Brasília é a capital mundial de doação de leite materno

DF conta com 15 bancos de leite, 13 deles considerados padrão Ouro pela Rede Global de Bancos de Leite Humano

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postado em 19/05/2017 06:30 / atualizado em 18/05/2017 20:33

Arquivo Pessoal

“Para quem doa, é pouco, mas, para quem recebe, é tudo.” É assim que a chefe do Banco de Leite do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), Raquel Prata, define o ato de doar leite materno, que tem como destino, principalmente, os bebês internados nos hospitais. É um resumo também do ato celebrado no Dia Mundial da Doação de Leite Humano, comemorado em 19 de maio. A data é ainda mais marcante para Brasília, considerada capital mundial de doação de leite materno.
 
Mãe há 2 meses, a assessora de comunicação Maita Torres, 28 anos, presenciou as duas realidades: de quem precisa e de quem doa. A filha, Aurora, ficou cinco dias  internada ao nascer e precisou da doação de leite para se alimentar. “Eu sempre quis doar, mas eu nunca imaginei que a minha bebê ia precisar. Foi dolorido ver que o leite que ela tomava não era o meu, mas foi gratificante ver que as pessoas fazem esse esforço por uma criança que elas não conhecem”, afirma. 
 
Depois que passou pela situação, Maita não teve dúvidas de que também doaria o leite. Hoje, uma vez por semana o Corpo de Bombeiros passa em sua casa para fazer a coleta. O coordenador da Rede Brasileira de Banco de Leite Humano (rbBLH), João Aprígio, ressalta que o DF foi pioneiro na colaboração com a corporação. Para ele, essa união de esforços é o principal fator que faz Brasília ser a única cidade autossuficiente no mundo nesse quesito. “Não falta leite humano para os recém-nascidos internados no DF. A capital é um exemplo para Brasil e para o mundo”. 
 
 
Segundo a rBLH, o DF é a segunda unidade da Federação que mais arrecadou leite humano entre 2006 e 2015, perdendo apenas para São Paulo. Porém, Brasília é a única que cidade que consegue atender 100% da demanda para os recém-nascidos internados e, por isso, é chamada de capital mundial da doação de leite. Cerca de 150 mil bebês internados dependem da doação de leite no Brasil, mas o país não consegue atender 40% dessas crianças. 
 
Apesar disso, o  modelo brasileiro é reconhecido mundialmente pelo desenvolvimento tecnológico que alia baixo custo à alta qualidade. Em 2001, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a rBLH-BR como uma das ações que mais contribuíram para redução da mortalidade infantil no mundo na década de 1990. De 1990 a 2012, a taxa de mortalidade infantil no Brasil reduziu 70,5%. Atualmente o país assessora cerca de 24 nações quando o assunto é banco de leite. 
 
Para Raquel Prata, o sucesso, não só do Brasil, mas de Brasília, é resultado da militância e do apoio que os profissionais engajados na rede oferecem às mães. “Quanto maior a rede de apoio, maior o número de mães envolvidas e, consequentemente, maior a qualidade e o volume da doação. Amamentar é um processo difícil e cansativo, mas vale a pena, então a mulher precisa ser apoiada, ela precisa saber que isso vale a pena”, reforça. 
 
 
A neonatologista Viviana Sampietro explica, que quanto mais estímulo a mãe faz, mais leite vai produzir. Por isso, o ato da doação aumenta o volume de leite que a mulher produz - não falta nem para o bebê, nem para a doação. Além disso, a amamentação é um processo essencial para os recém-nascidos, porque fornece nutrientes, células de defesa, aumenta a imunidade e ajuda no desenvolvimento do cérebro e nas conexões neurológicas das crianças. 
 
A médica ainda explica que jamais se deve realizar o aleitamento cruzado, pois isso pode contaminar o bebê. “É preciso doar para o banco de leite, pois lá ocorre a pasteurização. Ademais, é necessário alertar as doadoras para sempre se submeterem à avaliação do banco de leite ”, adverte Viviana.  
 
Em comemoração ao Dia Mundial da Doação de Leite Humano, a Secretaria de Saúde promove uma série de eventos que visam a conscientização da comunidade quanto à importância da doação, dicas sobre aleitamento materno e exibição de vídeo sobre a campanha. Dos 15 bancos de leite do DF, 13 são padrão ouro, e há ainda três postos de coleta.

Grupo de amor 

Preocupada em se organizar com as rotas das doações, Raquel Prata decidiu criar alguns grupos no WhatsApp para organizar melhor a coleta. Um deles é o Mães Doadoras do Hmib, que virou uma grande surpresa para a chefe do banco de leite do hospital. “Conseguimos aumentar 50% o volume de leite coletado quando criamos o grupo. As mães sentem o amor, acompanham de perto o processo, se apoiam e buscam forças. Virou uma família, elas tiram dúvidas umas com as outras”, relata, entusiasmada. 

A servidora pública Carolina Freitas, 35 anos, conta que, sendo mãe de primeira viagem, encontrou no grupo uma rede de apoio. “Já fiz várias amizades, a gente se ajuda. Os processos de amamentação e de doação não são fáceis, às vezes, ficamos desestimuladas, mas as meninas (do grupo) são essenciais para dar força”, afirma. 
 
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press


Números da doação de leite no DF

  • Cerca de 150 mil recém-nascidos internados dependem da doação de leite no Brasil 
  • O DF é a segunda unidade da Federação que mais arrecadou leite humano entre 2006 e 2015, perdendo apenas para São Paulo
  • Contudo, Brasília é a única cidade do mundo que consegue atender 100% da demanda para os recém-nascidos internados
  • O Brasil consegue atender 60% da demanda de leite humano dos recém-nascidos internados
  • Existem 221 Bancos de Leite e 187 Postos de Coleta no Brasil
  • Existem 15 Bancos de Leite e três Postos de Coleta no DF
  • Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, no ano passado, os bancos de leite da capital coletaram 15.893 litros de leite

 
* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer 
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