Falta de água prejudica donos de bares e restaurantes da Asa Norte

Com vários bloquinhos na Asa Norte, donos de bares e restaurantes da região tiveram dificuldade em atender a clientela. Alguns precisaram fechar as portas mais cedo; outros interditaram os banheiros

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Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


Ontem, foi a vez de os moradores da Asa Norte e do Noroeste conviverem com as torneiras secas em pleno carnaval. Desde segunda-feira, teve início a ampliação do racionamento de água, que passou a atingir a população das 11 áreas abastecidas pelo sistema Santa Maria/Torto. São 24 horas de interrupção do serviço seguidas de 48 horas de estabilização, como vem ocorrendo nas 15 regiões abastecidas pelo reservatório do Descoberto, que já enfrentam o racionamento desde 16 de janeiro.

Na Asa Norte, a preocupação era conseguir equilibrar a folia da festa do Momo com a escassez de água. Pelo menos cinco blocos se concentraram na região: Calango Careca, Bloco Espírita Celta, Ventoinha e Pacotão. Esse último, tradicional em levar para rua a crítica política, teve justamente como tema da marchinha a crise hídrica.

No bar Stad Bier, na 408 Norte, quadra onde se concentrava o Bloco Calango Careta, a falta d’água foi enfrentada desde cedo. O funcionário Lucas Cardoso, 23 anos, conta que desde as 9h as torneiras estavam secas. “Isso atrapalhou muito nosso funcionamento. Estamos pedindo água emprestada para os colegas da outra rua. Não tivemos água para lavar o estabelecimento e não temos banheiro para oferecer aos clientes”, lastimava.

Já na lanchonete O Autêntico Xis Gaúcho, tudo estava preparado para enfrentar a falta de água com a compra de um tonel de 240 litros. A sócia Renata Ramos, 33 anos, contou que a reserva ajudaria na limpeza da loja. “Só não podemos liberar o banheiro, que normalmente deixamos aberto. Ainda mais porque é carnaval, então, seria muita gente usando”, desculpou-se.

Para evitar surpresas e não perder a clientela, os donos da Confraria Chico Mineiro, na 104 Norte, se prepararam para o primeiro dia de racionamento, mas não precisaram usar os mil litros de água que armazenaram. Apesar de chegar com baixa pressão na torneira, a água não foi totalmente interrompida. “Cheguei às 6h para adiantar o almoço e também reduzi o cardápio do dia”, explicou Meg Suda, uma das sócias do restaurante. Outra medida tomada foi substituir os copos e pratos das entradas e sobremesas por descartáveis para evitar sujar mais louça.

Mais no final da Asa Norte, o racionamento de água não foi percebido no restaurante Feijão Verde, na 514 Norte. Com duas caixas de mil litros e pouco movimento, até duas horas antes de fechar o serviço, por volta das 14h30, o abastecimento estava normal. A proprietária, Irani Machado Sousa, atribuiu a normalidade à economia que todos têm feito no estabelecimento. “Reutilizamos água das fervuras para lavar o chão”, conta. “Não desperdiçamos nada e conseguimos reduzir a conta, que chegava a R$ 700, para em torno de R$ 200.”

Prejuízo

Enquanto a água ainda corria nas torneiras de Irani, a poucos metros dali, no restaurante Cozinha das Minas, na 515 Norte, “a água parou de subir por volta de meio-dia”, segundo o gerente do estabelecimento, Francisco das Chagas. Com a casa cheia, ele avaliava fechar o restaurante mais cedo. “O movimento está bom, atendemos cerca de 100 pessoas, mas vamos ter que interromper porque não tem mais água nos banheiros”, constatou Francisco, após verificar que a caixa-d’água, com capacidade para mil litros, estava quase vazia.

Ele calculava uma redução no faturamento de até 20% sobre o volume total de um domingo, devido à abreviação no horário. “É um dia em que as pessoas chegam mais tarde para almoçar, recebemos muitos turistas, ainda mais em pleno feriado de carnaval”, lamentou. Aberto há 26 anos, ele disse que não houve tempo de adaptar as instalações do prédio onde o restaurante funciona para receber um reservatório maior.

Três dias de desabastecimento

Inconformado com cerca de 48 horas sem água, Marcelo França da Silva, 51 anos, morador da
QNO 17, em Ceilândia, reclamou que o racionamento na região seria só sábado, mas ele e os vizinhos, até a Quadra 21, continuavam sem abastecimento na terça de carnaval. De acordo com ele, da Caesb recebeu a informação de que a água só voltaria por volta das 4 horas da quarta-feira. Para a reportagem, a companhia de abastecimento respondeu que Ceilândia Oeste “está em fase de estabilização”. Informou ainda que, em algumas quadras, pode haver maior demora no retorno do abastecimento, devido à localização, como pontos mais altos. A companhia ressaltou ainda a necessidade de a população fazer o “uso racional da água para contribuir com o restabelecimento do sistema mais rapidamente”.
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vilson
vilson - 01de Março às 15:38
Afinal é CALANGO CARECA OU CARETA?
 
Wilson
Wilson - 01de Março às 09:00
Para não afetar as areas mais nobres a CAESB até final de novembro transferia aguado descoberto para o santa maria, mesmo sendo o descoberto o lugar mais crítico. Faltar água em empresa, no trabalho é ruim, porém em casa é horrivel, e normalmente a população mais carente que se dane. Foi o que a CAESB fez.