GDF pagará débitos pendentes de 2014 a fornecedores

Após negociação com o governo federal, o Executivo local usará dinheiro do Fundo Nacional de Saúde para honrar as dívidas com as empresas que abastecem a rede

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postado em 18/03/2017 12:41 / atualizado em 18/03/2017 14:14

Carlos Moura/CB/D.A Press


O Governo do Distrito Federal (GDF) quitará débitos pendentes com fornecedores de 2014 e de anos anteriores. A verba saiu do Fundo Nacional de Saúde (FNS). E foi possível por causa de uma mudança de direcionamento dos recursos do órgão, antes restritos a determinados programas. A negociação com o governo federal durou cerca de um ano. A previsão é de que os pagamentos comecem em 90 dias. O montante das dívidas chega a R$ 365 milhões. Serão mais de 1 mil empresas que receberão o dinheiro. Elas estão divididas em seis blocos: atenção básica, média e alta complexidade, vigilância à saúde, gestão, assistência farmacêutica e investimento.

Para honrar os débitos, que serão feitos em ordem cronológica, de acordo com definição do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), a Secretaria de Saúde montou uma força-tarefa com 137 pessoas. Elas farão o processamento das 9.265 notas apresentadas ao órgão. Serão 55 servidores administrativos da própria secretaria, 55 do FNS e 27 auditores da Controladoria-Geral do Distrito Federal. “Não deixamos de pagar por falta de vontade ou compromisso. Entendemos que é uma relação importante. Sabemos que precisamos ter todos os fornecedores como parceiros da secretaria. E acreditamos que essa decisão trará os fornecedores para perto”, avaliou o secretário de Saúde, Humberto Fonseca.

O governador Rodrigo Rollemberg disse que, ao assumir o GDF, herdou uma dívida de R$ 600 milhões, sem contar com a parcela dos salários e as horas extras atrasadas. “Ao longo desses dois anos, conseguimos pagar R$ 200 milhões. Eu tenho convicção de que isso permitirá uma melhoria na qualidade dos serviços prestados pela secretaria”, afirmou. Para o chefe do Executivo local, a quitação das dívidas poderá minimizar os problemas de desabastecimento da rede. O setor vive hoje uma das maiores crises da história.

Contratos

O vice-presidente da Associação de Fornecedores de Saúde do Distrito Federal, Marco Aurélio Santos, explica que a inadimplência do GDF afastou muitas empresas dos pregões. “Principalmente as empresas multinacionais que têm contratos financeiros mais rígidos. Isso, certamente, causa encarecimento nas licitações e também fracasso”, lamentou. Segundo o secretário Humberto Fonseca, atualmente, o índice aproximado de frustração de concorrência pública é de 26%.

Marco Aurélio diz que, nos últimos três anos, os fornecedores fazem um exercício financeiro para sobreviver. “Infelizmente, alguns sucumbiram e, hoje, não existem mais. Várias pessoas foram demitidas. As empresas que sobreviveram reduziram o quadro. E quem tem perdido com isso são os pacientes, porque o serviço, certamente, fica prejudicado. A nossa intenção é cumprir os contratos da melhor forma possível. E, agora, com essa possibilidade de recebimento, estamos nos reprogramando para bem atender a saúde e o paciente”, concluiu.

Falhas graves

Relatório de Fiscalização de Hospitais produzido pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em conjunto com os conselhos regionais de Medicina, Enfermagem, Odontologia, Farmácia, Engenharia e Agronomia, confirma a situação crítica vivida pela saúde do DF. O levantamento, realizado durante sete meses, fiscalizou oito hospitais da rede. Identificou falhas graves, como infestação de piolhos e baratas em centros cirúrgicos, armazenamento inadequado de medicamentos e risco nas estruturas dos prédios. Também há má distribuição dos profissionais, tecnologias obsoletas e falta de manutenção em equipamentos.

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julio
julio - 18de Março às 13:36
E fornecedores de outros órgãos quando irão receber? GDF CALOTEIRO, a Novacap não pagou a ninguém os fornecimentos do segundo semestre de 2014.