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Em novo livro, Sri Prem Baba defende amor como chave do autoconhecimento

O amor é a chave que aciona o autoconhecimento, argumenta Sri Prem Baba no livro 'Propósito - A coragem de ser quem somos', que será lançado nesta terça-feira (23/5), em Brasília

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postado em 21/05/2017 06:00 / atualizado em 20/05/2017 20:42

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

É complicado falar de amor numa época em que o dinheiro, a tecnologia e o consumismo dominam as pessoas? Para o líder espiritual Sri Prem Baba, não. Muito pelo contrário. O amor é a chave que aciona o autoconhecimento. Como ele destaca no livro Propósito — A coragem de ser quem somos, que será lançado nesta terça-feira, em Brasília, durante sessão de autógrafos, na Livraria Cultura do shopping Iguatemi, a partir das 19h. “Chegamos num ponto em que se tornou extremamente difícil relembrar a nossa natureza espiritual”, destaca ao Correio.

 

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Prem Baba divide seu tempo principalmente entre o Brasil e a Índia. A agenda de cursos, de palestras e de retiros espirituais é intensa. O foco é sempre a busca da reconexão do homem com seu próprio interior. O ator Reynaldo Gianecchini, faz um relato emocionante no prefácio do livro — que hoje  está entre os 10 mais vendidos do Brasil. A mensagem de Prem Baba é simples e pura. Como deve ser... Namastê!

Amor é a palavra mais escrita em seu livro Propósito — A coragem de ser quem somos. Mas como descobrir a amplitude do amor nos dias de hoje? Não soa fora de moda?
Muito se fala de amor; muito se faz em nome dele, mas muito pouco se sabe sobre ele. O amor é o maior poder da alma humana. Quando o amor desperta, tudo é possível. Por isso eu acho que o amor nunca sairá de moda. Mas esse amor — o amor verdadeiro — não é uma tendência de consumo para uma determinada estação da vida, ele é perene, incondicional e desinteressado. O que precisamos compreender é que o significado dessa palavra foi completamente distorcido e precisa ser resgatado. O verdadeiro significado é o que nos interessa. Se a palavra está na moda ou não é apenas uma distração; é mais um jogo do eu inferior que precisa encontrar problemas para se apegar e reclamações a fazer. Eu sinto que já temos problemas suficientes, não vamos criar mais um. De qualquer maneira, não precisamos nos apegar à palavra “amor”. Se você não gosta dela, você pode usar outra palavra que tenha o mesmo significado para você. O que importa é se conectar com aquilo que te move, aquilo que faz sentido, aquilo que você é.

Quando se fala em amor, as pessoas repetem: “Lá vem você com demagogia barata”. Por que essa reação? Quem ganha com isso?
Ninguém. Quem ganha com isso é um falso eu; um eu sofredor que quer continuar se protegendo e acreditando que não existe saída. Quem reage é o egoísmo, a falta de sensibilidade, o medo. Quem está por traz dessa reação é a carência disfarçada de autossuficiência. Eu sinto que o buscador da verdade — aquele que quer ter a coragem de ser quem é — precisa se tornar imune a esses pensamentos. Não é possível agradar a todos. Seja quem você é e o que você precisa chegará.

 

O homem moderno sofre com a doença aguda do egoísmo diante do semelhante e do próprio planeta. Por que tanta insensibilidade?
O egoísmo não é um mal do homem moderno. Ele faz parte da trajetória do ser que encarna num corpo humano. Onde existe ego, existe egoísmo — um ego adoecido. Porém, o ego é necessário para a vida humana, pois ele é que possibilita a experiência da individualidade. Nós somos seres espirituais vivendo uma experiência material aqui na Terra. O espírito não tem senso de individualidade e, portanto, está livre da ideia de separação. Eu sinto que a insensibilidade à qual você se refere ocorre justamente por causa da ideia de separação. Por estarmos encarnados num corpo, acreditamos estar separados uns dos outros, mas, no nível do espírito, não há separação — nós somos um. Toda miséria humana nasce dessa ideia de separação, pois ela gera o medo.

Como assim, separação?
Já no momento em que saímos da barriga da mãe, temos o primeiro choque de separação. Desde então sentimos medo: de não termos nossas necessidades atendidas; de não sermos amados. A partir daí nasce a carência afetiva, que é talvez o maior mal da humanidade. Por causa dela, nós nos tornamos especialistas em criar estratégias para receber amor. Nós estamos sempre tentando forçar o outro a nos amar e, quando não somos amados (pois é impossível que nossas expectativas sempre sejam atendidas), nós sofremos e criamos mecanismos de proteção que se traduzem no que tenho chamado de “amortecedores”. Esses são os mecanismos responsáveis por toda essa insensibilidade. Não sentir, na perspectiva do ego adoecido, é estar protegido da dor. Se você não sente, não há perigo para você. O maior perigo para um ego ferido é sentir porque, se ele sente, ele corre o risco de sofrer. Mas, ao mesmo tempo em que você se fecha para não sentir dor, você também deixa de sentir o prazer, pois o canal do sentir é o mesmo. Você não sofre, mas também não ama.

