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Testemunha fala ao Correio sobre como encontrou o bebê morto no Lago

A morte de Miguel e o desaparecimento da mãe dele, identificada pela Polícia Civil como Elisângela Cruz dos Santos Carvalho, 36 anos, ainda é motivo de mistério

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postado em 12/04/2017 10:21 / atualizado em 12/04/2017 13:55

Corpo de Bombeiros/Divulgação
 
A imagem do corpo do pequeno Miguel, 5 meses, flutuando no Lago Paranoá ainda está viva na memória do empresário André Bello, 35 anos. No último domingo, ele praticava wakeboard com 15 amigos. Estavam em uma lancha e quatro jet skis. Ao se afastar um pouco do grupo para filmar um companheiro surfando, os ocupantes de uma lancha sinalizaram para ele pedindo socorro. Foi quando André avistou o pequeno o corpo de Miguel na superfície.

"Saí pilotando em alta velocidade para chamar os bombeiros. Levou cerca de 10 minutos desde que eu avistei a criança até chegar na Marina dos bombeiros e voltar com eles até o local", relata. Os amigos e a esposa de André ficaram sem entender o motivo do sumiço repentino dele. "Pensava comigo: não pode ser! Mas se for, vamos tentar salvá-lo", conta. 

"Quando me aproximei levei um susto. Parecia uma boneca... mas à medida em que cheguei mais perto, percebi que era um bebezinho mesmo. Foi muito, muito, muito horrível! Foi a pior sensação que já tive".

A morte de Miguel e o desaparecimento da mãe dele, identificada pela Polícia Civil como Elisângela Cruz dos Santos Carvalho, 36 anos, ainda é motivo de mistério. Ela está desaparecida desde o meio-dia de sexta-feira, quando saiu de casa com dois dos seus três filhos, Miguel e Pedro* (nome fictício), de 4 anos. O mais velho reapareceu no sábado, perto da casa da família. Teria dito aos familiares que a mãe o deixara lá. Em uma mensagem, Elisângela teria dito aos parentes que faria “uma viagem sem volta”. E pedia perdão. O caso é investigado pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul). 

Na manhã desta quarta-feira, André contou ao Correio, em detalhes, como foi uma das experiências mais tristes que viveu. Leia os principais trechos da entrevista. 

Enquanto você pilotava para pedir ajuda, o que passava pela sua cabeça?
No primeiro momento, eu não queria acreditar que era uma criança. Como disse, parecia uma boneca. Porém, os indícios eram muito fortes de que era uma pessoa. Quando me aproximei ela estava toda roxa. Principalmente os lábios e as bochechas. Eu corri com a esperança de chamar os bombeiros. 

Como foi o momento do resgate?
Após comunicar os bombeiros, eles vieram me seguindo e indiquei o local para eles. A lancha que avistou primeiro a criança havia ficado próximo ao local para não perder o corpo de vista. Quando avistei o grupo novamente, diminui a velocidade e mostrei o local. Não tive coragem de chegar perto novamente. Eu estava tremendo. O barco encostou perto do bebê e eu fiquei do lado oposto. O bombeiro resgatou ele de um lado e eu fiquei do outro. Não tive coragem de ver. Quando o  militar pegou o saco para recolher, eu sai de perto e voltei para a lancha onde estavam meus amigos e minha esposa. Depois fui embora. Deixei meus dados, caso precisassem de ajuda na investigação. 

Como você está se sentindo depois desta tragédia?
Infelizmente é um caso muito triste. Nunca pensei que iria passar por isso. Uma criança indefesa. Infelizmente, eu estava no caminho dela e acabei tendo que comunicar o fato para as autoridades. Somos muito pequenos para compreender essas coisas. Prefiro acreditar que ela cumpriu seu propósito nesta vida, mesmo que pelo curto período de 5 meses. 
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