Delações da Odebrecht devem balançar corrida ao Buriti em 2018

Para analistas, as citações a vários partidos podem favorecer candidatos de fora do meio político

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postado em 15/04/2017 08:00 / atualizado em 15/04/2017 00:01

Alexssandro Loyola, André Violati e Bruno Peres/CB/D.A Press
 

 

Cinco ex-presidentes da República, oito ministros, 12 governadores, 24 senadores, 39 deputados federais. A lista do ministro Edson Fachin, divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na última segunda-feira, atingiu em cheio a classe política brasileira e colocou quase todos os grandes partidos na mira das investigações. Diante da desconfiança geral, as denúncias devem abalar o cenário das eleições de 2018, que elegem senadores, deputados, governadores e o presidente da República.

 

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Entre os políticos do DF, foram citados nomes como os dos ex-governadores José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT), do ex-vice-governador Tadeu Filippelli, do ex-deputado federal Geraldo Magela (PT), do deputado distrital Robério Negreiros (PSDB) e do ex-senador Gim Argello, preso e condenado por outros crimes.

O Correio ouviu especialistas e presidentes de partidos do DF para analisar de que maneira as informações divulgadas agora influenciarão o pleito do próximo ano. Ainda com a ressalva de que falta tempo considerável para as urnas, é unanimidade que as revelações e as suspeitas serão decisivas para as escolhas dos eleitores.

 

A universalidade das delações pode provocar um efeito de neutralidade nos eleitores, acredita o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas. “Que as delações terão impacto, eu não tenho dúvida. A questão maior é qual vai ser esse impacto. Pode ocorrer um conceito neutralizador, porque não dá para dizer que um partido ou outro é o mocinho. Então, todos acabam virando suspeitos, e o eleitor fica perdido”, observa o especialista.

 

Iano Andrade/CB/D.A Press
 


Esse efeito, explica Caldas, facilita a entrada de candidatos que venham de fora do meio político e que não tenham a imagem associada a nenhum partido. “Como já ocorreu na última eleição, a próxima vai favorecer as candidaturas de fora do sistema, os chamados outsiders, que enxergam uma oportunidade nessa grande janela”, prevê.

Esse tipo de candidatura é uma das  preocupações do deputado federal e presidente do PSDB-DF, Izalci Lucas. Para ele, o eleitor precisará ter cuidado com as escolhas para não votar em gente despreparada. “As pessoas precisam estar atentas para saber escolher melhor, mas também tomar cuidado em não votar no aventureiro, não cair no discurso de que não é político e eleger, por exemplo, um novo Collor”, alerta.

O próprio PSDB, no entanto, tem no seu quadro um exemplo de outsider que conquistou espaço nas últimas eleições, aponta o professor Ricardo Caldas. “O atual prefeito de São Paulo, João Doria, é um grande exemplo disso, de alguém que aproveitou essa oportunidade e se elegeu. Ele até possivelmente deve ser a escolha do partido para a Presidência da República, pois, com Aécio, Alckmin e Serra citados nas delações, a candidatura deles fica mais complicada”, comenta.

Generalização

O fato de praticamente todos os partidos fazerem parte das delações — e a possibilidade de uma visão generalizada sobre todos os políticos  — preocupa Izalci Lucas. Para ele, é importante também fazer a distinção entre investigação e condenação: “Apesar de muitos estarem citados, esse é apenas um processo de investigação, é preciso esperar que tudo seja apurado”.

Apesar de estar, em teoria, no lado oposto do espectro político, a visão do presidente do PT-DF, Roberto Policarpo, tem semelhanças com a de Izalci. “Existe uma espécie de condenação prévia. Espero que o eleitor saiba distinguir o que é fato ou não e que tudo seja feito com justiça”, comenta. Mesmo fazendo a ressalva de que falta tempo para o pleito, Policarpo acredita que as delações e as denúncias terão, sim, impacto. “Obviamente, isso vai pesar, mas o eleitor não vai só analisar o passado. Ele vai ver o que o candidato está propondo e os compromissos que os partidos têm com a sociedade”, acredita.

