Bloco "Bora pra Cuba" estreia ao ritmo de salsa na Asa Norte

A banda Sabor de Cuba e o grupo de dança Coração Salseiro deram a batida da festa, que invadiu, nesta quinta, a Praça dos Prazeres, na 201 Norte

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/02/2017 06:00 / atualizado em 24/02/2017 08:32

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
 

Do nome às fantasias, a folia alternativa do bloco Bora pra Cuba foi sustentada pela irreverência política e pela mescla das culturas cubana e brasiliense. A banda Sabor de Cuba e o grupo de dança Coração Salseiro deram a batida da festa, que invadiu, ontem, a Praça dos Prazeres, na 201 Norte. Casais dançavam, enquanto grupos de amigos desfilavam com chapéus verdes com a estrela vermelha tantas vezes ostentados por líderes com o Che Guevara e Fidel Castro, seja por afinidade, seja por ironia, seja por simples diversão. De acordo com a organização do evento, cerca de mil pessoas passaram pelo local.

A intérprete Maria Clara de Mello, 26 anos, e as amigas estavam entre os que aproveitaram a diversão para protestar. Vestidas de Che, com barbas de lápis e até charuto, disseram que viajarão para se reunir com amigos em São Paulo e no Rio de Janeiro em um grupo uniformizado e cada vez maior. “Porque a revolução é lenta, mas não para”, brinca. Ela conta que o grupo tinha decidido a fantasia e a ideia ganhou força quando descobriram o Bora pra Cuba. “Nós nos inspiramos no cenário político, mas o bloco deu um gás a mais”, afirmou. Filipina, a amiga de Maria Clara Sofia Orlez, 27, passa o terceiro carnaval na capital e também é a favor da mistura de ritmos. “É uma data que fica cada vez mais divertida e interessante.”

O psicólogo Gustavo Colin, 40, e a cantora de samba Clarisse Brasil, 30, nunca tinham se visto até a noite de ontem. O som da salsa os aproximou. Com hora marcada para ir embora, Gustavo aproveitou para dançar o quanto podia. “Eu a vi dançando sozinha e, como gosto muito de ritmos latinos, a chamei para dançar comigo”, revelou. “A música cubana, agora, faz parte da diversidade de ritmos do carnaval da nossa cidade, que tem como característica a diversidade”, completou. “Para mim, é um ritmo que tem tudo a ver com o Brasil. Os músicos improvisam no palco e nós improvisamos nos passos”, comentou Clarisse. “Morei cinco anos fora e voltei no ano passado. Estou impressionada com a riqueza do carnaval.”

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press


Espaço cultural

Uma das organizadoras do evento, a empresária Ju Pagul destacou que o bloco foi pensado e trabalhado desde maio de 2016. Ela reuniu um total de 14 grupos para se apresentarem na Praça dos Prazeres durante todo o carnaval. “Estamos na capital do país. Temos representantes de vários países presentes aqui. Então, essa mescla é importante. Escolhemos o nome em resposta a todos aqueles que nos mandam ir para cuba”, destacou. Ela lembrou, ainda, que a Praça dos Prazeres é um espaço cultural importante e que “marcar os eventos no endereço é uma forma de fortalecer o local”. Depois da banda Sabor de Cuba, foi a vez de o Bora Coisar, com música típica do Norte do país, animar o folião.

Músico e diretor musical do Sabor de Cuba, o cubano Gumercindo Reyes destaca que sua terra natal e o Brasil fazem parte da América Latina, o que aproxima a salsa do carnaval e reforça a integração cultural entre os países. “É um orgulho cantar aqui. A música cubana é um pedaço importante da nossa cultura e das nossas origens. A folia misturada com nossa música amplia a cultura de todos os presentes. Além disso, nosso som é feito para trazer alegria para as pessoas, o que também tem tudo a ver com essa época do ano”, garantiu.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.