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Vera Agner, a professora que ensinou o amor

Com o seu jeito carinhoso e descomplicado de ensinar, a pioneira se tornou inesquecível para os alunos. Por 10 anos, lutou contra o câncer com serenidade

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postado em 22/11/2016 06:15 / atualizado em 21/11/2016 22:18

Otávio Augusto

Reprodução

 

A sala de aula foi a maior companheira de Vera Lúcia Agner, 73 anos. Ela era daquelas professoras entregues à arte de ensinar. Lecionava com o carinho de quem sentia prazer em ver a transformação do aluno. Felizmente, nunca duvidou da vocação e, por mais de 40 anos, acompanhou centenas de estudantes. Um câncer a separou do ofício. O sepultamento, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, reuniu, ontem, vários ex-alunos.

Aprender com a tia Vera, como os estudantes a chamavam, era mais fácil. A gramática se tornava simples. Os cálculos, desmistificados. Vera era completa. Gostava de literatura e entendia de assuntos diversos. Desde o magistério, até as primeiras aulas no ensino primário, ainda na década 1970, Vera não parou mais.

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Durante dois anos, entre 2008 e 2010, o corretor de imóveis Gabriel Rebouças, 23 anos, recebeu aulas de reforço da professora. O tempo não bastou para ele esquecer o carinho de Vera. “Ela fazia com que a gente se sentisse à vontade. Lembro que os colegas disputavam as aulas dela”, conta. Ontem, ele participou do sepultamento da ex-professora.


Vera era resignada. Mantinha-se sorridente e otimista até diante da doença. A morte do marido, há cinco anos, também não tirou a alegria que carregava consigo. O tom de voz era sempre calmo e baixo. A paciência para gerenciar momentos de crise se destacava. Em momentos de maior dificuldade, ela se recolhia, mas logo retomava a rotina.

Dedicava-se à harmonia e orgulhava-se das relações sólidas e duradouras que construía. Na verdade, não havia quem não se rendesse a uma longa conversa com Vera. Culta, era amante dos livros. “A alegria e o sorriso aberto conquistavam a todos”, reforça a jornalista Socorro Ramalho, 49, nora de Vera.

A professora era quem unia a família. Nunca se ausentou dos aniversários dos dois filhos, um deles Marcelo Agner, editor de primeira página do Correio, e dos oito netos. Ensinava com naturalidade o que era amar. “Ela era sempre muito presente. Discreta, mas sempre estava lá”, completa Socorro.

Convivia com os dilemas do câncer, entre melhoras e recaídas, havia mais de 10 anos. A doença começou na mama e se espalhou pelo corpo. Minutos antes de se despedir, Marcelo ressaltou as características da mãe. “Como ela cuidava da gente. Ultrapassava o limite do humano”, disse a familiares.


Amor à religião


Desde fevereiro de 2014, Vera era reverenda do Templo Luz do Oriente — da doutrina Messiânica. Pela sabedoria dela, os ensinamentos da religião chegava a quem mais necessitava. Queria uma religião aberta, sem tabu. “Estamos de portas abertas, para receber a todos, independentemente de raça, credo ou condição social”, escreveu em uma de suas mensagens como líder espiritual.

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