Greve dos vigilantes afeta atendimento em hospitais do DF

De acordo com o sindicato, cerca de 20 mil trabalhadores estão parados; atendimento em hospitais está prejudicado

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postado em 19/04/2017 20:10 / atualizado em 19/04/2017 20:40

Hospitais e unidades de Pronto Atendimento do Distrito Federal estão sendo prejudicados pela greve dos vigilantes, que começou na noite desta terça-feira (18/4). Funcionários de empresas de segurança que prestam serviço a diversos órgãos públicos e a empresas privadas paralisaram as atividades por tempo indeterminado.
 
 
Segundo a Secretaria de Saúde, cada unidade de atendimento "está readequando, conforme sua demanda, o atendimento aos pacientes que procuram os hospitais da rede pública."

Uma estudante de medicina da Universidade de Brasília (UnB) conta que não havia atendimento no Hospital Regional do Paranoá na manhã desta quarta-feira (19/4). "A população estava do lado de fora do hospital sem poder ser atendida pelos médicos que estavam lá. Tinha pelo menos 100 pessoas a espera de um atendimento, mas, por conta da falta de vigilantes, a PM não estava deixando entrar." 

A jovem afirmou ainda que médicos e pacientes estavam chateados com a situação. "Eu não sei o motivo da greve, mas sei que não tem como ter o funcionamento normal em um hospital sem os vigilantes. Sem eles, não há como trabalhar. Eles organizam o pré-atendimento", analisa.

Outro que voltou para casa sem receber o atendimento foi João Pereira Alvim. Com dores no peito, nas costas e na cabeça, o senhor de 63 anos, que é diabético, contou que não havia ninguém para atendê-lo no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). "Fui para o serviço, não aguentei trabalhar e me mandaram para cá. Não tem ninguém para me atender, estou indo embora", lamenta.

No mesmo hospital, em frente ao Pronto-Socorro cerca de 20 pessoas se aglomeravam aflitas e ansiosas. Enfermeiras tentavam intermediar a situação - permitiam a entrada somente de parentes de pacientes internados em estado crítico, assim como de pessoas em situação de risco. Entre os insatisfeitos, estava Aparecida Pereira da Silva, 39 anos. "O que temos a ver com isso (greve)?", indagou. A mulher sofre de osteoporose e veio de Itapoã ao Hran para realizar a consulta marcada há 15 dias atrás. "Vim fazer acupuntura para aliviar as dores. Por que não avisaram sobre a greve? Não temos direito a nada", disparou.

A Polícia Militar foi chamada para ajudar na segurança de quem procurou a rede pública de saúde. Em nota, a corporação informou que está cumprindo uma ordem de serviço a fim de intensificar o policiamento nos hospitais em razão da greve e que, até o momento, não foi registrada nenhuma ocorrência de conflito nos locais.

Vigilante horista

A paralisação foi decidida em assembleia, realizada nesta terça-feira (18/4). A principal exigência da categoria é manter a cláusula que proíbe o vigilante horista - funcionário que recebe mensalmente o valor determinado pelo valor-hora - na CCT. Na avaliação do Sindicato dos Empregados em Empresas de Segurança e Vigilância do Distrito Federal (Sindesv-DF), a criação do vigilante horista compromete o piso salarial e precariza a categoria. Para o presidente da entidade, Paulo Quadros, um acordo com vigilantes em regime parcial de tempo é extremamente vantajoso para o empresário, o que põe em risco os empregos formais para os trabalhadores da classe.

Em resposta às afirmações do Sindesv, o Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância do Distrito Federal (Sindesp-DF) informou que os empresários concordam com todas as reivindicações dos trabalhadores, concedendo um reajuste salarial de 6,58%, não chegando a um consenso apenas quanto à possibilidade de contratação de vigilante em regime parcial.

"O chamado horista não vai desempregar nenhum vigilante, pois sua jornada é limitada a 25h semanais com o objetivo de cobrir os intervalos de descanso/refeição dos atuais trabalhadores durante seus turnos. Ao contrário, deverá gerar milhares de novas vagas de empregos formais, respeitando o piso salarial da categoria proporcional à jornada com todos os direitos assegurados", afirmou o sindicato, em nota. O Sindesp reforçou ainda que não concorda com a greve e que se mantém aberto às negociações.

Outros serviços

Apesar da paralisação, a Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer informou que não fechará a visitação ao mirante e ao mezanino da Torre de TV e que a visitação está normalizada. A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF) também garantiu que, até o momento, não foi notificada por nenhuma unidade escolar que tenha interrompido suas atividades em função da greve. Mas, que em caráter preventivo, notificou as coordenações regionais de ensino, o Batalhão de Polícia Militar do DF e o Batalhão Escolar sobre o início da paralisação.
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