Crise hídrica complica setor de construção civil no Distrito Federal

Nos dias de racionamento, canteiros de obra são obrigados a parar porque, sem água, operários não conseguem trabalhar, o que tem causado prejuízo financeiro

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postado em 14/04/2017 06:00

Antonio Cunha/CB/D.A Press
 
Se a crise econômica vinha derrubando as expectativas de melhora no setor de construção civil no Brasil, o racionamento tem deixado a situação ainda mais complicada no Distrito Federal. Ficar sem água a cada seis dias vem fazendo construtoras e arquitetos pisarem no freio, e assim, arriscarem até atrasar a entrega de várias obras. Na semana passada, o Ministério Público do DF e dos Territórios (MPDFT) encaminhou aos órgãos responsáveis 64 sugestões para combater a crise hídrica, incluindo ampliação do rodízio de abastecimento, sugestão que, para o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), pode piorar ainda mais a situação do setor.


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Na última sexta-feira, os funcionários da obra de construção de uma cobertura em Águas Claras saíram três horas antes do fim do expediente. O motivo não é novo: sem água, não havia mais o que fazer no canteiro. Responsável pela obra, a arquiteta Tânia Fernandes calcula um prejuízo de R$ 3 mil a R$ 4 mil por dia. “A obra acaba parando quando não se tem água, porque, sem ela, não se consegue mexer massa, não dá pra limpar o local, não se transporta entulho. E obra parada é perda de dinheiro. Tenho uma equipe de sete pessoas no projeto, no dia do racionamento, não rendemos, aí temos que lidar com prejuízo nas diárias e no aluguel de contêiner”, afirma.

O vice-presidente do Sinduscon-DF, Marcontoni Montezuma, destaca o prejuízo que pequenos construtores estão tendo com a crise. “Grandes construtoras podem instalar caixas-d’água auxiliares e enchê-las com caminhão-pipa nos dias de racionamento, algo que não é viável para pequenas obras devido ao baixo custo dos projetos, que não compactua com um investimento tão grande”, relata. O vice-presidente ainda alerta para a possibilidade de aumentos nos custos dentro do setor. “Dentro de casa, eu consigo economizar água diminuindo o tempo no banho ou não lavando o carro, mas na indústria, eu não consigo fazer massa com menos água, por exemplo. Na residência, a questão de economia de água vem da consciência; na indústria, não, pois o recurso é o insumo do nosso trabalho”, garante.

Oportunidade

 
Por outro lado, tem também quem colha bons frutos com a falta de água, seja por conta da inovação, seja pelo reforço de vendas. Na Castelo Forte, rede de loja de materiais para construção, produtos como caixas-d’água tiveram um disparo nas vendas — quase seis vezes mais do que antes do racionamento. “Criamos uma aba dentro do nosso site com o nome ‘Racionamento’, onde mostramos as cidades que vão receber o rodízio no dia e aproveitamos para criar links que direcionem nossos leitores a textos que mostram os benefícios de instalar novos reservatórios ou sistemas simples para aproveitar a água da chuva”, conta o gerente de compras, David Moura.

Já nos canteiros de obras, a novidade vem de fora. Utilizada em quase 90% dos projetos nos Estados Unidos e no Canadá, técnicas de construção a seco começaram a ganhar mais espaço no mercado brasiliense a partir do anúncio do racionamento. Sistemas como o Steel Frame possuem uma estrutura de perfis leves de aço contraventadas e placas estruturais em OSB, que funcionam em conjunto, dando rigidez, forma e sustentação à edificação. Sistemas como esse dão possibilidades de construir toda uma residência sem usar um litro de água.

No DF, dois produtos desse sistema são oferecidos desde 2010 pela Ferragens Pinheiro, são eles a placa cimentícia e o painel wall. “São serviços seguros e que devem ganhar espaço. Antes, eram usados no Brasil principalmente em shoppings centers, mas, agora, começaram a ganhar espaço também em prédios e residências. E, diferentemente do que muitos dizem, acaba saindo mais barato do que construções convencionais, pois garante uma obra mais rápida — não é necessário ficar esperando paredes e massas secarem, economizando em diárias’, relata.

 
Nível dos reservatórios


Descoberto

55,47%

Santa Maria

53,32%


Notícias da crise


» Recomendação do MPDFT sugere que consumidores recebam prêmios ou punições de acordo com a média de consumo de água.

» Tribunal de Justiça do DF proibiu a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) de cobrar a tarifa de contingência aos moradores. A justificativa é que não foi comprovado que a companhia está tendo custos adicionais em decorrência da crise hídrica. Ainda cabe recursos.

» O Correio Braziliense promove na próxima terça-feira seminário para discutir os desafios do uso consciente da água no país. Serão debatidas questões relacionadas à segurança hídrica, alterações climáticas, saneamento básico e saúde.vb


Menos chuva


O período de seca está cada vez mais próximo de chegar ao Distrito Federal. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê diminuição no nível das chuvas a partir da próxima semana. A primeira semana de abril registrou 23,4mm de chuva. Para o mês, a média histórica é de 123,8mm.

* Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte.

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Alvaro
Alvaro - 14 de Abril às 14:16
Tem que processar os responsáveis pela falta de água!