Cidades

Comunidade de ciganos instalada no DF, próximo a Sobradinho, teme retirada

Grupo da comunidade Calon se reuniu com representantes do GDF para discutir situação do assentamento. Eles têm concessão gratuita para permanecer no local, mas não podem erguer edificações nem contam com permanência efetiva

Carolina Gama - Especial para o Correio
postado em 23/01/2017 21:59
Na reunião, o grupo foi instruído a pedir a inclusão da comunidade no propósito de zona específica de interesse social, para não perder o direito de permanecer no local
Na região do Córrego Arrozal, localizada próximo a Sobradinho I, um grupo de ciganos da comunidade Calon reivindica direitos básicos. Após terem recebido a concessão gratuita de uso da terra onde vivem há três anos, ainda se sentem inseguros com a possibilidade de retirada. O contrato, emitido, no ano passado, pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para o Governo do Distrito Federal (GDF) não garante aos moradores o direito a construir obras de alvenaria nem determina a permanência efetiva no local.

Representantes da SPU, da Secretaria de Estado de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh) se reuniram, na tarde desta segunda-feira (23/1), com os líderes da Associação Nacional das Etnias Ciganas (Anec) para debater as questões que envolvem o assentamento. O superintendente da SPU, Nilo Gonçalves, assegura que tudo o que compete ao órgão já foi feito. ;Em 20 de fevereiro, haverá uma audiência pública, promovida pelo GDF. É importante que eles estejam lá para pedir a inclusão dessa comunidade no propósito de zona específica de interesse social.;
Para o presidente da Anec, Wanderley da Rocha, a concessão é um grande avanço, mas segue o receio de serem tirados do local. ;Estaremos presentes na audiência, pois temos medo de perder nosso certificado. A gente só quer reconhecimento. Queremos ter direito de ter direito. E mostrar que somos capazes. Vivemos a vida toda viajando, hoje, podemos nos fixar, queremos mostrar que viemos para ficar;, afirma. A comunidade, formada por 70 pessoas, das quais 28 são crianças e adolescentes, já tem registro no Cadastro Único e recebe apoio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do DF (CREA) e do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS).

O subsecretário da Sedestmidh, Victor Nunes, que acompanha a causa cigana desde 2015, explica que o GDF reconhece extraoficialmente a comunidade como etnia e assentamento e declara que não há empecilhos legais que impossibilitem a certificação. ;Uma coisa urgente é a construção de banheiros, por se tratar de uma necessidade básica. Fizemos um diálogo com a Fundação Nacional de Saúde, que se comprometeu em fazer melhorias sanitárias domiciliares, como poços artesianos, fossas sépticas e também construir áreas de banheiros e cozinhas em cada uma das barracas que estão assentadas lá;, pondera.
*Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

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