Especialistas alertam que racionamento aumenta focos do Aedes aegypti

Distrito Federal pode enfrentar séria epidemia de doenças como a dengue, a zika e a chicungunha devido ao descaso no armazenamento de água em residências

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postado em 17/04/2017 06:00 / atualizado em 17/04/2017 07:27

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
 

 

O maior temor dos epidemiologistas se confirmou com o fim das chuvas e a crise hídrica. O armazenamento inadequado de água, causado pelo racionamento na capital federal, aumentou os focos de Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da febre amarela, da chicungunha e da zika. A Secretaria de Saúde está preocupada com a ascensão dos criadouros em tonéis, tambores, baldes e barris. Para se ter dimensão dessa situação, em dezembro de 2016, esse tipo de acondicionamento representava 16% dos focos do inseto. Em fevereiro, a taxa alcançou 38%.

 

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O fato inédito — desde primeiro Levantamento Rápido de Índice para o Aedes aegypti (LIRAa), em 2012, nunca houve a predominância de criadouros nesses depósitos — tem um agravante: a maior parte dos recipientes está em quintais e jardins de residências, muito próxima aos moradores. As autoridades sanitárias estimam que 30% deles abrigam larvas do mosquito.

Na casa do autônomo Antônio Chaves de Sousa, 62 anos, na Quadra 7, da Candangolândia, os baldes se espalham pelo banheiro, pela cozinha e pela área de serviço. Para escapar do racionamento, há ainda uma caixa-d’água de 750 litros, que está mal fechada. Apesar das falhas, ele garante ter cuidado. “Não tem como não estocar. Como manter a casa sem água por dois dias?”, questiona.

Antônio sabe dos riscos. Calor e água parada são elementos propícios para a reprodução do Aedes. “Ficamos todos preocupados. Imagina 10 pessoas expostas à dengue, por exemplo”, pondera. Ele tem razão. Treze regiões administrativas, entre elas a Candangolândia, estão em estado de alerta para a epidemia de doenças transmitidas pelo Aedes. Há outras duas situações ainda mais alarmantes. Na Fercal e no Recanto das Emas, as autoridades dizem que o risco é iminente. Os índices de infestação chegam a 6,47% e 4,23%, respectivamente.

A cautela no DF é ainda maior após a lição amarga que 2016 deixou. Mesmo com a baixa circulação do mosquito, muita gente adoeceu. Somente a dengue fez 17.801 vítimas. A chicungunha teve alta de 705% — passou de 19 casos, em 2015, para 153, no ano passado. Este ano, a Secretaria de Saúde registrou 975 casos de dengue, 48 de chicungunha e 23 de zika. “Se a população não parar de acumular água de maneira inadequada, estaremos expostos a um risco gigantesco, e se torna quase impossível combater as doenças”, destaca o veterinário da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival), Laurício Monteiro.

Vistorias

A meta do Executivo local é visitar cada imóvel pelo menos seis vezes este ano. A primeira leva de inspeções atingiu 1 milhão de domicílios. Pelo menos 650 agentes epidemiológicos estão nas ruas fazendo o trabalho de vistoria e ações corretivas. A Secretaria de Saúde não descarta solicitar a cooperação de outros órgãos, diz Laurício. “O material educativo está em processo de aquisição, mas ainda não há data para a campanha ser iniciada”, finaliza.

Apesar dos dados do governo, a aposentada Maria dos Passos Braga, 74 anos, diz que não foi visitada pelos agentes este ano. Na casa dela, na quadra 4 da Candangolândia, os baldes ficam cheios no dia de racionamento. “Eu cuido por conta própria. Tenho medo das doenças e sei o risco para a saúde coletiva”, explica. A idosa conta como fica o funcionamento da residência em dia de torneira seca e é taxativa: “Não tem como deixar de guardar água. Muitas vezes o fornecimento é normalizado apenas no terceiro dia de racionamento”.

Monitoramento 

O índice de infestação considerado satisfatório pelo Ministério da Saúde é abaixo de 1%. Situação é de alerta quando está entre 1% e 3,9% e indica risco de surto quando é igual ou superior a 4%. Os dados são compilados pelo Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa), que é o mapa da infestação. A cidade é dividida em grupos de 9 mil a 12 mil imóveis com características semelhantes. Em cada conjunto, são pesquisados 450 imóveis.

Onde a situação é crítica?

Fercal, Recanto das Emas, Brazlândia, Candangolândia, Gama, Itapoã, Lago Norte, Paranoá, Park Way, Planaltina, Riacho Fundo, São Sebastião, Sobradinho 2, Varjão e Vicente Pires.
 
Arte/CB/DA Press

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Jean
Jean - 17 de Abril às 11:50
Eita País complicado viu!!!!! Lá vem mais dor de cabeça para todos!!!!!
 
Edison
Edison - 17 de Abril às 10:28
O que a incompetência pode gerar. A irresponsabilidade de nossos governantes é uma imbecilidade. Perceberam o quão oneroso isto será. Para que servem os órgãos públicos, as autoridades constituídas no Brasil. Tudo um grande engodo para que uma parcela parasita se beneficie e usufrua as minguadas riquezas que ainda possuímos. Pobre Brasil!
 
Wilson
Wilson - 17 de Abril às 08:48
Como é? Para beber agua mineral? a da CAESB está suja? imprópria para consumo? o que dizem os relatórios da CAESB sobre a potabilidade da água?