"Vou mudar meu nome para Robertinho de Brasília", diz Robertinho do Recife

Compositor do hit Babydoll de Nylon declara o amor a Brasília. "O carnaval de Recife nunca foi meu. Eu posso dizer, com certeza, que o carnaval de Brasília é meu"

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postado em 24/02/2017 06:00 / atualizado em 24/02/2017 11:09

Arquivo Pessoal
 
Figura lendária do carnaval nordestino, Robertinho do Recife desembarca pela primeira vez para um show em Brasília nesta sábado (25/2). O cantor vem como atração musical do bloco que faz homenagem a sua música mais famosa. O Babydoll de Nylon desfilará na Praça do Cruzeiro a partir das 13h e pretende levar mais de 80 mil foliões às ruas.
 
 
A música-tema do bloco é uma composição do pernambucano Robertinho de Recife com o baiano Caetano Veloso. A música de versos simples foi criada de maneira despretensiosa, enquanto os dois músicos estavam em uma festa. 

Como está a expectativa para a apresentação no bloco Babydoll de Nylon?
Olha, eu estou tão feliz com isso! Eu já namorava esse bloco há muito tempo. Mesmo porque eles fazem, todos os anos, essa homenagem bonita, espontânea, a coisa mais bacana. Eu não esperava por isso. É claro que é uma grande alegria ver a minha música tocando no carnaval.

É a primeira vez que você vem tocar em Brasília?
Sim. Há anos eu venho buscando essa oportunidade. Ano passado, por exemplo, no mesmo dia que o bloco sai, no sábado, eu estava fazendo carnaval em São Paulo, então não pude comparecer. Mas assisti de longe o sucesso e a alegria. Principalmente em Brasília, que não é um lugar que eles têm essa tradição de carnaval. Arrastando tanta gente. E a coisa que eu mais fico impressionado é que toca a minha música o tempo inteiro. Isso, para um artista, é de uma realização... Eu fico até emocionado, não tenho como agradecer. O Caetano também deve estar muito feliz com isso, porque a música é em parceria com ele.

Como definiria o sentimento de ter 80 mil pessoas seguindo o bloco que leva o nome de uma música sua? 
Terminou que o carnaval de Brasília é meu. Robertinho de Recife ganhou um carnaval em Brasília, no Distrito Federal, no coração do país. E de graça. Eu não fiz nada. Só compus uma música. Os organizadores do bloco são pessoas maravilhosas. As pessoas que vão ao bloco também. Eu fui vendo o perfil de pessoas que acompanham o bloco e só tem gente linda, maravilhosa. E eu acho que é o bloco, no Brasil, mais sem preconceito. Isso é a tônica que me deixa mais feliz. Porque a música tem isso também. A música é para todos. Na verdade, essas coisas de "para todos" ficou meio engraçada no Brasil. Mas é o perfil das pessoas que estão ali. As pessoas vão se divertir, não tem briga, pelo que eu saiba, todos com o espírito despojado de qualquer preconceito. Todo mundo vestido com um babydoll. Para todo mundo vestir um babydoll, vamos combinar, né? Combina com você! (risos) Até eu vou vestir um babydoll também.

Você vai tocar de babydoll?
Claro que eu tenho que estar de Babydoll. Se bem que eu não tenho esse corpo tão bonitinho para ficar à mostra não. 

O que você acha de ver sua música fazendo sucesso depois de 30 anos, e para um público jovem?
Pois é. Ainda tem esse dado. A música é antiga, aí vem uma juventude, um pessoal novo que não sei de onde eles tiraram essa música. Eles descobriram essa música e fizeram ela retomar. Isso, para mim, é um sucesso. Sucesso absurdo. O bloco é um sucesso. A música voltou a ser um sucesso por causa do bloco. E esse bloco é muito comentado no resto do Brasil. Todo ano alguém vem pra mim "Ah, você sabe que em Brasília tem um bloco assim?" A mesma pergunta que você me fez, eles me fazem "Você fica feliz com isso?" Mas é claro que eu fico! Eu não me contenho!

Você diria que Robertinho combina com Brasília?
Agora, vou combinar para o resto da minha vida. Brasília me conquistou. O povo de Brasília. Eles me deram um carnaval. O carnaval de Recife nunca foi meu. Eu posso dizer, com certeza, que o carnaval de Brasília é meu. E, desculpe meus conterrâneos, mas meu coração está em Brasília e eu vou ficar muito feliz de estar aí no sábado. Vou me sentir como um nativo, uma pessoa que nasceu em Brasília, vou me sentir igual a todos. Acho que vou mudar meu nome para Robertinho de Brasília, estou pensando seriamente (risos).
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Horst
Horst - 24 de Fevereiro às 11:22
Robertinho, os organizadores do Babydoll de Nylon, na verdade, são jjovens que tiveram em seus pais e pares a influência necessária para apreciar instrumentistas e músicos do seu quilate, aproveitando-se do caráter multifacetado e multicultural que permeia, principalmente, o centro da capital federal. Mas eu, particularmente, tomei melhor contato com sua obra a partir de uma outra música, SEJA O MEU CÉU, gravada pela Fernanda Takai em um CD de 2007 (achei a roupagem dada por ela fantástica!). Que você leve, amanhã, todos do Babydall à alegria, ao êxtase e ao delírio com sua ímpar e, quem sabe, constante e duradoura presença ao desfile de amanhã.