Mesmo com chuva, blocos de carnaval arrastam 160 mil pessoas neste sábado

Babydool de Nylon fez a festa na Praça do Cruzeiro, enquanto o Galinho de Brasília agitou a Asa Sul

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.



Nem a forte chuva que caiu no início da tarde espantou os foliões que marcaram presença nos 37 bloquinhos de carnaval espalhados pela cidade. Ao som de marchinhas irreverentes e fantasiados, dezenas de milhares de brasilienses foram às ruas neste sábado (25/2) celebrar o rei Momo. Dois grandes blocos fizeram a festa dos brasilienses: o Babydoll de Nylon, que reuniu impressionantes 160 mil pessoas, e o Galinho de Brasília, que recebeu a bateria da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), em um encontro inédito.

 

No Babydoll de Nylon, o maior bloco deste sábado, na Praça do Cruzeiro, a grande atração foi o cantor e compositor Robertinho de Recife, autor do hit que dá nome do bloco. Além de Robertinho, o folião ainda curtiu a festa ao som muitas marchinhas, hits da tropicália e da antiga axé-music. 

 

Para as irmãs Esther Freire, 39 anos, e Patrícia Freire, 40, a chuva só mudou o endereço do início da festa. Como fazem todos os anos, desde crianças, as brasilienses chegaram juntas por volta de 13h30, na esperança de a chuva acabar logo. "Enquanto não passava, a gente começou a se divertir no carro, mesmo", conta Esther. Com perucas coloridas e isoporzinho cheio de cerveja, elas logo se entregaram ao bloco. "Não tem como ficar sem curtir, com chuva ou sem. Estamos desde o pré-carnaval e vamos ficar até o pós", garantiu Patrícia.

 

 

O Galinho de Brasília teve a participação da bateria da escola de samba e passistas da Aruc. Pandeiro, tamborim, dançarinos e porta-bandeira aqueceram o público, que depois dançou ao som do frevo. Não faltaram fantasias com perucas coloridas, tiaras com orelhinhas de coelho e gato, mulheres com bigode, homens vestidos de mulher, confete e serpentina.


Neste ano, teve até um pedido de casamento inusitado, anunciado no microfone do trio elétrico. O estudante de biologia Guilherme Karim, 23, trocou alianças com a fisioterapeuta Eduarda Pimentel, 25. Eles se conheceram no Galinho de Brasília há três anos. A data do casamento está marcada para o próximo 15 de março. "Estamos muito felizes e, no ano que vem, iremos pro Galo da Madrugada, em Recife", comemora Guilherme. 

 

O Bloco das Perseguidas apostou na festa da diversidade. O evento na Praça dos Prazeres, na 201 Norte, foi procurado principalmente pelo público LGBT e por mulheres que queriam fugir de assédios. Para a jornalista Ana Carolina Figueiredo, 32 anos, moradora da Asa Norte, o bloco é uma oportunidade de diversão para toda a família. Ana foi fantasiada de fada; o marido, de jogador de futebol; e o filho, de pirata. "Aqui, tenho tranquilidade de vir com meu filho de 6 anos e meu marido, e ainda ensinamos a ele o respeito e que família não é só papai e mamãe, mas que existe outras formas de amor", contou.

 

No time dos blocos tradicionais, também entrou o Concentra mas Não Sai, que surgiu há 16 anos, quando amigos da quadra se concentraram para esperar o Pacotão passar pela localidade, porém, segundo um dos fundadores Dilson Rosa, a festa foi tão boa que não precisava sair do local. "Esse bloco é tradicional, feito para unir os amigos das 400. É esse o clima de alegria e confraternização", disse.

Breno Fortes/CB/D.A Press

 

Mais cedo

 

As crianças começaram a tomar conta dos bloquinhos dedicados a elas logo cedo. No estacionamento 4 do Parque da Cidade, o Carnapati contava com 100 minifoliões às 10h. Além da música, a folia contou com atrações como brinquedos infláveis e barracas de comida. Para se divertir, as crianças usaram serpentinas, espumas e estouraram estalinhos. A fantasia mais escolhida pelos meninos foi a de super-herói, enquanto as meninas preferiram a de princesa.

 

A matinê do bloco Concentra Mas Não Sai também teve a presença de muitas crianças. Os irmãos Heitor Hussey, 2 anos, Maria Eduarda, 8, e Samuel, 4, se divertiram ao som de muito axé e lançando espuma um nos outros. Essa foi a primeira vez dos pequenos na folia, segundo a mãe Iza Silva, 34 anos. "Vim mostrar para eles como é o carnaval e, pelo visto, estão gostando muito."

Volta pra casa

A maior parte da festa foi tranquila, mas a volta para casa dos foliões foi marcada por uma confusão na Rodoviária. Por volta das 21h, os foliões não conseguiram acessar as catracas, pois o acesso ao embarque estava fechado e protegido por um cordão de policiais militares.

 

A assessoria de imprensa do Metrô informou que o procedimento é padrão e que a estação da Rodoviária foi fechada temporariamente apenas para controlar o fluxo de passageiros devido ao grande número de usuários. O controle é realizado no intuito de evitar riscos dentro da estação.

 

Apesar da presença da PM, criminosos aproveitaram a multidão reunida para praticar furtos e assaltos. A reportagem do Correio avistou três pessoas sendo roubadas durante a confusão na rodoviária.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.