O que podemos fazer para combater esse mal? É possível reverter esse caminho, que se mostra cada vez mais tenebroso e tortuoso?
O ser humano precisa reaprender a lidar com os sentimentos. Como disse: por causa dos choques gerados pela ideia de separação, nós sofremos e começamos a criar estratégias de proteção, entre elas, formas de anestesiar a dor e parar de sentir. Os principais amortecedores são comida, sexo e dinheiro. Através desses três elementos básicos, a humanidade tem se distraído e evitado entrar em contato com os sentimentos. Não há nada de errado com a comida, o sexo e o dinheiro, o problema é a carência que se apropria desses elementos, gerando vícios e a necessidade desenfreada de obter poder.

 

Há caminhos?
Eu tenho fé na possibilidade da mudança; se não tivesse, não estaria aqui trabalhando por isso. Esse trabalho, que venho chamando de “despertar do amor”, é um movimento em direção à união e, consequentemente, em direção à capacidade de sentir. Somente quando podemos sentir é que podemos amar. Precisamos ter a coragem ir além da normose para ver e assumir que nós escolhemos o caminho errado. Assumindo responsabilidade por isso, eu sinto que temos a chance de reverter a situação.

O senhor fala que somos seres espirituais vivendo uma experiência material na Terra. Mas muitas pessoas se negam a admitir essa conexão, e relegam  o Planeta ao segundo plano. Esta desconexão nos levará  à extinção?
Chegamos num ponto em que se tornou extremamente difícil relembrar da nossa natureza espiritual. A ilusão da separação e o medo da escassez se tornaram tão reais que já não sabemos o caminho de volta. A insensibilidade tem nos levado a destruir a nossa própria casa, o planeta, e essa condição gera a possibilidade real de extinção da raça humana. E isso não se trata de uma profecia. Nós precisamos ter a coragem de olhar para essa situação com objetividade suficiente para entender que estamos diante de um fato: destruindo a natureza, destruímos a possibilidade da vida humana neste planeta. Eu vejo que as pessoas se negam a admitir muitas coisas. Muita gente ainda não acredita, por exemplo, que existe de fato um aquecimento global. Eu me refiro a pessoas inteligentes, que têm acesso à informação. Portanto, enquanto não quisermos admitir a realidade, estaremos correndo esse risco.  

Em seu livro, o senhor destaca que “precisamos ter coragem e humildade para abrir mão do orgulho e assumir nossos erros”. Mas o homem é tão imediatista, tão egocêntrico, que apenas diante de tragédias (principalmente pessoais) se questiona, porém logo volta a ser o que era. Isso tem solução?
Para toda doença há um remédio. Mas, novamente, essa é uma questão de escolha, ou seja, uma questão de realmente querermos mudar a situação. E, infelizmente, o que eu tenho constatado é que, muitas vezes, precisamos sofrer mais um pouco para chegar ao ponto de querer se mudar. Muitas vezes, precisamos chegar no fundo do poço para deixar de culpar o outro e ver que estamos onde nos colocamos. Sim, existe uma solução, mas talvez precisemos sofrer mais um pouco para, de fato, querermos encontrá-la.

O homem se deixa contaminar com as doenças do mundo moderno, como o consumismo e a ganância pelo poder, por exemplo. Como mudar? Como educar as gerações que virão?
Tenho dito e repito que a chave para a transformação planetária está no autoconhecimento. Por isso temos trabalhado para levar o autoconhecimento para o maior número de pessoas, inclusive para as crianças, que são o nosso futuro. O Awaken Love Action (instituição fundada pelo líder espiritual) tem desenvolvido métodos e projetos que buscam justamente levar o autoconhecimento e o silêncio para as salas de aula. O silêncio é uma das mais poderosas ferramentas de autoconhecimento, porque ele permite a auto-observação. Para que as futuras gerações possam ter acesso a esse conhecimento, e assim possam estar prontas para ser canais de uma nova forma de viver a vida (que é o que precisamos), se faz necessário começar aqui e agora, curando e transformando a nós mesmos. O ego precisa ser reeducado. Na verdade, precisamos mudar o foco do ego para o espírito. E isso não tem nada a ver com coisas sobrenaturais, mas tem a ver com união, colaboração, compaixão e liberdade. A educação das crianças precisa ser baseada em valores humanos e, principalmente, precisa ser direcionada para a realização do propósito maior, o propósito da alma. Eu vejo que essa é a única saída.

