Lei faz o governo do DF abrir mão de quase R$ 800 milhões

Há a suspeita de que a redução da alíquota do ICMS que beneficiou empresas aéreas em 2013 rendeu propina ao PMDB

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postado em 14/06/2017 07:28 / atualizado em 14/06/2017 22:17

Ed Alves/CB/D.A Press - 14/3/17

 
Aprovada em 2013 pela Câmara Legislativa, a lei que reduziu de 25% para 12% a alíquota de ICMS sobre o combustível para a aviação civil provocou uma renúncia de arrecadação que pode chegar a R$ 776 milhões até o próximo ano. O cálculo é estimado e inclui fatores como preço do petróleo, variação cambial e aumento do consumo de querosene. Nem mesmo os técnicos do governo do DF conseguem estimar com precisão se valeu ou não a pena abrir mão dessa receita.
 
Não há um estudo sobre o impacto na arrecadação provocado pelo benefício ou para o cidadão no dia a dia. Mas é certo que foi uma vantagem e tanto para empresas aéreas. O querosene representa aproximadamente 40% do custo de um voo e não se tem notícia de que essa redução foi repassada ao preço final das passagens. Para piorar, há agora uma suspeita de que a aprovação da lei ocorreu em troca de propina. Reportagem do O Globo, publicada no fim de semana, apontou que Henrique Constantino, um dos fundadores da Gol Linhas Aéreas, afirmou, em delação premiada, ter pago suborno a políticos do PMDB, entre os quais o ex-vice-governador Tadeu Filippelli, em troca de alguns favores, como a redução da alíquota do ICMS do querosene no Distrito Federal.

Menos pousos e decolagens
A desoneração do querosene de avião para voos domésticos foi uma medida adotada pelo governo Agnelo para transformar o aeroporto internacional Juscelino Kubitschek, de Brasília, num hub, centro distribuidor de voos, no país. A ideia é incentivar o turismo na capital, oferecer mais opções de embarques diretos de Brasília e ainda incrementar a arrecadação com o aumento do consumo de querosene, numa guerra fiscal com outras unidades da federação. Dados da Inframerica, no entanto, indicam que hoje há menos pousos e decolagens no aeroporto da cidade do que havia em 2012. Foram 188.528 naquele ano e 161.167 em 2016.  Entre janeiro e maio deste ano, 59,8 mil voos saíram ou chegaram em Brasília. No mesmo período de 2016, foram 70,3 mil. 

Na ordem do dia
A medida, no entanto, é uma tendência nacional. Está na ordem do dia do plenário do Senado projeto de resolução que estabelece um teto de 12% no ICMS de querosene de avião em todos os estados. Hoje, São Paulo mantém a alíquota de 25%.

Caixa 2 fácil
O promotor de Justiça Rubin Lemos, que atua na Defesa da Ordem Tributária, é um crítico de incentivos fiscais liberados sem  estudos, cobertura e garantia de que representam um benefício para o Estado. “Esse tipo de medida é a forma mais simples de fazer caixa dois”, acredita. “Nem precisa de maquiagem”, diz.

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Tags: aéreas gdf lei
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Antônio
Antônio - 14 de Junho às 14:42
É o bom Ministério Público do DF abrir uma investigação sobre isso ! Inadmissível esse balcão de caridade em prejuízo do tesouro público !
 
Gutemberg
Gutemberg - 14 de Junho às 13:46
Lei que beneficia empresários, logo é aprovado...agora leis que beneficia a população muitas delas são vetadas...parabéns corruptos.
 
deusdede
deusdede - 14 de Junho às 10:46
Alguém tem dúvida! É só olhar a patota, CLDF, PMDB, PT e o maior artilheiro do Brasil, desbancou até o Pelé, GOOOOLLLL. Sõ uns brincalhões
 
Alan
Alan - 14 de Junho às 08:56
Esse governo está sendo ótimo! Para os empresários, é claro! Além de poder cobrar pela bagagem (sem nenhuma obrigação de reduzir o preço das passagens...), as aéreas agora vão ganhar uma redução de impostos sobre seu maior custo, o querosene. Pra nós, cidadãos, sobrou mais 14 anos de trabalho pra se aposentar e a negativa expressa de revisar a tabela do IR...