Família de vítima esfaqueada no carnaval reclama após agressor ser liberado

Luan Ferreira Máximo atingiu, nas costas, o soldado do Exército Yocanaan Abreu. Cenas de violência foram registradas pelo repórter fotográfico do Correio

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postado em 02/03/2017 06:00 / atualizado em 02/03/2017 08:28

A liberdade concedida ao jovem de 18 anos preso por esfaquear outro no bloco carnavalesco Raparigueiros causou a revolta da família da vítima. Mesmo com as imagens e a ocorrência registrada pela vítima, a Polícia Civil alegou falta de materialidade para justificar a soltura de Luan Ferreira Máximo.



As fotos mostram que Luan atingiu, nas costas, o soldado do Exército Yocanaan Abreu Meirelles Júnior, 20. O agressor fugiu, mas foi capturado perto da Rodoviária do Plano Piloto ao ser reconhecido pelas imagens publicadas no site do Correio. Depois de levado para a 5ª DP (Setor Central), Luan foi liberado à 0h20 de ontem. O acusado responderá por lesão corporal, mas não ficou preso  porque a vítima prestou queixa depois desse horário.

 

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A família de Yocanaan classificou a decisão dos plantonistas da 5ª DP como “desrespeitosa”. O irmão da vítima, Thiago Cassiano Meirelles, 30, entendeu que houve tentativa de latrocínio. Soldado da PM há quatro anos, foi ele quem levou o irmão à delegacia. “Foi o tempo de os bombeiros fazerem um curativo nele. Quando chegamos, o meliante tinha sido solto. Ele ficou 40 minutos na delegacia, mesmo com o pedido dos policiais que conduziram o flagrante para esperarem as vítimas”, reclamou.

Yocannan participava do bloco com alguns amigos. Na festa, um homem puxou o relógio do pulso dele. O soldado do Exército tentou segurá-lo e impedir que ele corresse, mas foi surpreendido por Luan. O militar empurrou o suspeito, que reagiu com uma facada. Além do ferimento, ele e os amigos ficaram com hematomas no corpo ao tentarem se defender. “É um total desrespeito. Não só com a vítima, mas com a sociedade”, lamentou Thiago.



A Polícia Civil informou que “a não localização de vítimas e a falta de registro oficial impedem a lavratura do flagrante, mesmo diante de imagens de câmeras.” Sobre a ocorrência feita por Yocannan, a corporação respondeu que “o registro posterior à soltura do suspeito não poderia ter surtido efeito para o flagrante, já que não havia mais ninguém detido.”

Para o especialista em segurança pública da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Testa, a liberdade do agressor demonstra brechas na legislação. “A interpretação é subliminar. A materialidade, de fato, seria a vítima, mas esse é mais um problema da nossa lei. Hoje, temos o poder da internet, as tecnologias que podem ser usadas para contribuir na solução de crimes. Se a lei não for atualizada, infelizmente, o policial que o liberou pode ter razão, por mais absurdo que pareça.”


Testa também analisou a sequência de imagens feitas pelo Correio. Na visão do especialista, Luan estava determinado para cometer a violência. “A forma com que ele segura a faca, com a lâmina voltada para dentro e com concentração no alvo, demonstra sua periculosidade”, conclui.

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
 

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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wilden
wilden - 02de Março às 16:38
Isso é um absurdo, se fosse uma pessoa normal esfaqueando um bandido, estava preso até agora, toma vergonha justiça; essa inversão de valores nesse País da impunidade e da corrupção ,tá demais.
 
Emidio
Emidio - 02de Março às 15:39
Para os bandidos, 'tá tranquilo, tá favorável"...
 
