Folia, fantasias e violência marcam o adeus ao carnaval de Brasília

Baratona e Raparigueiros voltaram a arrastar uma multidão. Houve confusão e um jovem foi detido após esfaquear uma pessoa durante briga

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postado em 01/03/2017 06:00 / atualizado em 01/03/2017 09:10

Minervino Junior/CB/DA Press


O sol abençoou o último dia do mais expressivo carnaval de Brasília. Baratona, Raparigueiros, Pacotão, Calango Careta, Essa Boquinha Eu já Beijei e os blocos infantis, como o Baratinha e o Ventuinha, fecharam a programação. Nos quatro dias de festa, mais de meio milhão de pessoas foram às ruas, debaixo de chuva forte, chuvisco ou sol. Elas se fantasiaram, curtiram com amigos e coloriram a cidade com confetes, plumas, paetês e serpentinas. O som do samba, do axé, das marchinhas e da Tropicália quebrou o silêncio da sede administrativa do país. Assim, Brasília se consolida com um dos carnavais mais animados do Brasil.



A maior parte da festa transcorreu ontem em paz, mas houve algumas brigas nas regiões próximas ao desfile dos Raparigueiros e da Baratona. O Correio flagrou uma delas. Um homem desferiu facadas durante a confusão. Ele foi detido. Veja as imagens:

 

 


De acordo com boletim da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, divulgado às 17h30 — ou seja, antes de começar os principais blocos programados para a terça de carnaval —, 26 mil foliões tinham ido às ruas no último dia de folia. Entretanto, organizadores do Raparigueiros e do Baratona contabilizavam mais de 300 mil foliões na Asa Sul, por volta das 20h, e esperavam que o número crescesse para 700 mil até o fim do desfile.


Tradicionalmente, o trio do Baratona sai da 110 Sul e o do Raparigueiros, da 108 Sul. Os dois seguem pelo Eixão no sentido norte. Ontem, a saída atrasou por causa de conflitos e tumultos entre foliões — foram pelo menos três esfaqueados até as 21h30. Por volta das 18h30, a música do Raparigueiros foi interrompida por causa de uma grave briga. Arrastões também ocorreram. A equipe do Correio registrou o momento em que um homem se aproxima de outro com uma faca na mão. A vítima foi acertada nas costas. O agressor saiu correndo e ainda tentou acertar outra vítima. Não havia policiais militares próximo à ocorrência.

Prisão

No fim da noite, Luan Ferreira Máximo, de 18 anos, foi detido pela Polícia Militar nas proximidades da Rodoviária do Plano Piloto. Segundo o sargento Alves Ferreira, a foto publicada no site do Correio ajudou a identificá-lo como o autor das facadas durante uma das brigas no Eixão. Na delegacia, Luan disse que o desentendimento começou quando um jovem tentou levar o seu colar. Morador de Santa Maria, Luan tem quatro passagens pela polícia. Ele foi qualificado por lesão corporal, mas não ficou detido porque a vítima não compareceu para prestar queixa. Ele deixou a delegacia por volta de 0h20.


Outro esfaqueamento aconteceu por volta das 20h, na altura da 106 Sul, em frente ao Cine Brasília. A faca acertou o pescoço da vítima, que foi encaminhada para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). O Corpo de Bombeiros do DF registrou um terceiro esfaqueamento, também na 106 Sul. Desta vez, de um jovem que foi atingido na cabeça. A corporação acrescentou que houve outros casos de fratura e lesão corporal, mas que não tinha um balanço do número total de feridos.


A Polícia Militar do DF também fez apreensões de facas e garrafas de vidro. Além disso, usou gás de pimenta e lacrimogêneo para dispersar brigas. A violência chateou os organizadores, que pediam, de cima do trio, a colaboração dos foliões para seguirem a festa sem brigas. “Infelizmente, têm foliões que não vêm com o espírito do carnaval, que é de paz e alegria”, comentou Jean Sousa, diretor e fundador do Raparigueiros. “A gente lamenta essa situação, mas é algo que pode acontecer onde tem muita concentração de público”, completou. Jean explica que o evento teve apenas 70 seguranças por falta de verba do governo. Portanto, a segurança ficou a cargo da PMDF.


Tradição na folia

Em 2017, o Raparigueiros completou 25 anos de existência — o bloco surgiu em 1992, na Candangolândia, de uma reunião de amigos na praça da cidade, e virou tradição em Brasília, ganhando o Eixão Sul. A multidão que segue os trios dos Raparigueiros está interessada nos diversos ritmos oferecidos e de tudo o que há de mais recente no cenário do axé, do funk e da “sofrência”. “Fico feliz pelo reconhecimento dos 25 anos de bloco. Pensamos o evento ao longo do ano”, diz Jean Sousa.


A empresária Fabricia de Moraes, 32 anos, está passando o primeiro carnaval em Brasília. Ela chegou ontem de viagem da Bahia e escolheu o Raparigueiros para fechar o feriado. “É um bloco mais eclético nos ritmos musicais.” Moradoras do Lago Azul, no Novo Gama (GO), a vendedora Maria Fernanda Melo, 18, e a operadora de caixa Thiely Cristine Silva, 23, também aproveitaram a festa. “A cada ano, a folia em Brasília cresce. Pesquisamos os diversos blocos e escolhemos esse por causa da música”, disse Maria Fernanda. “Não é preciso ir muito longe para se divertir no carnaval”, contou Thiely.


O Baratona também estava em festa, completando 40 anos de existência. Segundo o organizador Paulo Henrique de Oliveira, antes de chegar ao Eixão, o bloco era formado por um grupo de pernambucanos que fazia uma corrida de bar em bar, por isso, a origem do nome — bar mais maratona. A estudante Victória Silva, 19, foi ao Baratona com amigas do Recanto das Emas. No sábado, brincou no Baby Doll de Nylon. “Se eu soubesse que o carnaval de Brasília era tão bom, tinha vindo em outros anos também.” O servidor público Nathan Lenza, 48, foi ao Baratona com os amigos e, de lá, seguiria para o Raparigueiros. “O Baratona é uma prévia da noite. É um bom bloco, mas o Raparigueiros é mais animado porque dá mais gente.”

 

 

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professor
professor - 01de Março às 15:04
No bloco meninos de Ceilândia nenhuma ocorrência, só paz, amor, alegria e muita festa, pena que Ceilândia só é lembrado nos aspectos negativos......Quer brincar ser feliz e voltar em paz pra casa? Vem pra Ceilândia.....Muitas crianças muitos idosos, por que não noticiam.....