasado, capital da república, Brasília, de atrasados.
 
José
José - 13 de Novembro às 09:25
Pois é ! Com um campo desse porte E NOSSOS EMPRESÁRIOS só a espera para abocanhar subsídios, paralisar produção e demitir empregados / subempregados !