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Por conta da ocupação na UnB, estudantes temem perder vagas de estágio

Alunos dependem da assinatura da universidade, que está ocupada há 24 dias, para conseguirem trabalho

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postado em 23/11/2016 18:26 / atualizado em 23/11/2016 21:22

Wellington Hanna*

	Hugo Gonçalves/Esp. CB/D.A Press

Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) que têm pendências no contrato de estágio estão com medo de perderem vagas de trabalho por conta das ocupações que ocorrem na instituição desde o último dia 31. O temor existe porque, com o movimento que pede o fim do Projeto de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos, a universidade está ocupada e os servidores estão impedidos de entrar nas instalações onde ocorrem a análise dos contratos.

A estudante de Letras, Dayanne Soares, 25 anos, está desesperada com a situação. A jovem estagia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde abril, mas como já se passaram mais de seis meses que ela presta serviço no mesmo local, o órgão exige a renovação do contrato de estágio junto à UnB para que Dayanne continue recebendo a bolsa, de R$ 1250,00. "Minha família depende do dinheiro do meu estágio. Sem ele não vou conseguir pagar o aluguel da minha casa. Já não sei o que fazer", indigna-se.

Ela conta que tentou apresentar à universidade a sua situação, mas não recebeu retorno. "Enviei um e-mail para o órgão responsável pelo estágio, mas acho que pela complexidade da minha situação, ninguém me respondeu", recorda. "A ocupação prejudica os alunos mais pobres. Aqueles a quem esse movimento diz que quer ajudar", afirma.

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Situação semelhante a de Dayanne é a de Letícia Silva, 22 anos. A estudante de Ciência Política teme ser desligada do estágio no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) porque não conseguiu a assinatura da UnB que comprova que ela é aluna regular. "Se eu não conseguir esse documento até terça-feira (29/11), acabou. Terei que sair do estágio", lamenta. Ela, porém, não culpa o movimento de Ocupação pelo caos nos contratos de estágio. "Isso é responsabilidade da UnB. Eles teriam que resolver isso", comenta.

Tentando ajudar colegas que se encontram na mesma situação, uma acadêmica da UnB que não quer se identificar com medo de represálias, criou um abaixo assinado para pedir que o serviço de assinatura de estágio seja restabelecido. São 18 assinaturas na lista física e mais de 40 na virtual. "Quem assina são estudantes em situação de desespero, que precisam do dinheiro do estágio. É lamentável que passemos por isso", afirma. A estudante disse que enviou o abaixo-assinado para a reitoria da instituição, mas ainda não recebeu nenhum retorno.

O Correio entrou em contato com a assessoria de imprensa da Universidade de Brasília, mas o órgão informou que por conta da ocupação eles não conseguem sequer acessar os dados que estão no computador da reitoria, que está ocupada, para explicar o que está acontecendo.

Já o movimento Ocupa UnB disse por meio de nota que "está se reunindo e negociado com a Reitoria para liberar contratações de estágio, assim como liberação de pagamentos de salário de professores, servidores e terceirizados e bolsas de assistência estudantil".

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