Reforma política

De acordo com o presidente do PSB-DF, Jaime Recena, essas denúncias devem definir os rumos das próximas eleições. “Os eleitores estão muito atentos aos nomes, a gente percebe isso pelas redes sociais”, observa. Ele acredita que a influência das delações é nacional e ressalta que, no DF, o cenário não será diferente. “Em Brasília, o eleitor estará muito mais antenado e interessado em saber as histórias e as trajetórias dos candidatos e em garantir que ele é ficha limpa”, afirma.

O peso das denúncias, acredita Recena, deve pressionar para que ocorram mudanças no sistema político brasileiro. “A reforma política é absolutamente necessária. Pessoalmente, não concordo, por exemplo, com alguém poder se eleger ad eternum nas eleições proporcionais. As investigações deixam a paciência do eleitor cada vez menor. Isso pode servir de ferramenta para pressionar a necessidade dessa discussão”, opina.

O cientista político Ricardo Caldas ressalta que é preciso ter cuidado com algumas propostas da reforma. A lista fechada seria prejudicial no momento, acredita Caldas. “Em um outro momento, ela até seria bem-vinda, mas, agora, seria um desastre. Faria permanecer toda a estrutura corrompida e permitiria aos partidos manter as pessoas de sempre, sem a necessidade de elegê-los diretamente”, alerta.

Outro ponto complicado, segundo o professor, é a questão do financiamento privado das campanhas. Para ele, o problema maior é como esse sistema foi instaurado no processo eleitoral nacional. “No Brasil, chegou ao limite do escárnio. É uma coisa que é comum em qualquer país. E é aceitável dentro de certos valores, mas perderam a noção do que era aceitável”, critica. Ele menciona o modelo norte-americano como exemplo de financiamento que poderia dar certo. “Lá, você tem um número grande de pequenas doações. Se eu doei US$ 100 para Obama, não vou poder chegar até ele e pressioná-lo, mas, se eu tiver doado US$ 1 milhão, vou achar que tenho esse direito”, explica.

Lista prévia

Por esse modelo, o eleitor vota para eleger os primeiros candidatos de uma lista de políticos definidos pela cúpula dos partidos. Dessa forma, não seria escolhido o candidato que ele acompanha ao longo da campanha, mas os primeiros da fila combinados pela sigla. Essa mudança, caso aprovada, valeria para as eleições de 2018 e de 2022.

“Nada a temer”, diz Filippelli

O ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) divulgou ontem um vídeo no Facebook para rebater as declarações de José Antônio Pacífico, ex-diretor da Odebrecht. Em depoimento, o delator disse que a empresa pagou R$ 15 milhões em propina para acelerar a liberação do Centrad. “A mídia veiculou a delação de um executivo de uma grande empreiteira envolvendo o meu nome. Não tenho conhecimento de tudo o que foi declarado, mas o próprio delator afirma expressamente que, em nenhum momento, tratou comigo sobre propina. E não tratou mesmo”, garante Filippelli. “Tenho 30 anos de vida pública e nunca tive uma condenação sequer em tribunais. Não tenho nada a esconder. Não tenho nada a temer. E entendo que a Lava-Jato tem sido um instrumento para mudar a história do nosso país”, concluiu.

 

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honneur
honneur - 30 de Abril às 12:13
Já tivemos duas dolorosas experiências com o PT no Governo do DF. Com Cristóvam, o DF estagnou e a única coisa de que nos lembramos é a "nomeação" de milhares de "cumpanhero" para o Instituto Candango; Agnelo representa a corrupção, a ineficiência, a enganação, a mentira e o desrespeito para com a população. Se os eleitores tiverem um mínimo de bom senso, o PT não ganhará eleições no DF por pelo 50 anos...
 
honneur
honneur - 16 de Abril às 20:53
Citaram praticamente apenas ex-políticos. Os que já foram (des)governadores do DF nunca mais se elegeram a nada em nossa terra. O sujeito que se orgulha de trinta anos de "vida pública" esqueceu de completar "vida pública improfícua", pois sempre foi um zero a receber salário no final do mês...
 
Júlio
Júlio - 15 de Abril às 12:01
Engraçado como o Arruda está demorando a ser preso. O cara está atolado em denúncias, filmagens, e ainda desfila por aí com cara de paisagem e sonha em ser governador de novo, para se fartar de corrupção, que é isso que ele mais sabe fazer.
 
José
José - 15 de Abril às 09:50
NENHUM POLÍTICO PRESTA. POLÍTICO É IGUAL A UM CÂNCER SEM CURA.