Dois milhões de foliões são esperados no carnaval de Brasília

Governo tem incentivado blocos e agremiações a buscar apoio da iniciativa privada e garantir a animação; Aparelhinho faz uma festa, no próximo sábado, em busca de recursos

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postado em 01/02/2017 06:00 / atualizado em 03/02/2017 12:32

Antonio Cunha/CB/D.A Press
 
 
Quase 2 milhões de foliões devem tirar as fantasias do armário e participar do carnaval de Brasília este ano — bem mais que aqueles 400 mil que ganharam as ruas em 2014. Para atender esse crescimento, a Secretaria de Cultura busca apoio da iniciativa privada. A estimativa é que, em 2017, sejam gastos R$ 556 mil dos cofres públicos — metade do que foi investido no ano passado. O dinheiro será usado com estrutura, 12 grupos de artistas e seis escolas de samba, que devem se apresentar em dias e locais ainda não definidos. Já por meio da Lei de Incentivo à Cultura, pela qual cidadãos e empresas podem aplicar dinheiro para um projeto cultural, devem ser alocados R$ 1,5 milhão, que ajudarão 45 blocos alternativos e tradicionais.
 
 
De acordo com o secretário de Cultura, Guilherme Reis, os recursos locais são inferiores à demanda da população, e é necessário que os blocos carnavalescos consigam patrocínio. “Seria ingênuo a gente pensar que o modelo 100% financiado pelo Estado possa perdurar. Precisamos e queremos colaborar para que agremiações, escolas de samba tradicionais e blocos de rua consigam angariar recursos de forma independente. Eu não estou dizendo, porém, que não cabe ao Estado apoiar o carnaval”, afirmou.
 
 
 
Ao todo, 118 blocos se cadastraram no sistema — 61 deles no Plano Piloto e 57 em outras regiões administrativas. Outros 190 eventos também se registraram para buscar incentivos. Segundo a secretaria, os 12 grupos de artistas que devem se apresentar no carnaval vão passar por um chamamento público para ser escolhidos. “Também estamos trabalhando em duas portarias, no sentido de regularizar o apoio das iniciativas privadas aos blocos carnavalescos”, explicou Reis.

O secretário adjunto de Turismo, Jaime Recena, acredita que o carnaval é um momento importante na movimentação de turistas. E já é possível perceber que a folia de Brasília tem atraído cada vez mais pessoas de fora da cidade. Para Recena, um dos motivos é que a capital reúne uma diversidade de festas e ritmos que não ocorre em outra região. Com isso, o setor hoteleiro cresce, assim como o consumo em bares e restaurantes, e o dinheiro investido volta para o Estado. “O nosso trabalho tem sido facilitar, promover e estimular esses blocos para que eles continuem sendo criados e garantam a alegria do folião.”


Aparelhinho

Foi justamente para levar diversão ao brasiliense que o Coletivo Criolina decidiu criar o bloco Aparelhinho, há seis anos. Com uma mistura de músicas de origem africana, caribenha e brasileira, a ideia do bloco é colocar o mundo inteiro dentro de uma caixa de som de DJ e sair andando pelas ruas da cidade. Para tanto, o grupo separou um carrinho de madeira, colocou som e fez a primeira folia rolar em 2012. “Eu comecei a esboçar no caderno um carrinho que pudesse levar o equipamento do DJ para onde ele quisesse ir. A comparação é com um instrumentista que quer sair por aí tocando”, explica Rafael Ops, um dos fundadores do bloco.

Em vez do tradicional trio elétrico, a grande diferença do Aparelhinho é trazer os DJs Rafael Ops, Pezão e Rodrigo Barata para comandarem a festa. A novidade deste ano é que o bloco vai contar com uma estrutura maior. Assim, eles conseguem chamar a atenção dos mais de 10 mil foliões esperados no Setor Bancário Sul na segunda-feira de carnaval. A concentração será às 15h.

Na opinião da produtora do bloco, Paula Rios, um dos problemas que os organizadores ainda encontram quando se trata de carnaval é a burocratização na hora de colocá-lo na rua.  “A gente sempre tem que correr atrás de licença, alvará, ir ao juizado. O governo ainda não conseguiu diminuir a burocracia para que a gente possa colocar o bloco numa boa”, afirma. Para conseguir o dinheiro necessário da estrutura, a equipe está promovendo uma festa pré-carnavalesca no próximo sábado, no Espaço Canteiro Central do Setor Comercial Sul, às 19h.


Lei do silêncio

Outra mudança que tem sendo discutida, às vésperas da folia de Momo, é a construção de uma alternativa à Lei do Silêncio (leia mais sobre o assunto na capa do Diversão & Arte). De acordo com o secretário Guilherme Reis, o governo deve assinar nos próximos dias uma série de propostas mais modernas que a antiga legislação. “Está em curso a construção e a edição de uma nova Lei do Silêncio, que consideramos, sim, que está defasada e não atende a realidade cultural do Distrito Federal”, afirma.


Quais são os melhores de Brasília?

Agora não tem mais jeito: o carnaval é nosso! O brasiliense se apropriou, de vez, da festa de Momo. Toma as ruas da cidade, dança, beija, traveste-se do que bem entende. Segue o trio, cai no samba, no axé, nas marchinhas e — quem diria — na música eletrônica. Senhor dos festejos, nada mais justo que vista a fantasia de juiz e eleja o melhor bloco de 2017. O Correio Braziliense formará uma comissão julgadora e contará também com uma enquete popular para entregar um troféu aos quatro escolhidos. Para votar, entre no site www.correiobraziliense.com.br e participe. Que vençam os mais animados!
 

Parceria para aquecer o turismo 

Para fortalecer o turismo no DF, a Fundação Assis Chateaubriand (FAC) e a Fecomércio-DF, por meio da Câmara Temática de Turismo e Hospitalidade, assinaram um acordo de cooperação técnica. A iniciativa pretende estimular o acolhimento do turista, promover negócios entre empresários e divulgar ações e eventos da capital federal que movimentem o setor. O acordo reforça ainda o compromisso da Fecomércio em apoiar o projeto Embaixador do Turismo, da Fundação Assis Chateaubriand, que deve oferecer uma oportunidade para estudantes conhecerem melhor o turismo de Brasília. A ideia é despertar pensamentos inovadores sobre empreendedorismo, além de preservar, valorizar e compartilhar conhecimentos sobre a cidade. Participaram da reunião o presidente da Fecomércio-DF, Adelmir Santana, e o presidente da Fundação, Evaristo de Oliveira.
 
 
Tags: carnavaldf
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deusdede
deusdede - 01 de Fevereiro às 09:43
Sem gatar com consultor, é o não é, emprego a parente? É uma brincanagem
 
Wilson
Wilson - 01 de Fevereiro às 08:36
E com participação de 500 mil as escolas de samba abocanhavam 90% dos recursos. Proporcionalmente há algo de errado. Porque o folião de rua paga sua indumentária e o da escola de samba não? Se na escola paga então onde vão parar os vultuosos recursos?