Bloco Vilões da Vila espera arrastar 1,5 mil foliões este ano

Nome do bloco, que desfilará pela sexta vez em 2017, é um trocadilho com os moradores das vilas da Idade Média

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postado em 19/01/2017 06:00 / atualizado em 03/02/2017 12:45

 
 
Quase todo bloco de carnaval surge em uma mesa de bar ou em um bate-papo entre amigos. Nesse caso, não foi diferente. Em uma noite de 2011, os amigos João Roberto Costa, 56 anos, e Yuli Hostensky, 35, conversavam na varanda dos respectivos apartamentos, que ficavam lado a lado, na Vila Planalto. A madrugada já ia alta quando veio a ideia. Como na região há uma escola de samba, por que não criar um bloco para acompanhá-la? Assim surgia os Vilões da Vila, que fez a estreia na folia candanga naquele ano. E o sucesso foi tanto que, na sexta edição, a agitação deve atrair cerca de 1.500 pessoas da comunidade, regada a muita música e diversão.
No início, os organizadores ficaram receosos em como o nome escolhido repercutiria entre os foliões. Por que Vilões? João Roberto, ou Joãozinho da Vila, como é conhecido no meio cultural, explica que o conceito faz referência a um termo usado na Idade Média. Antigamente, quem morava em vilas carregava essa nomenclatura. “Aproveitamos, então, a palavra para brincar um pouco. Usamos desse duplo sentido, de morador da região e de personagem de filmes e novelas que são vistos como malvados.” O bloco carrega o lema: Quem não sobe o morro e não desce a ladeira, o melhor carnaval está nas ruelas da vila.

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press


Originalmente construída para abrigar os trabalhadores que vieram de outras regiões do país para levantar a nova capital, a Vila Planalto deveria ser demolida e os moradores, relocados para outras regiões. Por isso, o local abriga algumas peculiaridades, como as ruas muito estreitas. O impacto que a presença dos foliões causará no local é uma das principais preocupações dos organizadores do bloco. “A gente tem um respeito muito grande pela comunidade. Como se trata de uma região que sempre foi considerada provisória, a Vila tem as suas precariedades. Não suporta, por exemplo, muitos carros ou um aglomerado de pessoas, como os grandes blocos da cidade. Portanto, nós nos consideramos um bloco pequeno, e queremos continuar sendo pequeno”, alega João Roberto.

A essência é que a festa seja feita para a comunidade. Assim, os primeiros convidados a cair na folia são os moradores, seguidos de artistas locais. Também é tradição que o convite se estenda a alguma outra agremiação da cidade para acompanhar o desfile. Este ano, o Vilões da Vila terá a companhia da bateria do mais tradicional bloco de Brasília, o Pacotão. No repertório, muito samba e também um toque de frevo e maracatu. Em todos os desfiles, os organizadores também fazem questão de manter uma tradição: os foliões vão até a casa dos pioneiros da Vila para homenageá-los e presenteá-los. Os regalos variam de acordo com o tema escolhido para cada ano.

Esquenta

Mas não é preciso esperara até o sábado de carnaval para cair no samba. Há um ano, quando o Vilões da Vila criou a própria bateria, os sábados passaram a ser sagrados para os participantes do bloco. O motivo? É o dia em que a bateria, base da agremiação, ensaia. Os encontros ocorrem sempre às 10h, debaixo da mangueira que fica na entrada do BayPark. Cleon Homar, 50 anos, faz parte da formação inicial do grupo. “A festividade que promovemos é muito importante para o lado cultural da Vila. Porém, infelizmente, ainda nos falta apoio. Nó nos preparamos o ano inteiro para trazer alegria para a comunidade.”

O fazendeiro Orlando Ribeiro, 61, brinca que entrou para o grupo para aprender sobre música. “Eu não tinha ritmo nenhum, agora já toco até direitinho. Às vezes, quando estamos ensaiando na época em que a mangueira está carregada, somos surpreendidos com uma fruta na cabeça”, brinca. O melhor de tudo é que os ensaios são abertos e, na mesma hora, ocorrem oficinas para quem tem interesse em aprender a tocar os instrumentos musicais. Um pouco da alegria do carnaval o ano todo.

Os desfiles

25 de fevereiro (sábado de carnaval)

Saída de Praça Nelson Corso
Das 14h às 22h

4 de março

Saída da Praça da Igreja do Rosário
Das 14h às 22h


Assista ao VÍDEO com o esquenta dos foliões do Vilões da Vila no tablet e no site do Correio
Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte*
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