Pais de bebê sequestrado no Hran querem futuro melhor para o filho

"Para o meu filho, quero dar tudo aquilo que eu não tive, principalmente estudo", reforça o pai

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postado em 11/06/2017 08:00 / atualizado em 11/06/2017 09:35



A maioria (52,45%) dos moradores da Estrutural é imigrante. Do total, 70,09% são do Nordeste. Bahia é o estado mais representativo (22,97%), seguido do Piauí (18,01%) e do Maranhão (16,26%). É o caso da mãe do pequeno Jhony. Humilde e acanhada, Sara é do Piauí e chegou ao Distrito Federal aos 15 anos. Casou-se com Jhony há dois anos e três meses e, desde então, mora no lote que a mãe dele dividiu. No terreno, há dois barracos de madeira. Em um deles vive o jovem casal, que também sobrevive do que tira do lixo.
 

Desempregado, Jhony consegue levantar até R$ 600 por mês no lixão. Antes de dar à luz, Sara ajudava o companheiro no lixinho, uma área próxima de casa, onde moradores catam material reciclável para revender. “Pelo menos alimento e botijão de gás dá para manter. De vez em quando, a gente compra uma roupinha, e assim vamos vivendo”, conta Jhony.
 
Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
 

Pesquisa da Codeplan de 2010 indica a baixa renda na região. A remuneração domiciliar média, naquela época, era de R$ 2.004 e a per capita, de R$ 521,80. Jhony estudou até o 1º ano do ensino médio. Já Sara interrompeu os estudos na 4ª série do ensino fundamental. “Vou fazendo o que aparece de trabalho de reciclagem. Para o meu filho, quero dar tudo aquilo que eu não tive, principalmente estudo”, reforça Jhony. A mãe sonha com Júnior médico ou jogador de futebol. “Quero que ele seja muito feliz e realize todos os sonhos dele”, ressalta Sara.

Doutora em política social e professora da Universidade de Brasília (UnB), Maria Lúcia Lopes observa que uma resposta para a desigualdade social é o investimento em políticas públicas. “Não basta dizer que a responsabilidade da criança é apenas dos pais. A própria Constituição diz que essa função é do Estado, da família e da escola. Portanto, o Estado está sendo colocado duas vezes. O governo tem que garantir assistência, saúde, educação e assegurar a essa mãe uma cobertura suficiente para que ela possa criar o seu filho”, diz.

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