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Estudo: energia solar em 0,41% do DF seria suficiente para toda a população

Estudantes da UnB, em parceria com a WWF, mapearam os telhados da capital que poderiam receber as placas fotovoltaicas

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postado em 13/11/2016 08:03

Flávia Maia

Flávia Maia/CB/D.A Press


Brasília é uma cidade conhecida mundialmente por ser de vanguarda. Dos prédios monumentais às tesourinhas como opção de retorno, a capital do Brasil nasceu com a missão de sempre estar à frente. Por isso, é o momento de trazer para si conceitos atuais das mais modernas metrópoles mundiais. Entre eles, o de envolver o cidadão em questões antes controladas apenas pelo Estado, como a produção de energia elétrica. Uma das principais potencialidades da cidade é a energia solar. Usando apenas 0,41% da área correspondente ao território do Distrito Federal, seria possível gerar energia elétrica para toda a demanda da população. Para a instalação dos equipamentos, não são necessários novos espaços, apenas uso dos telhados existentes.

Por causa da boa irradiação solar, é necessário à instalação de painéis de captação em uma área correspondente a 24km² — metade de uma região administrativa como o Guará. Se o DF tivesse a quantidade suficiente de placas, seria possível diminuir a dependência da energia vinda de hidrelétricas. As informações são do estudo Potencial da Energia Solar Fotovoltaica de Brasília, desenvolvido pela organização não governamental WWF-Brasil, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), e obtido com exclusividade pelo Correio.

Pesquisas mostram que o Brasil é um dos países que mais têm potencial de geração de energia elétrica via solar. Para se ter uma ideia, o pior cenário brasileiro de irradiação solar é superior aos melhores índices da Alemanha, país referência na produção de energia elétrica por painéis fotovoltaicos. A média anual de geração por painel instalado no Brasil varia de 4,25 a 6,25kWh/m².

Mesmo assim, a produção brasileira é baixíssima. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), são 5.437 projetos de energia solar no Brasil — a agência tem uma ambiciosa projeção de 1,14 milhão até 2024. “A energia solar é uma opção viável e real. Há seis anos, a eólica não era nada, hoje, é 6% da matriz energética brasileira. O solar ainda é menos de 1% e a tendência é crescer. Os dados de irradiação são bons e há muitos telhados disponíveis no país”, justifica Hugo Lamin, assessor da Superintendência de Regulação dos Serviços de Distribuição da Aneel.

O Distrito Federal segue a tendência brasileira de bom desempenho de produção da energia solar. Na capital da República, a média anual é de 5,8kWh/m², segundo dados da WWF e da UnB. A arquitetura também ajuda na produção solar de energia: o tombamento volumétrico da cidade permite que haja pouco sombreamento entre os prédios e casas, o que potencializa as áreas utilizáveis do telhado — a média é de 30% a 50%. As temperaturas máximas, em até 34ºC, também contribuem para que os equipamentos tenham melhor eficiência e durabilidade.

Além disso, a capital conta com uma alta renda per capita, o que permite o alto investimento — ainda um dos principais entraves para o pleno desenvolvimento da energia solar no país. “Brasília tem condições perfeitas: insolação alta, pouco sombreamento, nível alto das classes econômicas que poderiam investir nisso, todas as características para o DF ser referência como cidade solar”, explica André Nahur, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.

Potencial

O professor de engenharia elétrica da UnB Rafael Shayani organizou o grupo de 16 alunos que fez o mapeamento dos telhados das asas Sul e Norte, dos lagos Sul e Norte, do Park Way, do Sudoeste e do Cruzeiro. Eles usaram o Google Earth e visitaram as regiões para analisar a potencialidade dos telhados. O levantamento mostrou que é possível aproveitar a área entre 30% e 50%, uma vez que, no telhado, também tem caixa d’água, antenas. A partir dos estudos dessas regiões, foi possível fazer as projeções para todo o DF.
 
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