Com baixo orçamento, agremiações desfilam com blocos de rua neste carnaval

Parceria é uma forma de garantir que todos participem da folia

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postado em 23/02/2017 06:10 / atualizado em 23/02/2017 11:19

Carlos Vieira/CB/D.A Press
 

 

A mistura de samba e frevo promete agitar o carnaval de Brasília este ano. O ritmo pernambucano do Galinho de Brasília se unirá ao som da bateria da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc) para animar os foliões. Um total de 30 ritmistas, 10 passistas, três baianas, dois casais de mestre-sala e porta-bandeira, dois intérpretes, um cavaco e um violão, todos de azul e branco, as cores da escola, prometem colorir ainda mais o arco-íris solar da bandeira de Pernambuco do tradicional bloco de rua da cidade. Outras cinco agremiações do DF farão as mesmas parcerias para garantir a participação na festa de Momo.

 

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Moacir de Oliveira Filho, o Moa, presidente da Aruc, promete que a apresentação terá a marca da escola de samba. “Vai ser digno dos nossos 51 anos de história, de um patrimônio cultural imaterial do DF, com todo empenho que sempre tivemos”, garante. O presidente do Galinho de Brasília, Franklin Maciel Torres, mais conhecido como Frank, concorda. O carnavalesco lembra que não é a primeira vez que a agremiação e o bloco tradicional saem juntos no carnaval, apesar da diferença de idade das duas organizações — a escola do Cruzeiro é de 1961, e o bloco, de 1992. “É uma parceria de longo tempo, vantajosa para ambos, com ritmos fortes. Eles são precursores do samba na capital, e nós, do frevo. O Galinho tem um papel importante na criação do carnaval de rua assim como eles (a Aruc) têm esse papel entre as escolas de samba”, destaca Franklin.

A união foi pensada para destacar o valor das duas tradições. “Estamos falando de um bloco tradicional, de raiz. Um dos mais antigos e importantes da cidade. Temos uma identidade mútua muito grande. Vamos abrir o Galinho no sábado, das 15h às 16h. É uma combinação significativa. Depois da apresentação, eles continuam a marcha”, explica Moa. O encontro dos blocos tradicionais com as escolas de samba foi decidido em reunião com os grupos e agremiações (leia Programe-se).

O presidente da Aruc considera um avanço a apresentação junto aos blocos de rua, mas diz que a escola ainda sonha em voltar a desfilar na passarela. “Esse gesto do GDF, de abrir um espaço para as escolas se apresentarem, mostrarem seu trabalho, é uma forma de construir a volta dos desfiles. Ainda não é o sonho, mas é uma iniciativa positiva, e reconhece a importância do carnaval brasiliense, que existe desde 1962”, diz. “Além disso, estávamos há três anos sem ganhar e há três sem competir. Seis anos é muito tempo. Estamos loucos para sermos campeões novamente”, afirma.


Verbas

O Governo do Distrito Federal vai repassar R$ 300 mil às escolas de samba para cobrir os custos das apresentações. Serão destinados R$ 50 mil para cada agremiação. De acordo com o secretário de Cultura, Guilherme Reis, a estratégia do Executivo local foi garantir a atividade de ao menos parte das escolas com o mínimo de gastos públicos possível e uma forte concentração de público nos eventos. A Acadêmicos da Asa Norte sairá com o Bloco Concentra mas Não Sai, a Águia Imperial ficará com o Mamãe Taguá, o Império do Guará fará show na saída do Pipoka Azul, o Bola Preta de Sobradinho fará a abertura do carnaval de Brazlândia e a União da Vila Planalto e Lago Sul vai tocar na Baratona.

Para o secretário, a união entre blocos e escolas é uma forma de repensar o carnaval de Brasília. Segundo ele, o governo quer um novo modelo para a realização de desfiles, que pese menos aos cofres públicos e que conte com captação mais eficiente de recursos privados. Ele também mencionou o decreto publicado no Diário Oficial do DF de ontem que dá diretrizes sobre a festa. “Temos conversado com as agremiações desde o ano passado para pensarmos juntos como poderemos reinseri-las no espaço do carnaval, que é reconhecidamente e tradicionalmente delas também. Com a publicação, hoje, do decreto do carnaval, apontamos para a consolidação de um novo modelo para realização dos desfiles das escolas”, destaca.

A expectativa da pasta é de que o novo modelo contribua para estimular a cultura no Distrito Federal. “Entendo que as escolas compõem uma cadeia produtiva importantíssima para a economia criativa e para o desenvolvimento da nossa cidade, mas precisamos pensar nesse novo modelo de fomentar a produção do carnaval, de modo que ela não dependa totalmente do Estado. Já não é possível fazer carnaval como antes. Basta olhar para o que está acontecendo nas outras cidades e no fenômeno que o carnaval de rua se tornou aqui na capital”, conclui Guilherme Reis.

Programe-se

Confira a programação das escolas de samba nos blocos tradicionais de Brasília

Sábado, 25 de fevereiro
Acadêmicos da Asa Norte e 
Bloco Concentra mas Não Sai
Das 20h às 21h, na EQN 404/405

Águia Imperial e 
Bloco Mamãe Taguá
Das 19h30 às 20h30, no Taguaparque

Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc) 
e Bloco Galinho de Brasília
Das 15h às 16h, no Setor Bancário Sul, Quadra 4, Estacionamento do Edifício Caixa Cultural

Império do Guará e 
Bloco Pipoka Azul
Das 21h às 22h, na Praça da Moda, no Guará II

Domingo, 26 de fevereiro
Bola Preta de Sobradinho e Carnaval de Brazlândia
Das 23h à 0h, na Rua do Lago

União da Vila Planalto e 
Lago Sul e Bloco Baratona
Das 18h às 19h no Eixão Sul, na altura da 108/208 Sul

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Sergio
Sergio - 23 de Fevereiro às 14:21
Graças a deus acabaram com essa farra inútil porque povo do DF não gosta não participa desse tipo de carnaval, os blocos de rua é muito melhor e mais democratico ! Esse tipo de carnaval é só pra capitar recursos do GDF e quase ninguém participava desses desfiles zuado.
 
deusdede
deusdede - 23 de Fevereiro às 12:15
Não tem dinheiro, mas para pagar um parente de Ministro tem, o cara nem é de Brasília, graças a grita popular que acredito que o contrato não foi realizado.