Leandro
Leandro - 02de Março às 12:34
A Lei Penal brasileira precisa acompanhar os avanços que a Internet vem proporcionando, uma vez que ficou comprovada a ação do elemento de altíssima periculosidade, diante das imagens instantâneas postadas no site do Correio Braziliense. Nossa lei é oriunda de 1940, com algumas alterações feitas até 2016. Portanto, deve-se fazer uma reformulação da Lei Penal e caracterizar tentativas de latrocínios como esta em tela, ser considerada mesmo com a ausência da vítima, que estava sendo atendida após os ferimentos. Ou, ainda, permitir a retroatividade da acusação para beneficiar a vítima. Quem concorda?
 
Marcus
Marcus - 02de Março às 10:23
São estes policiais que fazem greve por aumento de salário.Quem precisa de atendimento em uma delegacia,sabe como é péssimo o atendimento e a falta de respeito dos policiais que não gostam de atender.
 
Marcus
Marcus - 02de Março às 10:13
Povo brasileiro,não temos justiça neste país.Se quiserem justiça,faça com as próprias mãos.Isso é uma país sem justiça e sem governo.A GUERRA CIVIL ESTÁ PRÓXIMA!
 
claudio
claudio - 02de Março às 10:08
Creio que a interpretação da lei depende muito mais do bom senso do agente. Se o marginal tivesse atacado algum parente do agente ou ele próprio, com certeza o bandido estaria preso. Agora sim, qualquer bandido agressor depois de uma tentativa de assassinato, pode ir à 5ª. DP e procurar o agente para informar a ocorrência. Se ele chegar lá, de preferência com um advogado, antes da vítima que estará sendo medicada, será imediatamente solto sem responder processo algum, mesmo que tenha sido filmado, fotografado, divulgado em redes sociais etc. Tem que acabar com esse conceito de que as cadeias estão cheias e por isso vagabundo tem que andar solto. Há muito o que se fazer para que as pessoas não se tornem marginais e encham as cadeias, mas isso é assunto %u201Cpra mais de metro%u201D que quem deveria estar tratando é ainda muito mais %u201Clerdo%u201D que as vítimas.
 
marcos
marcos - 02de Março às 10:07
Por esta e por outras que a justiça (com minúsculo mesmo) não tem mais nenhuma credibilidade no país. Se antes ainda era uma instituição que gozava de certa admiração pela população, hoje é motivo de revolta e piada pelas decisões sem o menor bom senso ou racionalidade, como esta citada acima ! Se é para ler o que está escrito e aplicar, qualquer um que saiba ler pode ser "autoridade" (delegado, juiz, etc) mas o que se espera destas ditas "autoridades" é exatamente um bom senso e discernimento na aplicação da lei, deixando bandidos perigosos presos até que sejam inocentados, se for o caso. Solidarizo-me com a indignação da família da vítima e com os policiais que fizeram a prisão do criminoso !
 
oclecio
oclecio - 02de Março às 09:33
Essa nossa "Justiça" é uma merda. Vamos lá cidadão de bem, continuem votando nesses parlamentares travestidos de Deputados do Congresso Nacional. Muda Brasil, País da Corrupção e da Violência.
 
Aislan
Aislan - 02de Março às 09:25
A soltura dele é o mesmo que dizer: "pode esfaquear outro, você não fez nada de errado". Enquanto as leis continuarem beneficiando bandidos, jamais veremos a criminalidade diminuir. Se o crime é fantagem e impune, é a melhor opção. Quem será o "homem" ou "herói" para mudar a realidade desse país?
 
Wilson
Wilson - 02de Março às 08:51
Ele foi liberado porque necessitava continuar o trabalho, Afinal havia muitos celulares a ser surrupiados....
 
Aislan
Aislan - 02de Março às 22:57
Por aí mesmo. Saber que não dá em nada, o motiva a continuar. Afinal, sair com uns 5 celulares de R$ 500,00 é um lucro bom. Continua vantajoso ser bandido.
 
Wilson
Wilson - 02de Março às 08:51
Ele foi liberado porque necessitava continuar o trabalho, Afinal havia muitos celulares a ser surrupiados....