Por que o autoconhecimento é tão difícil? Quais ferramentas posso usar para obtê-lo?
Conhecer a si mesmo é realmente desafiador, porque envolve entrar em contato com aspectos pouco agradáveis da nossa personalidade e, com isso, tomar responsabilidade pela nossa própria infelicidade. Nós não queremos olhar para a feiura que nos habita, porque é realmente desagradável, mas somente quando pudermos fazer isso, nos tornaremos belos. Como acabei de mencionar, o silêncio é uma das mais poderosas ferramentas de autoconhecimento. Ele é a base. Estar em silêncio parece uma coisa simples, mas tenho visto que, para a maioria das pessoas, estar em silêncio é muito desafiador. Isso ocorre porque o barulho também é uma forma de distração; uma forma de evitar entrar em contato consigo mesmo. O silêncio naturalmente evoca o autoconhecimento, porque ele abre espaço para a auto-observação mas, se você tem medo de olhar para dentro, é natural que o silêncio seja uma ameaça para você. Nesse caso, a sua televisão estará sempre ligada e, em lugares silenciosos, você será tomado por um incômodo ou por uma sonolência, pois é assim que o ego resiste à luz do conhecimento. O ego adoecido teme enxergar a própria doença porque ela dá a ele um senso de identidade. O ego acredita ser as suas próprias mazelas, então ele prefere ficar na escuridão da ignorância. É por isso que eu digo que precisamos reeducar o ego. Ele não pode deixar de existir, mas precisa aprender a nosso favor.

Ansiedade, depressão e melancolia estão cada vez mais em nosso cotidiano, a fuga (no álcool e outras drogas ditas legais), normalmente, causa mais danos do que cura. O que podemos fazer?
Se pudermos nos libertar dos amortecedores da consciência (o que envolve todos os tipos de drogas, lícitas e ilícitas) e voltar a nossa atenção para dentro, nós veremos acontecer a maior revolução que a humanidade já viu. Nossa maneira de viver a vida se transformaria por completo. Ansiedade, depressão, melancolia, pânico, estresse... tudo isso são sintomas de uma sociedade cega para a dimensão espiritual da vida. Não ter consciência da realidade espiritual é não ter consciência do propósito da vida. Uma vida sem propósito é uma vida sem sentido. Para que viver? Para que levantar da cama pela manhã? Se não há sentido na vida, qual seria a razão para viver sóbrio? Qual seria a razão para querer ser saudável? Qual seria a razão para querer viver? Eu vejo que, por trás de toda essa miséria, está a questão da inconsciência do propósito maior da vida.

O senhor não acha ser “perigoso para o sistema” (seja qual for) uma pessoa em paz consigo mesma, resolvida diante da vida?
Se uma pessoa “resolvida com a vida” é uma pessoa livre, uma pessoa que se libertou dos condicionamentos impostos pelo sistema em questão, então ela certamente representa um perigo. Nós vivemos num sistema baseado no medo. Um sistema que privilegia poucos em detrimento de muitos. Sabemos que, num sistema como esse, é interessante para os privilegiados, que são os detentores do poder, manter as pessoas com medo pois, dessa forma, elas são facilmente dominadas e doutrinadas; facilmente elas recebem e cumprem ordens. Uma pessoa mal resolvida facilmente se torna prisioneira desse sistema. Mas o que é uma pessoa “resolvida”? É uma pessoa que se liberta das crenças e condicionamentos limitantes que a levam a viver uma vida artificial, desconectada daquilo que ela gosta, daquilo que ela ama. Uma pessoa só pode ser resolvida quando se liberta das barreiras que a impedem de manifestar o amor, que é a sua essência. Bem resolvida é aquela pessoa que se tornou livre para ser quem ela é.

Motivo real
“Depois de passar dos 40 anos e vencer um câncer que me colocou à beira do abismo, restou a pergunta: quem sou eu? E para quê? Qual é o significado dessa minha existência? (…) Sabermos que estamos alinhados com nosso propósito quando encontramos um motivo real para acordamos e vivermos o dia com alegria!  E esse motivo, em última análise, é vivermos o amor!”

Editora Sextante/Divulgacao
Propósito — A coragem de ser quem somos
De Sri Prem Baba.

Editora Sextante.

Número de páginas: 160.

Preço médio: R$ 29,90. 

 

» Lançamento do livro nesta terça-feira (dia 23), às 19h, na Livraria Cultura — Shopping Iguatemi. 
» Classificação indicativa livre.
» Entre 24 de maio e 9 de julho, acontece a temporada anual de Sri Prem Baba no Ashram, em Alto Paraíso (GO), local dedicado a práticas espirituais e ao autodesenvolvimento.
» Mais informações: sriprembaba.org/schedule-pt-pt/temporada-alto-paraiso/ 

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isidoro
isidoro - 21 de Maio às 17:43
Só vi tamanha sabedoria assim no Manual dos Escoteiros.