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Simpósio em Brasília discute como manter-se ativo após os 60 anos

Para Margô de Oliveira, vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do DF (CRF/DF), a sociedade está acostumada a associar tudo o que é velho ao improdutivo: "Não é essa a ideia"

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postado em 22/11/2016 06:06 / atualizado em 22/11/2016 07:29

Priscila Botelho , Roberta Pinheiro -especial para o Correio

 

As mãos enrugadas. Os cabelos ralos. Nas costas, algumas dores. Um peso de quem carrega experiências, conhecimentos e vivências. Os anos passam e a velhice é a fase da vida mais próxima da finitude. Mas por que negar as possibilidades desta etapa? É preciso empoderar-se e aprender a enxergar as belezas nas rugas. Trazer ao idoso essa nova perspectiva é a proposta do I Simpósio Internacional do Envelhecimento e do I Encontro de Gerontologia do Conselho Regional de Farmácia do DF (CRF-DF), que ocorre, até quarta-feira (23/11), no Auditório Central do Centro Universitário Iesb, da Asa Sul.

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Aos 77 anos, o barbeiro Antônio Barbosa segue firme e forte no seu posto de trabalho de segunda a sábado. Com ele, não tem tempo ruim. Antônio passa o dia todo em pé. A tal velhice, para ele, não é sinônimo de problema. Na verdade, é a fase das realizações na vida e o momento em que se conquista tudo o que foi plantado ao longo dos anos. “Chegar até aqui é uma dádiva de Deus. Não tive nenhuma crise, aceitei esse novo momento de peito aberto. Já realizei os meus sonhos, agora, quero aproveitar ao máximo a vida e continuar fazendo o que amo”, afirma. Antônio se aposentou aos 53 anos, mas não quis deixar a profissão de lado. Ele aproveitou o tempo livre e abriu o próprio negócio, no qual trabalha até hoje, no Setor de Rádio e TV Sul. A barbearia é a maior terapia para o corpo e a mente. Eu me sinto muito feliz”, comenta. E, para aguentar o ritmo e as muitas horas em pé, Antônio preza por um bom estado de saúde e por uma boa qualidade de vida. Caminhadas, abdominais e o cuidado com a alimentação são essenciais.

Breno Fortes/CB/D.A Press


Energia é algo que não falta para José Muniz de Sousa, 70 anos. Vindo do Maranhão, em 1972, ele trabalhou em hotel, restaurante, bar, colégio agrícola e tocou sino em seminário. “Mas ainda não morri. Quero construir um teatro e deixar uma chácara com todo o tipo de planta para a minha família”, acrescenta. José é aluno da Universidade do Envelhecer, programa da Universidade de Brasília (UnB) que busca trazer ao idoso uma nova perspectiva do envelhecimento. Nas palestras, não se deu muito bem com o inglês e com a internet. Contudo, apesar da visão gasta e dos problemas de artrite, realizou-se no teatro, na música e na homeopatia. “Aprendemos a cuidar e a lidar com as plantas”, explica. Basta colocar uma música ou falar das origens, que o pé começa a mexer e as palmas vão surgindo. José também descobriu na universidade uma relação de troca com os mais novos. Como alunos de graduação e pós-graduação participam do projeto, eles estão em constante contato com os idosos. “Eles aprendem coisa conosco e nós com eles. Nós somos raízes”, diz.

Ao fim do curso na Universidade do Envelhecer, os idosos saem com diploma de educador social e político do envelhecimento humano. São orientados e podem voltar ao mercado de trabalho. Em sala de aula, eles aprendem sobre direito e cidadania, envelhecimento e saúde, qualidade de vida, políticas públicas e saúde, além de atividade física, dança, arte, artesanato, entre outros. “Todos vamos envelhecer. Se não começarmos a cuidar dos outros, como vão nos tratar? Eles chegam como anônimos e passam a ter voz e fala. É um processo de aprendizado. Um processo de empoderamento, para que eles pertençam à sociedade, sintam-se respeitados e sejam atores do próprio envelhecimento”, explica a gestora do projeto, a enfermeira Silvana Funghetto.

Produtivos


Para Margô de Oliveira, vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do DF (CRF/DF), a sociedade está acostumada a associar tudo o que é velho ao improdutivo. “Não é essa a ideia. Precisamos reeditar a velhice e vê-la como ela é. A melhor idade, por exemplo, varia para cada um. Precisa haver uma desmistificação da velhice. Tem que ser bonito enrugado”, argumenta. A terceira idade é uma fase da vida com perdas fisiológicas, mas ganhos de experiências e vivências. Uma etapa com limitações, porém com possibilidades e é preciso aprender a aproveitar as vantagens. “O empoderamento da maturidade é fazer enxergar as possibilidades da velhice. A educação ajuda nisso”, acrescenta.

 

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