Polêmica das marchinhas politicamente incorretas não deve prejudicar folia

Tradicional bloco do Pacotão promete tocar as canções populares, além de criticar a crise hídrica com o samba Banho Tcheco

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postado em 25/02/2017 07:30

	Breno Fortes/CB/D.A Press


Blocos no Rio de Janeiro e em São Paulo vão combater marchinhas que afirma ter teor machista e preconceituoso. Em Brasília, no entanto, a polêmica passou ao largo e, ao que parece, não vai interferir na folia. Quem garante é o tradicional bloco Pacotão, que promete tocar canções populares há mais de 70 anos. Também fará crítica à crise hídrica na capital do país com o samba Banho Tcheco.

A controvérsia das marchinhas politicamente incorretas — como Cabeleira do Zezé, Maria Sapatão e O teu cabelo não nega — entraram no foco das atenções de três blocos de rua do Rio de Janeiro, o Mulheres Rodadas, o Cordão do Boitatá e a Charanga do França, além do paulistano Minho Queens. Eles defendem que as letras de algumas marchinhas sejam banidas dos desfiles, por trazerem termos pejorativos. A questão estampou até as páginas da revista britânica The Economist e do jornal norte-americano Washington Post, em janeiro.

O cantor Eduardo Dussek já expôs o assunto com uma fina ironia quando compôs, em parceria com João Roberto Kelly, a marchinha Politicamente Incorreta, em 2011, gravada por Preta Gil. Para Dussek, o combate ao preconceito deve ocorrer com a aplicação da legislação. “Cabe à Justiça coibir os abusos. Não acho que blocos de carnaval tenham autonomia jurídica para censurar a arte”, afirma.

Esse gênero musical é uma crônica sobre comportamentos e funciona como um retrato da sociedade, como explica a historiadora Rosa Maria Araújo, co-autora do musical Sassaricando e presidente do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS/RJ). “A visão da história é uma perspectiva do presente com um olhar do passado e tendo viés contemporâneo. O passado tem de ser visto a partir deste contexto. Nos anos 1930, 1940, 1950, não havia a noção do politicamente correto.”

Engrossando o coro de quem discorda da censura às marchinhas está o presidente da Liga dos Blocos Tradicionais de Brasília, Jorge Cimas Santos. Para ele, as canções não foram escritas para desrespeitar as pessoas. “Politicamente justo é colocar o bloco inteiro na rua — com todas as canções que fazem do carnaval uma grande brincadeira”, diz. Para José Antônio Filho, 65, cartunista aposentado e um dos organizadores do Pacotão, esse tipo de discussão é descabida. “Tem coisa muito mais importante com que se preocupar atualmente”, resume.

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